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Angèle Etoundi Essamba (1962)

Nascida em em Douala, Camarões,  viveu os primeiros anos na capital, Yaoundé. Mudou-se para Paris aos dez anos e posteriormente estudou na Escola Profissional Holandesa de Fotografia em Haia e depois em Amsterdam. Também fez parte do Lyceum em Paris, onde estudou filosofia, dança e fotografia.  

Atualmente trabalha na Holanda. Desde a sua primeira exposição na Gallerie Art Collective, em Amsterdam (1985), sua obra passou a ser apresentada em museus, feiras, bienais e galerias na África, Europa e nos Estados Unidos. A série de fotografias de 1995, White line (Linha branca), foi agraciada com o Prix Spécial Afrique no Festival des Trois Continents, Nantes, em 1996.

Sua arte é altamente influenciada por sua ascendência africana, bem como pelos processos de interação cultural decorrentes da diversidade de contatos históricos, culturais e ambientais. Seu principal interesse é pela fotografia em preto e branco, por onde busca captar imagens de mulheres negras. Seu trabalho explora o misticismo e o erotismo, com a representação de corpos fortes e sensuais.

Angèle Etoundi participou em importantes bienais internacionais de arte contemporânea, como a Bienal de Havana (1994), Bienal de Veneza (1994), Dak’ART no Senegal (2002), Bienal fotográfica de Bamako no Mali (2001), Bienal de Dak’ART 2008.

BIBLIOGRAFIA

COLY, Ayo. A Pedagogy of the black female body: viewing Angèle Essamba’s black female nudes. Third Text, v. 24, n. 6, 2010.

Berni Searle (1964)

Nascida na cidade do Cabo, África do Sul, filha de Bernard e Grace Searle, pertence a uma família de pessoas mestiças, originárias das Ilhas Maurício, Arábia Saudita, Inglaterra e Alemanha, o que a classificava como “pessoa de cor” (colored) durante a legislação do Apartheid.  Estudou artes e tecnologias na Peninsula Technikon, Michaele School of Fine Arts e na University of Cape Town, onde obteve o bacharelado em 1987 e diploma na área de educação em 1988. Nos anos seguintes se especializou em escultura, com mestrado em Belas Artes pela University of Cape Town, e passou a viver com os recursos obtidos de sua atividade artística.

Berni Searle trabalha com fotografia, vídeo e filme e é professora na Michaelis School of Fine Art, da university of Cape Town. Trabalha com estruturas abstratas e volumosas em cimento, aço, arame, bronze e vidro, com fotografia digital, e é conhecida por utilizar o próprio corpo em suas peças para destacar a agência corporal, bem como construir e desconstruir identidades em torno de raça e gênero. 

 Na série de criações Color Me (Minha cor), realizadas de 1998 a 2000, ela descreve e adorna o próprio corpo com diferentes especiarias coloridas, criando impressões em tamanho real. As especiarias fazem alusão às classificações raciais impostas pelo Apartheid, e também são uma referência à escravidão no passado da África do Sul. Muitos trabalhos da série Color Me também apresentam ferramentas de medição para indicar o olhar colonial e pseudocientífico sobre corpos negros.  Seu trabalho lida com a História da África do Sul, com a consciência da cor da pele e o consumo do corpo das mulheres como mercadoria, e o poder deste mesmo corpo em que residem tantos mitos, desejos e projeções.

Sua obra tem sido exposta em mostras internacionais na África, Europa e América, como na Bienal de Veneza (2001, 2005), no Victoria and Albert Musem, Londres (2011), National Museum of Arts, Nova Iorque (2010), tendo recebido diversas premiações.

BIBLIOGRAFIA

ARNOLD, Marion. “Berni Searle”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 5, p. 309-310.

COOMBES, Annie. History after Apartheid: visual culture and public memory in a democratic South Africa. Durham: Duke   University Press, 2003.

SCHMAHMANN, Brenda.  Through the looking glass. Johannesburg: David Krut, 2004.

Constance Stuart-Larrabee (1914-2000)

Nasceu como Constance Stuart na Cornualha, Inglaterra, e foi levada pela família para a Cidade do Cabo, na África do Sul, país em que viveu durante décadas. Estudou na escola primária em pretória, na Arcadia School, e frequentou a escola secundária na High School for Girls. Seu interesse por fotografia teve início aos dez anos de idade, quando ganhou de presente de aniversário uma máquina Kodak Box Brownie.

Teve a oportunidade de, na Inglaterra, estudar na Escola Politécnica de Fotografia Regent Sreet, passando a atuar em estúdios, e continuou os estudos em Munique, onde passou a trabalhar com a câmara fotográfica Rolleiflex, que ela usou em toda a sua carreira. De retorno à África do Sul, fundou em 1936 o Constance Stuart Portrait Studio em Pretória. Ela se tornou uma renomada retratista e fotografou muitos dos principais estadistas, generais, artistas, escritores, sociedade e personalidades teatrais da época. Em 1946, ela abriu um segundo estúdio em Johanesburgo.

No período de 1937-1949, desenvolveu o seu interesse pelo registro fotográfico de grupos étnicos desaparecidos da África do Sul, qualificados como “grupos tribais”, como os Ndebeles, Lobedu, Zulu, Suazi, Sothos, Tranksei, Khoi e outros, em seus trajes e costumes tradicionais, e as obras foram exibidas em Pretória, Johanesburgo e Cidade do Cabo.

Em 1945 serviu no Egito, Itália, França e Inglaterra, ligada ao 7º Exército Americano e à 6ª Divisão Sul-Africana. Embora ela tenha sido contratada para fotografar as tropas sul-africanas no exército, foi muito além de sua missão: fotografou as tropas americanas, francesas, britânicas e canadenses, bem como seus compatriotas sul-africanos. Ela também fotografou os civis que os soldados encontraram no caminho para a Alemanha e as aldeias, vilas e cidades devastadas em seu caminho.

Quando, em 1948, o Partido Nacional instituiu a política de segregação racial estrita ela abandonou o país, passando a morar nos Estados Unidos, onde passou a viver com o marido, Sterling Larrabee, onde permaneceu até o fim da vida.  

BIBLIOGRAFIA

CONSTANCE, Larrabee. Constance Stuart Larrabee: Time Exposure. New Haven: Yale Center for British Art, 1995.

ELLIOTT, Peter. Constance: One road to take: the life and photography of Constance Stuart Larrabee (1914-2000). Cantaloup Press, 2000.  

NEWBURY, Darren. “Constance Stuart-Larrabee”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 5, p. 463-464.

Montikelelo Veleko (1977)

Nascida na pequena cidade de Bodibe, na África do Sul. Cresceu na Cidade do Cabo, onde estudou o ensino fundamental e médio na Luhlaza High School.  A seguir fez um curso de design gráfico na Cape Technicon (1995), e em Johanesburgo obteve formação em fotografia no Market Theatre Photo Workshop (1999-2004).

Em 2003 Nontsikelelo documentou as inscrições parietais em grafite de Johanesburgo e Cidade do Cabo, na série intitulada “Os que estão no topo não vão parar”.  Este amplo registro fotográfico resume a atmosfera social e política de importantes áreas urbanas na África do Sul pós-Apharteid.  Três anos mais tarde, em 2006, suas fotografias fizeram parte da exposição coletiva Snap Judgments: New Positions in Contemporary African Photography (Julgamentos rápidos: novas posições na fotografia africana contemporânea), no International Center of Photography (Centro Internacional de Fotografia).

Seu trabalho propõe uma reflexão sobre a auto-representação, com registros da rua e do cotidiano, de modo a explorar as estratégias que as pessoas em meio urbano usam para se apresentar e construir sua identidade. O trabalho revela um compromisso político contra a discriminação e a falta de representação de certas comunidades negras, especialmente as dos jovens de bairros periféricos.

BIBLIOGRAFIA

PERRYER, Sophie. 10 years 100 artists: art in a democratic South Africa. Bell-Roberts Publishing, 2004.

Nkanga Otobong (1974)

Nascida em Kano, região de área cultural islâmica da Nigéria, iniciou os seus estudos de arte na Universidade Obafemi Awolowo e os concluiu na École Nationale Supérieure des Beaux-Arts, em Paris.

Como artista visual, Nkanga trabalha com desenho e escultura, e sobretudo com fotografia. Seus trabalhos exploram as mudanças sociais e topográficas dos ambientes, empregando os recursos naturais como valores potenciais da criação artístico-cultural. Assim, ela usa a fotografia, a performance, a instalação e o desenho para questionar a maneira pela qual construímos nossa identidade.

As obras de Nkanga Otobong participam desde 2002 de inúmeras exposições nos Estados Unidos, Japão, Alemanha, África do Sul, México, Espanha, Canadá e Holanda, entre outros países, sendo mostradas em várias bienais e exposições internacionais, entre elas a 20ª Bienal de Sidney (Austrália) (2016)e na 58ª Bienal de Veneza (Itália) (2019).

Ela vive e trabalha em Antuérpia, na Bélgica. 

BIBLIOGRAFIA

CLARCK, Chris. Otobong Nkanga: the breath from fertile grounds. Art Montly, Londres, n. 413, p. 435, 2018.

SZEWCZK, Monika.  Exchange and some change: the imaginative economies of Otobong Nkanga, Afterall: a Journal of Art, Context and Enquiry, n. 37,  p. 38-51, 2014; https://doi.org/10.1086/679375

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