Anne Mungai (1957)
Educadora e cineasta queniana, nasceu em Port Victoria, no distrito de Budalangi no Quênia ocidental, e seus pais são o professor Marius Namapsi Okubo e a mãe Ursula Nerima.
Anne iniciou a carreira na área de mídia e comunicações no Kenya School of Mass Communications (Escola Queniana de Comunicação de Massa) em Nairobi e produziu documentários de curta e média duração sobre temáticas relacionadas à saúde, mulheres, juventude, religião, agricultura e educação. Com a sensibilidade de alguém que compartilha as experiências de ser mulher, ela iniciou o discurso sobre as pluralidades e complexidades do Quênia pós-emancipação ao questionar os casamentos forçados, a prostituição e as contradições entre as vidas urbana e rural. Estudou ainda no American Cultural Centre (Centro Cultural Americano) e nas universidades de Daystar, Cardiff e Kenyatta.
Sua carreira teve início em 1980, com o primeiro curta-metragem intitulado Nkomani Clinic, ao qual se seguiram outros curtas e médias-metragens, além de seu primeiro longa-metragem Saïkati, lançado em 1993. Este filme, o primeiro longa dirigido por uma mulher queniana, como muitas das obras de Mungai, tem como protagonista uma jovem a viver em uma sociedade dividida entre práticas culturais tradicionais africanas e aquelas introduzidas pelo Ocidente durante o período colonial. Na trama e enredo, a jovem Saïkati vê-se dividida entre o desejo de frequentar a Universidade e estudar na cidade e a obediência aos pais, que desejavam entregá-la ao filho do chefe da comunidade em um casamento arranjado.
A jornada de Mungai, mulher empreendedora, para produzir seus filmes foi marcada por dificuldades com recursos técnicos e capitais: sua luta em conciliar obrigações familiares e profissionais resume a complexidade de viver na África pós-emancipação e em um mundo masculino. Muitos de seus filmes foram produzidos pelo Kenya Institute of Mass Communication (Instituto Queniano de Comunicação de Massa), instituto em que foi membra docente; Saikati fez parte de um projeto-treino e demonstra que africanos conseguem engajar a indústria através de inovação e criatividade.
Em 1994 foi premiada pelo governo queniano por seu filme Usilie Mtoto wa Afrika, cujo título, na língua kiswahili, quer dizer “Por favor não chore criança africana”, dedicado a crianças que vivem em situação de vulnerabilidade nas ruas. Junto com Ann Wanjugu, ela desenvolveu a fundação Shangilia Mtoto wa Afrika (Anime a criança africana), dedicada ao bem-estar daquelas crianças e com o objetivo de mudar as percepções negativas da comunidade em relação a elas.
Entre vários prêmios concedidos a ela pelo reconhecimento de sua obra estão: Prêmio de melhor direção por Saïkati (Plan International, 1999); Prêmio Especial do Juri (Zanzibar International Film Festival, 1999); Personalidade Feminina mais influente (Women in film awards, 2022).
BIBLIOGRAFIA
CHAM, M. African women and cinema: a conversation with Anne Mungai.” Research in African Literatures, v. 25, n. 3, p. 93-104.
CARACCIOLO, Diane; MUNGAI, Anne (Ed.).. In the spirit of Ubuntu: stories of teaching and research. Rotterdam: Sense Publishers, 2009.
KIRUTHU, Felix Macharia. “ Anne Mungai”. . In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 4, p. 332-333.
































