O Lado de Lá

Janela. Laura Peters
Titulo: A distancia entre eu, você Tecnica: Aquarela e nankin com finalização digital. 2020 Artista: Laura Peters

Na pandemia, o impedimento do trânsito de pessoas entre países impactou profundamente a rotina de quem precisava cruzar a fronteira. Para o trabalho diário, para mudar de vida ou para encontrar seu amor, o outro lado ficou distante

REPORTAGEM
Valentina Gindri
valentinagindri@gmail.com

ILUSTRAÇÃO
Laura Peters

“Eu ia muito mais a Libres antes. Desde que a minha filha nasceu, fui muito pouco. Ia desde no supermercado, comprar coisas diferentes, até fazer banho de luz, porque lá é permitido. Fazia lá as fantasias para desfilar no Carnaval. Não sei, é uma cidade que eu achava meio feia. Não sei nem qual é a principal economia de lá. Mas eu gostava de ir, sempre tinha coisas diferentes”, conta a advogada Luiza Ceolin, 33 anos, sobre a pequena cidade que se encontra na outra margem do rio, que ela vê da janela de seu apartamento. 

Paso de Los Libres, na Argentina, tem cerca de 40 mil habitantes e faz fronteira com Uruguaiana, no Rio Grande do Sul, cidade com cerca de 130 mil habitantes, onde Luiza mora. As cidades são divididas pelo Rio Uruguai e unidas pela Ponte Internacional. Muitas pessoas trabalham em um lado e vivem no outro, ou têm amigos e familiares no país fronteiriço. Mas a pandemia alterou a dinâmica de vizinhança dos municípios e impediu o trânsito de pessoas. 

As fronteiras da Argentina estão fechadas para estrangeiros desde 17 de março, e a medida foi estendida até novembro. Apenas argentinos e residentes no país podem entrar, realizando quarentena obrigatória por 14 dias. A exceção é para pessoas que transportam mercadorias por operadoras de comércio internacional. Em março, o Brasil também fechou suas fronteiras, mas com regras mais flexíveis. A medida não inclui alguns grupos, como brasileiros nascidos no país ou naturalizados, imigrantes com residência permanente, funcionários do exterior cadastrados junto às autoridades, estrangeiros a serviço de órgãos internacionais e parentes de brasileiros, como pais, filhos e cônjuges. Em 29 de julho, o governo assinou uma portaria que permite a entrada de estrangeiros no país por transporte aéreo, desde que cumpram alguns requisitos. As fronteiras terrestres até novembro seguiam fechadas. 

O isolamento social de alguns foi agravado por essas barreiras geopolíticas. Na paisagem que pode ser contemplada da sala de estar, Luiza, moradora de Uruguaiana, enxerga um lugar próximo, visível, mas que nunca esteve tão distante. No momento, ficam as memórias desse outro, que habita a margem de lá: “Antes, em Uruguaiana, não tinha quase nada de restaurantes. Eu ia muito à Argentina jantar. Uma coisa que marcou o início do meu namoro com meu marido foi ir no restaurante Casaredo em Libres. Eu amava, e nos dá muita saudade, sempre lembramos disso.”

No início da pandemia, a Fronteira Oeste foi palco de um processo inédito na história do Brasil e da Argentina: serviu como única passagem para a repatriação de milhares de pessoas

No início da pandemia, a Fronteira Oeste foi palco de um processo inédito na história dos dois países: serviu como única passagem para a repatriação de milhares de pessoas. As embaixadas e consulados das duas nações organizaram veículos fretados para facilitar o retorno dos seus cidadãos. Muitos argentinos encontravam-se em férias no litoral brasileiro quando tiveram de retornar às suas casas, e o limite de entrada da fronteira era de 500 pessoas por dia, o que tornou o processo mais longo. Da janela, Luiza consegue ver o movimento na ponte, se tem filas de carro, se o rio está baixo demais ou se há enchente. “Enxergamos tudo, as pessoas que vêm tirar foto no pôr do sol, os barcos chegando e saindo, até se está pegando fogo no lixão de Libres. Às vezes os caminhões buzinam sem parar na ponte, não sei o motivo. Também escutamos muitos passarinhos”, relata.

A fronteira é separação entre “nós” e “eles”, uma demarcação que estabiliza nações. É também um espaço de encontro entre culturas, uma criação humana que possui caráter histórico. A pandemia causou efeitos peculiares nas fronteiras mundo afora, e nos vizinhos Brasil e Argentina não foi diferente.

A LINHA DO HORIZONTE

Divisão do céu e da água. Inatingível. Limite de alcance da visão.

Encontrei Hector Daniel Ravasol em uma sinaleira da rua XV de Novembro, umas das principais vias de Uruguaiana. Pedia dinheiro e segurava uma placa que tentava resumir sua história: argentino casado com brasileira que não pode entrar no seu país.  Hector, 39 anos, é pintor de paredes e perdeu o emprego na empresa em que trabalhava, em Londrina, no Paraná, no início da pandemia.

Com a pandemia, Hector ficou meses dependendo de doações enquanto aguardava a autorização para a companheira brasileira poder ingressar na Argentina | Foto: Valentina Gindri

Nascido em Rosário, na Argentina, Hector foi para São Paulo seis anos atrás para trabalhar em uma construtora. Em seguida mudou-se para Londrina, também a trabalho, onde vivia até perder o emprego. No Paraná, conheceu a esposa, Mirielle Massa da Silva, 24 anos, que estava em situação de rua antes de morarem juntos. No final de março, ela fazia faxina em algumas casas e, assim como o marido, perdeu a fonte de renda. Para tornar a situação ainda mais difícil, Mirielle descobriu que estava grávida. Desamparados, resolveram voltar à Argentina, onde Hector tem família: mãe, irmãos e uma filha adulta. 

“Foi muito sofrido. Algumas pessoas paravam pra dar carona, a maioria não. Passamos por chuva, frio, fome. Muitas vezes tendo que dormir na estrada. E com a esposa… Eu te conto agora assim, mas foi muito sofrido”

HECTOR DANIEL RAVASOL,  argentino que aguarda entrada da companheira em seu país

Sem recursos e sem muita informação, foram até Foz do Iguaçu, divisa com a cidade argentina de Puerto Iguazu. Após diversos dias de carona para percorrer o trajeto de cerca de 500 quilômetros, chegaram na cidade para descobrir que a única fronteira aberta era a de Uruguaiana com Paso de Los Libres. Enfrentaram novamente um árduo percurso: “Foi muito sofrido, moça. Algumas pessoas paravam pra dar carona, a maioria não. Passamos por chuva, frio, fome. Muitas vezes tendo que dormir na estrada. E com a esposa… Eu te conto agora assim, mas foi muito sofrido” – seus olhos ficam cheios de lágrimas. Hector fala em espanhol, acrescentando algumas palavras em português às frases. Os fonemas finais se estendem ainda mais que o usual. Sinto que algo se esconde no ritmo cantado do acento argentino: o desespero. Depois de quase dois meses, no final de junho, chegaram em Uruguaiana. No entanto, como brasileira, Mirielle não poderia passar. Com três meses de gravidez, ela contraiu hepatite – que agora já foi tratada – e sofreu um aborto espontâneo. “Se Deus quis assim, talvez seja pra melhor”, diz. 

Ele relata ter ido inúmeras vezes ao consulado argentino em Uruguaiana para pedir ajuda. Uma das instruções recebidas foi de que se casasse oficialmente, o que poderia permitir a entrada de Mirielle na Argentina. Para isso, contaram com a ajuda de James Alex Perini, representante de vendas de uma concessionária que fica na esquina da sinaleira onde Hector costuma pedir dinheiro. “Li o cartaz, me aproximei e ele me contou sua história. Perguntei o que faltava para eles cruzarem para o outro lado, e ele me disse que um documento de casamento do cartório”, relata. Trabalhando com vendas de carro, Alex tem contato rotineiro com um cartório. Ligou, explicou a situação de Hector e disse que enviaria a taxa de 94  reais para o registro na mesma tarde. “Eles me disseram que, dada a situação, não iriam cobrar, quiseram abraçar a causa junto. Então peguei 100 reais que usaria para isso e entreguei para ele pra que comprasse shampoo, pasta de dente, sabonete, alguma comida.  Vi que ele estava com o cabelo sujo, o aspecto não muito bom.”

Assim, no dia 2 de setembro, os dois reconheceram a união estável no cartório. O pintor levou a certidão às instâncias responsáveis, aguardou alguns dias e, mesmo com a relação reconhecida, recebeu a notícia de que o pedido de entrada de Mirielle havia sido negado pela chancelaria de Buenos Aires. “Por que fizeram eu casar se não ia passar? Tudo bem que um dia ia ter que fazer [o casamento], mas não assim. Fico até com vergonha de ver o moço da loja aqui na rua, ele me ajudou com os trâmites e eu ainda estou aqui”, desabafa Hector.

Enquanto aguardam novas resoluções, batalham para pagar a comida e o aluguel de 400 reais mensais do quarto de albergue onde estão hospedados em Uruguaiana. “Eu trabalho há mais de 20 anos com pintura, sou muito qualificado, faço de tudo: óleo, textura, subo em andaime… aqui recorri a todas as construções, achei um biquinho de três dias, que não deu quase nada. Estou tendo que mendigar. É muito doloroso isso.” Quando finalmente conseguirem cruzar a ponte, será a primeira vez de Mirielle na Argentina. Por enquanto, Hector comunica-se com os familiares de Rosário por ligações feitas no consulado, já que vendeu o celular. “Minha família de lá é muito pobre, não tem como mandar ajuda. Mas pelo menos temos onde morar. Só quero voltar ao meu país com ela,” diz, como quem tenta alcançar um horizonte próximo, concreto, mas intocável.

Hector e Mirielle estão hospedados em um albergue desde a chegada em Uruguaiana. O casamento foi um requisito burocrático que cumpriram às pressas na esperança de poder viver juntos no país natal de Hector, para onde ainda não conseguiram ir | Foto: Valentina Gindri
a PONTE

Interliga pontos separados. Transpõe obstáculos. Une um ao outro.

A médica argentina Verónica Riquelme Martínez, 39 anos, viu no Brasil uma oportunidade de ter mais tempo com a família. Especializada em clínica médica, Verónica conta que na Argentina, para conseguir um bom salário na sua especialidade, precisava fazer muitos plantões: “No final da residência, eu já tinha um filho e uma bebê de meses. Fazia quatro plantões por semana e estava perdendo a infância deles”. Buscando compatibilizar melhor a profissão e a família e inspirando-se na experiência de uma colega, ingressou, em 2014, no Programa Mais Médicos. “Ela contou que as coisas prometidas eram certas: quanto aos horários, a qualidade do acolhimento, a relevância do trabalho, disse que tudo era bom. O desafio era simplesmente aprender algo novo e conseguir uma melhor qualidade de vida.”

 Verónica foi alocada em Uruguaiana, assim a família pôde seguir morando na Argentina, mudando-se de São Salvador de Jujuy, no extremo norte do país, para Libres. “Antes eu quase nem via minha bebê. Quando viemos para cá, nossa vida mudou radicalmente, nunca mais precisei dormir fora de casa.” Com a pandemia bloqueando o fluxo entre as cidades, Verónica viu-se novamente diante do dilema entre família e trabalho. “Achei isso uma paradoja. Como se diz em português?”, pergunta. “Paradoxo, com x”, respondo. “Bem, achei um paradoxo. Eu vim pro Brasil buscando estar perto da minha família, e o contrato permitiu isso, mas veio essa situação atípica e fiquei impedida de vê-los.” 

Verónica celebrando à distância o aniversário de 7 anos da filha, Catalina | Fotos: Arquivo Pessoal
Ainda em abril, Verónica desabafa numa rede social: “Contando os dias sem saber quantos faltam”. Na imagem, o pai abraça o filho mais novo. A  família só voltaria a se reencontrar no final de agosto| Foto: Arquivo Pessoal

A família, composta pelo marido, produtor de eventos e fotógrafo, o filho mais velho, de 14 anos, a filha, de 7, e o filho mais novo, de 4 anos, fazia quarentena obrigatória em Libres por ter retornado das férias no litoral catarinense quando o trânsito de pessoas na fronteira foi proibido. O período da médica com o Mais Médicos havia terminado, e ela se preparava para assumir um novo contrato junto à Secretaria de Saúde de Uruguaiana. “Foram duas semanas bem estressantes. O que nos incomodava não era tanto a pandemia em si, mas o que íamos fazer de nossa família. Eu estava no debate interno, mais uma vez, sobre vocação e família… e, no dia a dia, a gente escutava as notícias, via que as medidas em Uruguaiana começavam a se desenvolver, o centro de triagem era montado. Ficava angustiada de saber que precisavam de mim do outro lado.” Num primeiro momento, o isolamento de Verónica em Libres era compulsório, mas, quando as duas semanas terminassem, teria de decidir: “Aí meu marido me disse: vai. Fica tranquila, as crianças vão ficar bem, vou me ocupar de tudo. Se tu ficar aqui sabendo que lá tem pessoas te necessitando, tu não vai estar bem. Assim foi, juntei minhas coisas pensando que estaria longe no máximo dois meses.”

“O que nos incomodava não era tanto a pandemia em si, mas o que íamos fazer de nossa família. Eu estava no debate interno, mais uma vez, sobre vocação e família”

VERÓNICA RIQUELME MARTÍNEZ, médica argentina que trabalha no Brasil

Verónica cruzou a fronteira em 31 de março e não retornou mais para Argentina. O longo período distante e a incerteza quanto ao futuro da pandemia fizeram a família tomar uma nova decisão: mudar a residência para o Brasil. “Resolvemos fazer a maior, a grande mudança de nossas vidas. Saí da casa da amiga que estava me acolhendo e aluguei um apartamento.” A burocracia exigiu paciência, porém, conseguiram reivindicar o direito de reunificação familiar e, em 28 de agosto, a família pôde viver junta novamente. 

A médica Verónica atende pacientes na zona rural por meio do serviço itinerante de saúde do município de Uruguaiana | Foto: Arquivo pessoal

Nos cinco meses em que ficaram distantes, Verónica fez vídeo chamadas todos os dias, e a tecnologia foi a ponte para muita troca de afeto, conexão e diálogo. “Ligava do trabalho, mostrava o que estava fazendo, queria que soubessem por que a família fazia aquele sacrifício. No centro de triagem, mostrava os equipamentos de proteção, explicava sobre a Covid-19.” Da Argentina, Verónica sente muita falta dos pais e irmãos. Apesar de o casal já morar longe dos familiares, a pandemia revestiu a distância de novos significados: “No ano passado, nessa época, estaríamos longe, mas sabendo que faltava pouco para o Natal, quando nos reencontramos. Estaríamos longe, mas bem. Este ano é diferente, sofremos mais. Não temos opção. Poderíamos cruzar até a pé a ponte, mesmo assim estamos impedidos.” Além disso, a médica sente saudades dos amigos. Acompanha os colegas de profissão por telefone e aponta que na sua região, Jujuy, a situação da pandemia está bastante crítica. “Eu sinto falta de estar lá, junto deles, dando luta. Um dos meus amigos ficou viúvo três dias atrás, um grande professor meu está grave na UTI. Aquela é a parte mais afetada do país, o sistema sanitário beirou o colapso. É muito duro a gente estar aqui, pensando nos que estão lá.” 

Verónica trabalha com uma equipe no centro de triagem de Uruguaiana | Foto: Arquivo pessoal
O RIO

Flui. Adapta-se às escarpas do caminho. Segue a correnteza. 

Enara Pilar da Silva, 49 anos, tem uma banca de brinquedos na Baixada, um calçadão comercial de Uruguaiana. Conheceu o marido argentino, Andres Hartvig, quando ele fazia turismo no Brasil, e estão juntos há 29 anos. Andres trabalha em Buenos Aires e, durante toda a vida juntos, o casal alternou-se entre as duas cidades: ela passava uma semana lá, ele passava uma semana em Uruguaiana. “Em todos esses anos, ficamos no máximo 20 dias sem um ir ver o outro,” conta Enara. Agora, o casal, que tem dois filhos, está há oito meses sem encontrar-se. “Falamos todos os dias pelo Whats, a qualquer hora. Ele chora, eu choro. Às vezes parece até pior se falar, sabe.” Um dos momentos mais desafiadores do distanciamento foi quando, ainda em março, a filha mais nova do casal, de 16 anos, teve uma pneumonia e ficou 20 dias na UTI, tendo que passar por duas cirurgias. Os filhos moram com a mãe, e o pai não pôde estar presente para apoiar a família. 

“Em todos esses anos, ficamos no máximo 20 dias sem um ir ver o outro”

ENARA PILAR, brasileira casada com um argentino.

Enara relata que, de acordo com as regras vigentes na capital argentina, o marido tampouco pode deslocar-se a outro município dentro do país. “Se abrissem as fronteiras internas, ele poderia vir ao menos até Libres. Aqui a gente se virava, nem que fosse nadando daria pra estar junto.” 

Enara tem uma banca de brinquedos perto do acesso à Ponte Internacional, a qual a comerciante costumava atravessar regularmente para ir ao encontro do marido | Foto: Valentina Gindri

Andres trabalha com prestação de serviços para empresas: pagamento de contas, entregas e compras. Na pandemia, a demanda por seu trabalho até aumentou, enquanto que, no Brasil, Enara teve que ficar alguns períodos com sua banca fechada. “A sorte é que eu tinha um cartão de crédito dele aqui para poder usar e consegui auxílio emergencial, assim supermercado e comida não faltou.” Frustrada com o constante adiamento da abertura das fronteiras, a vendedora tem a expectativa de reencontrar o marido depois de dezembro: “Pelo que ele conta, lá recém está crescendo a disseminação do vírus. Também acho que as pessoas estão mais preocupadas, noiadas demais.” Quanto à relação, Enara acredita que podem ficar mais próximos. “São tantos anos, não vamos desanimar. Tem que seguir em frente como dá, ir se adaptando. Vai ser muito bom matar a saudade. Acho que vai ser diferente depois, vamos valorizar mais a companhia do outro.” Ao entrar uma segunda vez no mesmo rio, encontra-se outras águas.

Na pandemia de coronavírus, as fronteiras da vida parecem ter ficado mais estreitas, rígidas e até sufocantes. Muitas vezes o limite é a soleira da porta, a linha pintada no chão, o vidro da janela. Algumas fronteiras sólidas, palpáveis, e outras nem tanto. “Como acha que está do outro lado?”, pergunto a Luiza. “Acho que deve estar bem complicado, Libres já é uma cidade um tanto pobre, e a Argentina já vinha numa situação delicada. Sei que lá a quarentena foi muito mais rígida, com regras restritas. Vi vídeos de pessoas protestando, gritando na rua. Ouvi dizer que em Libres quase não tinha respirador, então eles precisavam cuidar muito para não entrar ninguém infectado na cidade. Ouvi falar também que colocavam policiais de guarda na frente das casas de quem havia testado positivo.”

Da janela de Luiza,  vemos a linha do horizonte, o rio e a ponte. “Que sentimentos a paisagem da janela te evoca?”, pergunto. “É muito bom ter o rio”, diz Luiza. “Deitada no meu quarto, com a janela aberta, enxergo a água e parece que estou num navio. É muita paz. A vista e o espaço externo me fizeram não enlouquecer com o isolamento. Vejo o verde, a natureza, flores. Sinto tranquilidade. E também uma sensação até de…liberdade, sabe?”

Iluminados pelo pôr-do-sol alaranjado: a ponte, o rio, o horizonte | Foto: Luiza Ceolin / Arquivo Pessoal
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