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Iman Abdulmajid (1955)

Filha de um diplomata somali, Iman estudou em Mogadíscio (Somália) e no Cairo (Egito), e cursou ciências políticas na Universidade de Nairobi, no Quênia, onde em 1975 chamou a atenção de Peter Beard, um famoso fotógrafo de moda que a incentivou a se mudar para Nova York.

Em 1979, Iman apareceu na conhecida revista de moda Vogue,  e a Revlon a contratou para representar a empresa em uma campanha publicitária. Na década de 1980, ela se tornou um dos primeiros modelos afro-americanos a alcançar o status de top-model e atriz. Na década de 1990 fundou sua própria empresa de cosméticos, chamada Iman, que produzia artigos exclusivamente dirigidos para mulheres de pele mais escura, não apenas afro-americanas, mas também hispânicas, asiáticas e indígenas.

Em 1992, durante a fome que devastou a Somália, Iman procurou apoio junto à British Broadcasting Corporation (BBC) para fazer um documentário em sua terra natal. Desde então, tem se envolvido muito em atividades humanitárias, como a Action Française Contre le Faim (Ação Francesa Contra a Contra a Fome) e o British Break the Cycle (Quebre o ciclo)  contra a violência doméstica. Em 1997, recebeu um benefício para o American Child’s Defense Found (Fundo Americano de Defesa das Crianças). Iman apoia o Batoto Yeku Kiswahili (Para Nossas Crianças), um grupo sem fins lucrativos do Harlem que usa a dança, música e histórias africanas para ensinar as crianças afro-americanas sobre sua herança.

Iman foi casada com a estrela do rock David Bowie e sua filha, Alexandria Zahra Jones, nasceu em 15 de agosto de 2000. Ela também tem uma filha adulta, Zulekha, de seu casamento anterior com o jogador de basquete Spencer Heywood.

BIBLIOGRAFIA

JENNING, Helen. New African Fashion. Munich; London; New York: Prestel, 2011.

Kesso Barry (1948)

Princesa de origem fula. É filha de El Hadji Ibrahima Sory Barry, de Dara (1884? – 1978), que foi o último almami (monarca) dos Fulas da região de Futa Djalon, e de sua terceira esposa, Diello. Nasceu na comunidade de Mamou, na atual República da Guiné-Conacri. Etimologicamente, seu nome próprio, Kesso, significa “virgem” na língua Fula.

Ela teve uma infância feliz enquanto morou com a família paterna, até os seis anos de idade, mas passou a ter problemas quando se mudou para Sogotoro para morar com sua tia, que era muito autoritária. Por ser impulsiva e obstinada, aquela tentou discipliná-la sem sucesso e depois de quatro anos Kesso retornou a Mamou quando passou a ter a reputação de “princesa revolucionária”. Passou a realizar tarefas tipicamente masculinas como caçar, coletar impostos e frequentar cinema. Por iniciativa própria, frequentou a escola primária em Mamou e com muita persistência terminou o ensino secundário na capital, Conakry, e depois em Dakar no Senegal.

 A mudança também foi uma forma dela se distanciar da sociedade patriarcal e conservadora de Mamou, na qual ela foi obrigada a se submeter ao ritual de clitoridectomia, a mutilação genital, quando tinha doze anos, exigência para se casar e adentrar em um relacionamento poligâmico – como era o costume.  Morou com a família da quarta esposa do pai, que também era muito rigorosa e conservadora. Algum tempo depois mudou-se para casa de amigos da família, o casal francês Saint-Grémois, com quem a jovem princesa teve liberdade e acesso ao cenário cultural da vida moderna, além de participação em negócios no país.

Aos quinze anos Kesso se casou com Baïlo, um empresário de trinta anos originário de Mamou, após uma tensa negociação familiar uma vez que ele não pertencia a uma família de origem nobre, embora fosse bem sucedido economicamente. Com ele Kesso teve uma filha e um filho: Bintou e Ousmane, mas algum tempo depois pediu divórcio, mudando-se para a casa de um irmão dela. 

Para sustentar os filhos, trabalhou como secretária numa mina de bauxita onde conheceu o segundo marido – o industrial Gérard Decoster.  Embora a família muçulmana tenha ficado desapontada com este casamento com um homem francês branco e católico, ela assumiu o relacionamento e em 1966 foi morar com ele e os filhos em 1966, seguindo uma carreira de sucesso no mundo da moda.

Em 1988 escreveu sua autobiografia, Kesso, princesse peuhle (Kesso, princesa fula). No livro, mostra otimismo em relação às situações que enfrentou, mas o final deixa notar a situação ambígua de pertencer a duas culturas e revela-se parcialmente arrependida por ter deixado a Guiné.

BIBLIOGRAFIA

BARRY, Kesso. Kesso, princesse peuhle. Paris: Seghers, 1988.

BEKERS, Elisabeth. “Kesso Barry”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 1,   p. 389-390.

D’ALMEIDA, Irène Assiba. Kesso Barry’s Kesso, or autobiography as a subverted tale. Research in African Literatures, v. 28, n. 2, p. 66-82, 1997.

SANKARA, Edgard. L’appropriation du masculin dans Kesso, princesse peuhle de Kesso Barry. Itineraires, n. 1, 2008: https://journals.openedition.org/itineraires/2221

Waris Dirie (1963)

Nascida em uma família nômade na área de Galkayo, na Somália, fugiu aos treze anos para a cidade de Mogadíscio para escapar de um casamento arranjado com um homem de sessenta anos.  Levada para Londres, trabalhou na Embaixada da Somália sem remuneração, e depois em atividades de baixa remuneração. 

Aos dezoito anos, descoberta pelo fotógrafo Terence Donovan, que a fotografou em 1987 junto com a então ainda desconhecida Naomi Campbell, teve sua imagem associada ao calendário da Pirelli, o que marcou o início de uma carreira de grande sucesso como top model mundialmente famosa. Sua imagem apareceu em anúncios de marcas como a Channel, Levi’s, l’Oreal e Revlon, e em revistas especializadas de moda, além de participar eventualmente de filmes e documentários.

Em 1997, no auge da carreira, revelou à jornalista Laura Ziv, da revista Marie Claire, sobre a mutilação genital que ela tinha sofrido aos cinco anos de idade, junto com suas irmãs, e passou a atuar junto à ONU em campanhas pela abolição da prática. No ano seguinte, junto com Cathleen Miller, escreveu a autobiografia Desert Flower (Flor do Deserto) que se tornou best-seller em todo o mundo, sendo adaptado para o cinema em 2008. Além dele, lançou outros livros, Desert dawn (Alvorecer no deserto), Letter tom my mother (Carta para minha mãe) e Desert children (Criança do deserto), o último dos quais lançado em uma campanha contra a mutilação genital.

Líder de uma campanha internacional contra a mutilação genital, fundou a Desert Flower Foundation (Fundação Flor do Deserto) (2002) em Viena, Áustria, e organizou diversas campanhas na União Européia para erradicar a prática entre os(as) imigrantes(as). Também fundou a Desert Dawn Foundation, que arrecada dinheiro para escolas e clínicas na Somália. Em 2010 foi nomeada pela União Africana como Embaixadora da Paz e Segurança no continente.

BIBLIOGRAFIA

ZABUS, Chantal. Acquiring Body: Waris Dirie, Infibulation, and New African Female Self-Writing.  In: African and its significant others. Londres: Brill, 2003,  p. 61-76.

SHELDON, Kathleen. Historical Dictionary of Women in Sub-Saharan Africa, Lanham: Scarecrow Press, 2005.

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