Tag: Hauçás

Amina Lawal (1972)

Seu nome completo é Amina Lawal Kurami. Nascida no estado de Katsina, na área cultural hauçá, norte da Nigéria,foi condenada à morte por apedrejamento no ano de 2002 sob acusação de ter cometido adultério.  A sentença foi determinada por um tribunal islâmico em Funtua, com base na xaria, a lei muçulmana, ali implantada em 2000.

Após o segundo casamento, Lawal teve um relacionamento com Yahaya Muhammad, que prometera formalizar o casamento com ela, que ficou grávida. Aprisionada por populares, foi levada perante um tribunal da xaria, sem acompanhamento jurídico. O pai da criança não foi processado, por falta de provas, sem que fosse realizado um exame de paternidade.

Uma Organização Não Governamental de direitos humanos, a Baobab for Women’s Human Rights (Baobá para os Direitos Humanos das Mulheres) indicou para a defesa de Amina a proeminente advogada Hauwa Ibrahim, conhecida por seu trabalho voluntário em casos de condenação pela xaria. Esta contestou a acusação com base no fato de o bebê ter sido concebido antes da lei muçulmana ter entrado em vigorem Katsina.

Amina foi absolvida em fevereiro de 2004, a condenação foi anulada, e ela voltou a se casar. O caso mobilizou a opinião pública internacional. Foi a segunda condenação à morte por imolação pública sob acusação de adultério na área hauçá. A primeira condenada foi Safiya Hussein.

BIBLIOGRAFIA

BUNTING, Annie. “Authentic Sharia” as Cause and Cure for women’s human rights violations in northern Nigeria.  Hawwa, v. 9, n. 1-2,  p. 152-170, 2011.

MIKEL, Gwendolyn. Working from within: nigerian women and conflict resolution. Georgetown Journal of International Affairs, v. 6, n. 2, p.87-94, 2005.

TOMETTI, Opal. “Amina Lawal”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 3, p. 473-474.

Women’s access to justice and personal security in Nigeria: a  syntesis report. Lagos: Baobab for Women’s  Human Rights, s.d.: http://www.gsdrc.org/docs/open/ssaj33.pdf

Balaraba Ramat Yakubu (1958)

Nascida em Kano, ao Norte da Nigéria, recebeu formação escolar islâmica e ocidental até a adolescência, quando foi forçada pela família a se casar. Teve dois casamentos forçados, de um total de quatro, dos quais ela logo se divorciou. Por causa disso, ao longo de toda a sua carreira estimulou as mulheres hauçás a buscar sua independência e oportunidades de sobrevivência. No início do século XXI fundou a empresa de publicidade Ramata General Enterprises, onde publica suas obras e exerce o cargo de administradora.

Ao longo da vida, Yakubu se destacou como romancista, roteirista e figura icônica da literatura popular hauçá, muito conhecida em cidades como Kano, Katsina, Zariya, Kaduna e Sokoto. Suas obras enquadram-se no gênero da literatura popular identificado como littattafan soyayya (literatura amorosa), muito apreciado, mas criticado pelas autoridades religiosas tradicionais. Ela explora no enredo de suas obras dramas amorosos e familiares, e no subtexto reside uma crítica aos privilégios patriarcais e aos condicionantes da opressão sobre as mulheres pela poligamia, casamentos arranjados ou forçados, a mutilação genital (pardah), e a falta de oportunidade de ensino.

Entre os seus livros mais apreciados estão Budurwa Zuciya (Coração virgem), Alhaki Kuykuyo Ne (A inevitável retribuição) e Wane kare ne ba bare ba (uma vez um cão, sempre um cão), que trata da coabitação entre co-esposas reiteradamente violadas em seus direitos e conjuntamente oprimidas. Em Wa azai auri jahila (Quem quer casar com uma mulher ignorante?), o tema principal é a educação como meio de libertação feminina. O romance acompanha o processo de libertação de Zainabu, uma jovem adolescente que abandona a família do marido para viver em Kano, onde trabalha durante o dia e estuda no período noturno, obtendo com o tempo estabilidade emocional, psicológica e financeira.  Por suas ideias, a autora é reiteradamente condenada pelas autoridades muçulmanas nigerianas, embora ela não conteste a religião, e sim as tradições culturais quando servem de meio de opressão e de privação dos direitos femininos.

BIBLIOGRAFIA

LARKIN, Brian. Indian films and nigerian lovers: media and the creation of parallel modernities. Africa, n. 67, p. 406-439, 1997.

WHITSITT, Novian. “Balaraba Ramat Yakubu”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 6, p. 196-197.

WHITSITT, Novian. Islamic-hausa feminism in Kano Market litterature; Qu’ranic reinterpretation in the novels  of Balaraba Ramat Yakubu. Research in African Litterature, n. 33, p. 119-136, 2002.

Bilkisu Funtuwa (1962)

Romancista nigeriana, nasceu na cidade de Funtuwa, no norte do país, onde atualmente reside em uma família poligâmica na qual ocupa a posição de esposa-sênior. Ela recebeu uma educação islâmica durante a adolescência.

Os romances de Funtuwa são parte de um corpo de literatura popular conhecido pelos falantes de hauçá como littatafan soyayya (livros de amor). A popularidade de suas obras, vendidas na cidade de Kano, gerou controvérsia no ambiente muçulmano conservador da sociedade hauça a que ela pertence.  Os enredos dos romances retratam as provações de namorados, amantes e casais conjugais, mas alguns deles não deixam de explorar temas sociais culturalmente controversos, como a poligamia, casamentos forçados e o purdah – a prática islâmica de reclusão feminina – e a afirmação feminina pela educação.

Ao contrário de outras produções similares, Funtuwa assume uma posição conservadora. Não se volta contra os casamentos forçados e considera que as mulheres sejam responsáveis ​​por sua própria miséria emocional quando cedem a sentimentos de frustração e ciúmes.  Suas personagens alcançam a libertação e assumem carreiras como advogadas, administradoras do governo e médicas, ao mesmo tempo em que levam vidas encantadoras como esposas de homens de negócios ricos.

Todos os seus romances lidam de perto com a kissa, que é a capacidade de despertar e excitar o interesse dos maridos. Na opinião de Funtuwa, a exibição de kunya (timidez) funciona contra o sucesso dos casamentos, pois  os maridos acabam voltando-se para relacionamentos extra-conjugais em busca de companheirismo e conversação. Nos dois volumes do romance Ki yarda da ni (Acredite em mim) (1997), a protagonista, Aisha, mostra-se resignada e abnegada na relação conjugal como primeira-esposa de Ismail, e sua aceitação da co-esposa garantem a harmonia da família poligâmica. Em certa ocasião chega mesmo a evitar que a outra seja repudiada pelo marido.

Talvez o componente mais agressivamente feminista da escrita de Funtuwa seja seu apoio inabalável à educação feminina. Em seus livros as mulheres sempre obtém a excelência acadêmica. No romance intitulado Wa ya san gobe (Quem sabe o que o amanhã trará (1997) a protagonista, Fati, obtém diversos diplomas universitários e coroa a ascensão profissional com a promoção ao cargo de assistente no Ministério da Educação.

Sob o guarda-chuva do feminismo islâmico hauçá, Bilkisu Funtuwa representa uma perspectiva conservadora. No entanto, continua a ser indiscutível que ela defende os direitos das mulheres através da valorização da educação feminina. Suas lições sobre como lidar com a confusão emocional decorrente da poligamia e dos casamentos forçados ajudaram inúmeros leitores(as) a melhorar a qualidade de suas vidas.

BIBLIOGRAFIA

WHITSITT, Novian. Islamic-hausa feminism  and a Kano market literature: Qur’anic reinterpretation in the novels of Balaraba Ramat Yakubu. Research in African Literatures, v. 33, n. 2, p. 119-136, 2002.

WHITSITT, Novian.  Kano market literature and the construction of hausa-islamic  feminism: a contrast in feminism perspectives of de Balaraba Ramat Yakubu e Bilkisu Ahmed Funtuwa. Thesis, Universidade de Wisconsin, 2000.

WHITSITT, Novian. “Bilkusu Funtuwa”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 2, p. 401-403.

Gambo Sawaba (1933-2001)

Nascida no seio de uma família multiétnica em Zaria, no norte da Nigéria, o que a tornou fluente nas línguas hauça, yoruba, igbo  e nupe. Seu pai era muçulmano de origem ganense e sua mãe era de origem nupe, de uma cidade na fronteira com a República do Níger. Ela foi a nona de dez filhos(as), frequentou a escola primária e logo foi casada com Abubakar Garba Bello, o primeiro de seus quatro maridos, um membro da família Bida que era então um soldado da Fronteira da África Ocidental.

No início da década de 1950 Sawaba desenvolveu laços com um grupo de jovens radicais que fundaram a União Progressista do Elemento Norte. (NEPU), que reivindicava autonomia e independência para o povo hauçá. Logo ela percebeu a sub-representação das mulheres e começou a realizar atividades de formação, organização e propaganda em Kano visando conscientizar as mulheres.

Paralelamente, estabeleceu contato com Funmilayo Ransome Kuti, que liderava as mulheres em Abeokutá, discutindo estratégias para a inserção das mulheres na agenda do movimento nacionalista.  Por suas divergências e denúncias do tradicionalismo muçulmano e dos representantes do governo colonial, entre 1953-1960 foi presa seis vezes por reuniões ilegais e difamação de autoridades, e chegou a dar cursos de formação política dentro da prisão.

Antes e depois da independência da Nigéria (1960), Sawaba apelou persistentemente para uma maior participação das mulheres do norte do país, para que tivessem maior acesso a oportunidades de educação e emprego, e reformas no direito de família. Como outras mulheres nacionalistas, ela lamentava que os partidos políticos e governos dominados pelos homens, qualquer que fosse sua ideologia, não reconhecessem as partidárias e parceiras mulheres. Em 1976, foi eleita sem oposição a uma vaga de representação no conselho da cidade de Zaria. Em 1978, ela e outras líderes fracassaram na tentativa de lançar um partido de mulheres.

Em meio a idas e vindas de governos militares ou autoritários, sempre que um governante civil assumia o poder, seu apoio era solicitado devido a suas posições progressistas. Ela esteve envolvida com o Partido da Redenção do Povo, com o Partido Popular da Nigéria, o Partido Social-Democrata e o Partido Popular Democrático. Até sua morte, a sua principal pauta foi a igualdade de direitos e o fim da corrupção, pelo que é lembrada como uma feminista histórica e como notável liderança nacionalista.

BIBLIOGRAFIA

DENZER, Laray. “Gambo Sawaba”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 5, p. 296-297.

SHAWULU, Rima. The story of Gambo Sawaba. Jos: Echo Communication Limited, 1990.

Nana Asma’u (1793-1864)

Estudiosa muçulmana de maior destaque do califado de Sokoto, na África Ocidental. Nasceu em uma família instruída em Fulani no que hoje é o norte da Nigéria, junto com um irmão gêmeo, o shehu (líder supremo) do califado, Uthman Dan Fodio –  como indica o seu nome completo: Nana Asma’u bint Shehu Uthman Dan Fodio. O elemento “Nana”, que antecede o seu nome, equivale a “dama”, “senhora”, sendo, portanto, uma fórmula de respeito.  

Nana Asma’u foi educada pela sua mãe e pela avó, como era de costume na família. Entre os integrantes da família Fodio, os meninos e as meninas eram letrados, e escreviam em prosa e poesia sobre assuntos variados de interesse na época. Ela era ativa na comunidade de crentes e defendia os princípios e ideias compartilhados por sua família e pelo marido, que atuava como comandante nas guerras de religião (jihads). Seus conselhos eram levados em consideração, e ela acompanhava como testemunha as batalhas.

Asma’u também foi essencial na organização da comunidade após a guerra de conquista. Ela atuou como organizadora e promotora de educação entre mulheres, e também foi uma renomada estudiosa, reconhecida para além da sua região. Fluente em árabe, hauçá, tamaxeque e fulfulde – a língua dos fulas -, em seus textos a jihad africana é comparada às guerras santas dos primeiros muçulmanos da Arábia, no tempo de Maomé.

O efeito da atividade de Nana Asma’u no pós Jihad do norte da Nigéria foi uma afirmação do papel feminino enquanto educadoras e estudiosas na reforma da comunidade Islâmica. Os trabalhos de Asma’u foram publicados a partir de 200 anos do seu nascimento.

BIBLIOGRAFIA

BOYD, Jean. The Caliph’s Sister. Londres: Frank Cass, 1989.

BOYD, Jean; MACK, Beverly (Eds.). The collected works of Nana Asma’u, daughter of Usman dan Fodio, 1793-1864. East Lansing: Michigan State University Press, 1997.

MACK, Beverly; BOYD, Jean. One woman’s jihad: Nana Asma’u, scholar and scribe. Bloomington: Indiana University Press, 2000.

MACK, Beverly. “Nana Asma’u”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 1,  p. 283-284.

Nkanga Otobong (1974)

Nascida em Kano, região de área cultural islâmica da Nigéria, iniciou os seus estudos de arte na Universidade Obafemi Awolowo e os concluiu na École Nationale Supérieure des Beaux-Arts, em Paris.

Como artista visual, Nkanga trabalha com desenho e escultura, e sobretudo com fotografia. Seus trabalhos exploram as mudanças sociais e topográficas dos ambientes, empregando os recursos naturais como valores potenciais da criação artístico-cultural. Assim, ela usa a fotografia, a performance, a instalação e o desenho para questionar a maneira pela qual construímos nossa identidade.

As obras de Nkanga Otobong participam desde 2002 de inúmeras exposições nos Estados Unidos, Japão, Alemanha, África do Sul, México, Espanha, Canadá e Holanda, entre outros países, sendo mostradas em várias bienais e exposições internacionais, entre elas a 20ª Bienal de Sidney (Austrália) (2016)e na 58ª Bienal de Veneza (Itália) (2019).

Ela vive e trabalha em Antuérpia, na Bélgica. 

BIBLIOGRAFIA

CLARCK, Chris. Otobong Nkanga: the breath from fertile grounds. Art Montly, Londres, n. 413, p. 435, 2018.

SZEWCZK, Monika.  Exchange and some change: the imaginative economies of Otobong Nkanga, Afterall: a Journal of Art, Context and Enquiry, n. 37,  p. 38-51, 2014; https://doi.org/10.1086/679375

Zaynab Amina Alkali (1950)

Escritora nigeriana e educadora. Nasceu na comunidade de Tura-Wazila do Estado de Bornu, Completou sua graduação na Universidade Bayero, em Kano, onde fez doutorado em literatura africana. Pertencente a uma família convertida ao cristianismo, ela própria adotou o islã durante a década de 1960. Em 1971, casou-se com Dr. Mohammed Nur Alkali, diretor-geral do Instituto Nigeriano de Política e Estudos Estratégicos, em Jos, Nigéria, com quem teve seis filhos.

Profissionalmente, foi diretora do Internato para meninas Shekara, em Kano, e trabalhou como professora assistente na Universidade Bayero, como professora sênior de Inglês e coordenadora de Inglês e estudos gerais nos estabelecimentos de Modibbo Adama College e Universidade de Maiduguri. Em 2009, assumiu a reitoria da Faculdade de Artes em Nasarawa State University, onde antes lecionara Escrita Criativa e Literatura Africana em Inglês.

Em suas obras, Zaynab discute o impacto das transformações sociais sobre as áreas urbanas do Norte da Nigéria, com destaque para a situação das mulheres, questões de gênero, identidade religiosa e os desafios da modernização. Seu primeiro romance, intitulado em inglês The stillborn (O natimorto) (1984), ganhou pela Associação Nigeriana de Autores – ANA, trata dos desafios enfrentados por pela jovem esposa Li, ao tentar negociar suas aspirações pessoais e independência com as pressões da tradição e da família, num cenário de transição entre a vida comunitária rural e o meio urbano, e a alternativa do ensino e formação pessoal como meio de afirmação social feminina sem que isso represente uma ruptura com as convenções sociais e religiosas. Considerada conservadora para alguns críticos, a obra procura equilibrar diversas instâncias numa perspectiva de reconciliação das mulheres com a tradição em um contexto moderno.

A alternativa educacional para a afirmação feminina reaparece em várias estórias criadas por Zaynab Alkali, tema desenvolvido no romance The virtuous woman (A mulher virtuosa), que explora a trajetória de duas jovens muçulmanas ao ganharem bolsas de estudo em um internato, e como a obtenção da formação educacional não precisa necessariamente afetar a modéstia e as virtudes morais pessoais. Também em Cobwebs (Teias de aranha), a personagem principal, Mama, tem a visão de mundo alterada ao ingressar na Universidade de Azir, e o quanto tal mudança afeta a sua relação com os seus filhos pequenos.   Quanto ao romance The vagabond (A indigente), o problema diz respeito à proibição do acesso ao ensino por uma mãe à filha, a quem obriga a um casamento. Após a perda do filho durante o parto a adolescente Bibi contrai uma fístula vesico vaginal e outras doenças que, associadas ao trauma da perda, a transformam em uma indigente de rua. 

Em todas as suas obras, uma questão central diz respeito aos efeitos da poligamia na subjetividade feminina, e as consequências sociais dos privilégios patriarcais reservados aos homens, bem como a educação como alternativa de afirmação social feminina. Nelas, a autora problematiza a posição convencional esperada das mulheres, mostrando alternativas para que ganhem autoconfiança pessoal sem entrar em choque com sua devoção religiosa.

BIBLIOGRAFIA

GARBA, Ismail Bala. Of real freedom and gender equality. Jenda: a Journal of Culture and African Women Studies, v. 8, 2006.

LOFLIN, Christine. “Zaynab Alkali”. In: PAREK, Pushpa Naidu; JAGNE, Siga Fatima (Eds.).  Postcolonial african writers: a bio-bibliographical  sourcebook. Londres; Chicago: Fitzroy Dearborn, 1998.

WHITSITT, Novian.  “Zainab Amina Alkali”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 1, p. 178-179.

Theme: Overlay by Kaira.