O labirinto, a enciclopédia e o fantástico: sobre o processo de criação em net art
From Luísa Onofre da Silveira.
A presente monografia é parte concomitante do trabalho e apresenta a pesquisa em arte “O labirinto, a enciclopédia e o fantástico: sobre o processo de criação em net art”, explorando linguagens como internet art e hipermídia. Esta pesquisa também discorre sobre o uso fantástico, sobre o texto e sobre o labirinto hipermídia. A obra artística a que este estudo integra, disponibilizada na plataforma Verter, consiste de um labirinto de verbetes reunidos em uma enciclopédia fantástica, denominada Mazepédia.
Considerações finais
O presente trabalho desenvolveu-se a partir de reflexões a partir do processo de navegar e do labirinto, assim como de diálogos com o fantástico e suas conexões com hipermídia e net art. Ao longo desta pesquisa, atingi, dentro de sua “pretensão insignificante”, o meu objetivo de criar um diálogo entre aquilo que é fantástico e aquilo que é real – e de apresentar a ironia de que, às vezes, a realidade é surpreendentemente mais fantástica que qualquer ficção.
.
Certamente, durante o que apenas posso chamar de um árduo processo, me tornei uma produtora de uma série de descaminhos, e compreendi, em primeira mão, o esforço necessário para organizar e incorporar um apanhado de conhecimentos (especialmente devido ao seu restrito tempo de produção). Muitas vezes, me perdia em meio a configuração de suas páginas (suas contáveis e confusas encruzilhadas), e tinha de enrolar meu fio de Ariadne para voltar ao início e para ordenar suas rotas. Desejo, quando possível, dar sequência e continuar este projeto, visto que sua fome de conhecimentos não foi saciada e que o trabalho de uma enciclopédia online nunca – realmente – termina.
.
Por fim, pondero novamente sobre a disponibilidade deste trabalho (e de tantos outros) e sobre como tudo pode desaparecer em um simples click. Somos todos dependentes da instável estabilidade da Internet, onde nada realmente se perde e onde tudo pode desaparecer com um gesto inocente. Reflito sobre a crença de que certos arquivos podem ser imutáveis, por se encontrarem fechados, enquanto os mesmos são disponibilizados on-line. Configura-se um ciclo: para sua existência e permanência, deve estar lá; entretanto, sua existência e permanência estarão sempre sob constante ameaça de alteração e de perda.
