Tag: Empreendedoras

Anne Mungai (1957)

Educadora e cineasta queniana, nasceu em Port Victoria, no distrito de Budalangi no Quênia ocidental, e seus pais são o professor Marius Namapsi Okubo e a mãe Ursula Nerima.

Anne iniciou a carreira na área de mídia e comunicações no Kenya School of Mass Communications (Escola Queniana de Comunicação de Massa) em Nairobi e produziu documentários de curta e média duração sobre temáticas relacionadas à saúde, mulheres, juventude, religião, agricultura e educação. Com a sensibilidade de alguém que compartilha as experiências de ser mulher, ela iniciou o discurso sobre as pluralidades e complexidades do Quênia pós-emancipação ao questionar os casamentos forçados, a prostituição e as contradições entre as vidas urbana e rural. Estudou ainda no American Cultural Centre (Centro Cultural Americano)  e nas universidades de Daystar, Cardiff e Kenyatta.

Sua carreira teve início em 1980, com o primeiro curta-metragem intitulado Nkomani Clinic, ao qual se seguiram outros curtas e médias-metragens, além de seu primeiro longa-metragem Saïkati, lançado em 1993. Este filme, o  primeiro longa dirigido por uma mulher queniana, como muitas das obras de Mungai, tem como protagonista uma jovem a viver em uma sociedade dividida entre  práticas culturais tradicionais africanas e aquelas introduzidas pelo Ocidente durante o período colonial. Na trama e enredo, a jovem  Saïkati vê-se dividida entre o desejo de frequentar a Universidade e estudar na cidade e a obediência aos pais, que desejavam entregá-la ao filho do chefe da comunidade em um casamento arranjado.

A jornada de Mungai, mulher empreendedora, para produzir seus filmes foi marcada por dificuldades com recursos técnicos e capitais: sua luta em conciliar obrigações familiares e profissionais resume a complexidade de viver na África pós-emancipação e em um mundo masculino. Muitos de seus filmes foram produzidos pelo Kenya Institute of Mass Communication (Instituto Queniano de Comunicação de Massa), instituto em que foi membra docente; Saikati fez parte de um projeto-treino e demonstra que africanos conseguem engajar a indústria através de inovação e criatividade.

Em 1994 foi premiada pelo governo queniano por seu filme Usilie Mtoto wa Afrika, cujo título, na língua kiswahili, quer dizer “Por favor não chore criança africana”, dedicado a crianças que vivem em situação de vulnerabilidade nas ruas. Junto com Ann Wanjugu, ela desenvolveu a fundação Shangilia Mtoto wa Afrika (Anime a criança africana), dedicada ao bem-estar daquelas crianças e com o objetivo de mudar as percepções negativas da comunidade em relação a elas.

Entre vários prêmios concedidos a ela pelo reconhecimento de sua obra estão: Prêmio de melhor direção por Saïkati (Plan International, 1999); Prêmio Especial do Juri (Zanzibar International Film Festival, 1999); Personalidade Feminina mais influente (Women in film awards, 2022).

BIBLIOGRAFIA

CHAM, M. African women and cinema: a conversation with Anne Mungai.” Research in African Literatures, v. 25, n. 3, p.  93-104.

CARACCIOLO, Diane; MUNGAI, Anne (Ed.).. In the spirit of Ubuntu: stories of teaching and research. Rotterdam: Sense Publishers, 2009.

KIRUTHU, Felix Macharia. “ Anne Mungai”. . In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 4, p. 332-333.

Aurélia Correia (c.1810 – c.1875)

Comerciante, mercadora e senhora de escravos da Guiné. Nasceu provavelmente de pai cabo-verdiano e mãe de etnia bijagó, da ilha de Orango, a maior e mais importante ilha do arquipélago da costa da atual Guiné-Bissau. Tornou-se a mais famosa de todas as mulheres comerciantes que operaram na costa do que veio a se chamar  Guiné portuguesa durante o período colonial. Sua carreira comercial esteve indissociavelmente ligada ao comércio transatlântico e à introdução do comércio de amendoim.

Em 1830 Aurélia se mudou  com uma tia para a Ilha das Galinhas. Na metade daquela mesma década ela e seu parceiro,  Caetano José Nozolini (1800-1850), um comerciante de escravos cabo-verdiano, da ilha de Fogo, começaram a produzir amendoim enquanto usavam a ilha como entreposto do tráfico de escravos. As plantações de amendoim, arroz e milho eram mantidas por mão-de-obra-escrava. Os produtos agrícolas, sobretudo o amendoim, eram exportados para Marselha, na França, por intermédio de rede das companhias francesas que atuava nos portos de Gorée e Saint Louis, no Senegal, enquanto os cativos eram enviados para o Caribe.

Na década de 1840 ela aumentou suas propriedades rurais, e se tornou a maior plantadora da Ilha de Bolama, aí permanecendo até 1860, quando este local foi ocupado pelos britânicos instalados em Freetown, Serra Leoa.  Então, dirigiu os seus negócios para Bissau.

Aurélia Correia tinha um filho e três filhas, todas posteriormente casados com fazendeiros ou empresários como ela. Sua fama permaneceu na memória popular, em que é lembrada como o qualificativo de “Mãe Aurélia”.

BIBLIOGRAFIA

BROOKS, George E. A nhara of the Guinea-Bissau region: Mãe Aurelia Correia. In: ROBERTSON, Claire; KLEIN, Martin (Eds.).  The women and slavery in Africa. Madison: University of Wisconsin Press, 1983, p. 293-319.

HAVIK, Philip J. Silences and soundbytes: the gendered dynamics of trade and brokerage in the pre-colonial Guinea-Bissau region. Munster: LIT Verlag, 2004.

HAVIK, Philip J.. “Aurélia Correia”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 2,  p. 125-126.

Efunsetan Aniwura (1790-1874)

Nascida na cidade de Abeokutá, de uma família de origem Egba, na atual Nigéria. Seu pai era chefe de guerra de Ikija, e sua mãe era de Ifé e, ao que tudo indica, atuava como mercadora e a iniciou no mundo do comércio.  Ela se tornou uma das mais poderosas mulheres da comunidade yoruba de seu tempo, motivo pelo qual é lembrada com o título de yalodê.

Sua ascensão política e econômica ocorreu na cidade de Ibadan, onde tinha parentes que ocupavam posições importantes, e onde encontrou condições de desenvolver suas habilidades como empreendedora, negociante, mediadora e líder política. Ali ela praticou o comércio, acumulou dinheiro e comprou grande quantidade de escravizados(as) que trabalhavam em suas fazendas em plantações de fumo e um produto cosmético local chamado kijipa, que ela revendia em Porto Novo, Badagri, e mesmo em exportações para a América.  

Na década de 1860, foi reconhecida como yalodê de Ibadan, acumulando prestígio e aumentando sua influência política. Manteve contatos com membros da Igreja Anglicana e incentivou a implantação do cristianismo na sua cidade. Quando a inglesa Anna Hinderer, pessoa vinculada à comunidade anglicana, viveu na Nigéria, deixou um retrato muito vivo de Efunsetan Aniwura em seu diário que foi publicado com o título Seventh years in the yoruba country (Dezessete anos no país dos yorubas). Para o ano de 1872 ela escreve:

“Entre os yorubas existe uma iyalode ou mãe da cidade, a quem as mulheres submetem todas as suas disputas, antes de serem levadas ao rei. Ela é, na verdade, uma espécie de rainha, uma pessoa de grande influência e tratada com muito respeito. Enviei-lhe um mensageiro para comunicar-lhe que gostaria de visita-la. Mandou-me dizer que ficaria encantada com minha visita… Deparei-me com uma senhora do tipo maternal, cercada por seus servidores e outras pessoas, num ambiente cerimonioso e de grande ordem”.

A influência e liderança de Efunsetan foi afetada em 1874, quando foi deposta da posição de yalodê por instigação de adversários, e segundo consta teria sido pouco depois assassinada por dois escravizados, a mando de seu maior adversário político, o chefe Aare Latoosa. Ela permanece popular na memória dos(as) nigerianos(as), tendo sido enaltecida em livros, peça de teatro e filme, e homenageada em um monumento público em Ibadan.

BIBLIOGRAFIA

IDOWU, Olawale. Gender and the politics of exclusion in pre-colonial Ibadan: the case of iyalode Efunstan Aniwura. Journal of traditions and beliefs, v. 2, n. 21, 2018: https://engagedscholarship.csuohio.edu/jtb/vol2/iss1/21

OGUNLEYE, Foluke. A Male-centric modification of history: Efunsetan Aniwura Revisited. History in Africa. V. 31. p. 303–318, 2004.

Esther Afua Ocloo (1919-2002)

Nascida como Esther Afua Nkulenu, era filha de um casal de camponeses pobres (o pai era ferreiro, a mãe, oleira e agricultora) da região do Rio Volta, ao norte da atual República de Gana, que arcaram com os gastos de seus estudos primários, em uma escola presbiteriana, e depois, com o apoio financeiro da empresa Cadbbury Chocolate Company realizou os estudos na prestigiosa Achimota School, onde obteve certificado, o Cambridge School Certificate,  em 1941.

Ainda na Achimota School, aprendeu nas aulas de ciências sobre o fabrico de marmelada, e em 1943, com o apoio de um tia, que vendeu nas ruas de Accra aos oficiais da adminisração colonial inglesa. Com o lucro inicial, investiu na venda de suco de laranjas, inicialmente aos estudantes e professores da Achimota School e depois nos estabelecimentos militares, mediante contrato comercial. 

Com o patrocinio da administração do colégio , Esther viajou para a Inglaterra entre 1949-1951, sendo a primeira pessoa negra a obter um diploma de cozinheira do Good Housekeeping Institute, em Londres, e a obter  uma pós-graduação no curso de Conservação de Alimentos de Long Ashton Research Station, no Departamento de Horticultura da Universidade de Bristol em 1951.  Em  Ghana, obteve financiamento bancário com o qual montou a Nkulenu Indutries,  a primeira fábrica de processamento de alimentos, com foco na preparação e distribuição de suco de laranja e marmelada.

O sucesso como empreendedora garantiu a ela posição de liderança nos negócios de seu país que, na época, estava em luta pela independência da Inglaterra. Esther fundou e atuou em diversas associações, inclusive a Federation of Ghanaian Industries (Federação das Indústrias de Ghana) em 1956, mas com o tempo dispendeu esforços para estimular artesãos e pessoas das camadas populares, em particular as mulheres. Em 1976, na Conferência das Nações Unidas da Década das Mulheres, propôs, junto com Michaela Walsh e Ela Bhatt a criação do Women’s World Banking (Banco Mundial das Mulheres), instituição com linhas de micro-crédito para mulheres, que ela presidiu no período de 1976-1985.

Por sua capacidade de iniciativa e liderança, Esther Ocloo recebeu diversos prêmios e honrarias locais, nacionais e internacionais. Ela foi a primeira mulher a receber o prêmio internacional  Africa Prize for Leadership (Prémio Africano para a Liderança) devido às suas iniciativas para a criação de alternativas sustentáveis para a erradicação da fome no continente.

BIBLIOGRAFIA

DARKWAH, Akosua. “Esther Afua Occlo”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 4, p. 541-542.

OCLOO, Esher. Woman power. Canadian Speeches, v. 16, n. 3, p.  64, 2002.

Françoise Foning (1949-2015)

Empresária e líder política da República dos Camarões.  Nasceu na região oeste de Menoua, de uma família popular do grupo étnico-linguístico bamileké. Ela se casou e teve seis filhos.

 Com o apoio familiar, entrou no negócio do turismo na Cidade de Douala, no sul do Camarões, quando tinha doze anos. Em 1967 Françoise deu início a sua longa carreira como empreendedora em Douala ao criar um restaurante chamado New Style. Logo ela ampliou o negócio para o ramo dos táxis, passando dentro de algum tempo da ter mais de 150 deles; a atuar em uma empresa de cascalho chamada Les Graviers Unis. Depois, foi proprietária da companhia de importação-exportação de alimentos SOCAMAC; da firma de comércio exterior Ovicam e do negócio de móveis Anflo, cujos negócios foram estendidos para os Estados Unidos e a Europa.

Nos anos 1970 ela atuou no Ministério do Turismo de Camarões, mas logo deixou o serviço público. Comprou uma clínica médica e fundou uma escola em sua cidade natal, Deschang, o Collège de la Fraternité.  Recebeu diversos planos do governo camaronês e recebeu do sultão de Bamun o respeitado título de njih, enquanto a comunidade Bafou a coroou como sua rainha. Para os pobres do país, ela passou a ser sinônimo de riqueza.

O prestígio e influência de Françoise levaram a que se aproximasse do presidente, Paul Biya, passando a fazer negócios com diversos ministérios do governo. Era ativa apoiadora do partido do governo, o Movimento Democrático Popular do Camarões – CPDM, onde passou a controlar a seção das mulheres em 1997 junto com Chantal Biya,  a primeira dama do país, com quem também dividiu a direção da organização de caridade Fondation Chantal Biya.

Em 2002 Françoise assumiu o cargo de vice-prefeita de Douala; também serviu na Assembleia Nacional de 2002 a 2007 e foi reeleita em 2009, apesar das acusações de desvio de dinheiro público. Sua grande habilidade pessoal e empresarial e sua capacidade de liderança a levaram a se tornar líder de várias associações de mulheres e grupos empresariais,  a assumir e se manter como presidenta da Associação de Mulheres Empresárias dos Camarões e a chefiar a Rede Africana para o Apoio de Empreendedoras Mulheres.

Reconhecida líder pelo Banco mundial, Banco de Desenvolvimento Africano e várias outras agências internacionais, participou de numerosas conferências, consultorias e encontros internacionais, inclusive no Summit EUA/África,  em Washington, a convite do presidente George W. Bush.

Sofreu um acidente de carro em 2003 e outro em 2015, sendo este fatal.  Foi a empresária mais notável na história  do seu país.

BIBLIOGRAFIA

BABENI. Leontine. Femmes d’impact. Yaoundé;  Éditions Tropiques, 2011

FONGUIENG, Dieudonné Tahafo. Histoire des femmes célèbres du Cameroun, Yaounde:  Editions Portraits, 2008.

RICH, Jeremy. “Françoise Foning”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 2, p. 381-382.

SOSSO, Ginette P. N. A.. Les femmes entrepreneures dans la société politique camerounaise. These (Doctorat) Université de Bourdeaux, 2015.

Hannah Forster (1893-1966)

Comerciante e a primeira mulher gambiana a entrar na política ativa, durante o período colonial.  Nasceu com o nome de Hannah Johnson,  em Bathurst, atual Banjul. Era filha  de C.C. Johnson, um funcionário público de Freetown, Serra Leoa, e Elizabeth Johnson, uma professora. Frequentou a a Escola Primária St. Mary em Banjul, e em 1907 foi para Freetown para cursar o Ensino Médio, uma vez que não havia estabelecimento para este nível escolar na Gâmbia.  

Começou a vida pública como professora, casou-se em 1913 mas logo o marido morreu,  deixando-a com dois filhos. Ela então abandonou o ensino e se aventurou no comércio. Com o tempo Hannah adquiriu lojas em Banjul e nos portos fluviais gambianos de Kaur, Kuntaur e Kartong. Diferente de outros comerciantes, que só faziam negócios obedecendo o período de colheita do amendoim, suas lojas operavam durante todo o ano, o que era admirado pelas comunidades rurais. No final da década de 1920 ela controlava o comércio de noz-de-cola, camarões e ostras, negociando estes produtos em Liverpool, Freetown, e Lagos.

Na década de 1930 entrou para o negócio da moda e dos tecidos em Banjul, atendendo a elite; educou os filhos em universidades britânicas e financiou o partido nacionalista. Sua filha, Catherine Collier, se tornou a primeira radiologista de Gâmbia (1954) e o filho, Bani Forster se tornou o primeiro psiquiatria do país. Foi eleita para o conselho municipal de Bathurst (1931).

Décadas mais tarde, com o advento de partidos políticos em 1951, ela ajudou a fundar o primeiro partido político da colônia, o Partido Democrático da Gâmbia (GDP), com o Reverendo J .C. Faye, presidindo a ala das mulheres do GDP e foi co-autora de seu manifesto para as primeiras eleições partidárias, sendo eleita em 1951 e 1954 com recurso ao patronato mediante distribuição de arroz aos eleitores.

Por sua trajetória econômica e política, é lembrada na Gâmbia como símbolo da predisposição das mulheres Krio pela independência, autonomia e busca do sucesso.

BIBLIOGRAFIA

CESAY, Hassoum. Gambian women: an introductory history. Banjul: Fulladu, 2008.

HUGHES, Arnold; Perfect, D.  A political history of the Gambia, 1816-1994. Rochester: University of Rochester Press, 2006.

Iman Abdulmajid (1955)

Filha de um diplomata somali, Iman estudou em Mogadíscio (Somália) e no Cairo (Egito), e cursou ciências políticas na Universidade de Nairobi, no Quênia, onde em 1975 chamou a atenção de Peter Beard, um famoso fotógrafo de moda que a incentivou a se mudar para Nova York.

Em 1979, Iman apareceu na conhecida revista de moda Vogue,  e a Revlon a contratou para representar a empresa em uma campanha publicitária. Na década de 1980, ela se tornou um dos primeiros modelos afro-americanos a alcançar o status de top-model e atriz. Na década de 1990 fundou sua própria empresa de cosméticos, chamada Iman, que produzia artigos exclusivamente dirigidos para mulheres de pele mais escura, não apenas afro-americanas, mas também hispânicas, asiáticas e indígenas.

Em 1992, durante a fome que devastou a Somália, Iman procurou apoio junto à British Broadcasting Corporation (BBC) para fazer um documentário em sua terra natal. Desde então, tem se envolvido muito em atividades humanitárias, como a Action Française Contre le Faim (Ação Francesa Contra a Contra a Fome) e o British Break the Cycle (Quebre o ciclo)  contra a violência doméstica. Em 1997, recebeu um benefício para o American Child’s Defense Found (Fundo Americano de Defesa das Crianças). Iman apoia o Batoto Yeku Kiswahili (Para Nossas Crianças), um grupo sem fins lucrativos do Harlem que usa a dança, música e histórias africanas para ensinar as crianças afro-americanas sobre sua herança.

Iman foi casada com a estrela do rock David Bowie e sua filha, Alexandria Zahra Jones, nasceu em 15 de agosto de 2000. Ela também tem uma filha adulta, Zulekha, de seu casamento anterior com o jogador de basquete Spencer Heywood.

BIBLIOGRAFIA

JENNING, Helen. New African Fashion. Munich; London; New York: Prestel, 2011.

Isabel dos Santos (1973)

Nascida em Baku, no Azerjaijão, é a filha mais velha de José Eduardo dos Santos, presidente de Angola desde 1979, e de sua primeira esposa, a russa Tatiana Kukanova. Ele a conheceu quando, nos anos 1970, durante a guerra anti-colonial, esteve na então União Soviética para estudar engenharia junto ao Azerbaijan Oil e o Instituto de Química de Baku. Depois de se divorciar de Tatiana ele se casou com Ana Paula dos Santos, com quem teve mais dois filhos.

Apesar de ter passado a maior parte da infância em Angola, viveu em Londres alguns anos com a mãe, onde obteve a formação universitária em gestão de recursos humanos e engenharia elétrica. Mais tarde trabalhou como consultora para o óleo angolano da Sociedade Nacional de Combustíveis de Angola – SONANGOL (1996).  Em menos de uma década, conseguiu construir um “império de negócios”, que se estende de Angola a Portugal, nos campos de telecomunicações, diamantes, comunicação social e finanças, óleo, e outros produtos.

O seu primeiro empreendimento comercial foi Miami Beach, uma discoteca na Ilha de Luanda e depois criou a empresa Urbana 2000 e geriu a Empresa de Saneamento e Limpeza de Luanda – ELISAL. Mantém contatos estreitos com empresas portuguesas, especialmente nos setores bancário e de telecomunicações. O seu nome é associado a empresários portugueses ricos e influentes, e participa como acionista influente no Banco Espírito Santo Angola desde 2001.

O seu perfil como empresária aumentou consideravelmente em Angola com a fundação em 2001 da UNITEL, que se tornou uma grande operadora de telefonia celular no país. Santos controla 25% da empresa através da holding GENI, na qual virtualmente todas as suas participações financeiras são concentradas. Como forma de expandir as suas atividades para Angola, a empresa de telecomunicações Portugal Telecom também participou na UNITEL, enquanto outro grande acionista é a petrolífera angolana AKAI Sonangol. Ela atua direta ou indiretamente no negócio de diamantes, detém controle acionário na indústria de concreto e no setor bancário angolano e português.  Em 2008, comprou 9,69% das ações do Banco Português de Investimento e em 2009 adquiriu o controle da empresa portuguesa de televisão e internet ZON Multimedia.

Em 2002 ela casou-se com Sindika Dokolo, filho de um milionário congolês que fundou o Banco de Kinshasa. O casamento cimentou a reputação de Isabel dos Santos, popularmente conhecida como “a princesa de Angola”, alçando-a à condição de uma das mulheres mais ricas da África Subsaariana.

BIBLIOGRAFIA

DIETRICH, Christian. Inventory of formal diamond mining in Angola. In: CILLIERS, Jakkie; DIETRICH, Christian. Angola’s war economy: the role of oil and diamonds. Pretoria: Institute for Security Studies, 2000.

FERNANDES, Felipe.  Isabel dos Santos: segredos e poder do dinheiro. Alfragide: Casa das Letras, 2015.

RUIGROK, Inge Mariette. “Isabel dos Santos”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 5, p. 272-273.

Mary Nzimiro (1898-1993)

Nascida como Mary Nwametu Onumonu, foi uma empresária nigeriana pioneira, política e ativista em defesa das mulheres. Pertencia a uma família igbo de alta posição social: o pai, Onumonu Uzoaru, era chefe de distrito durante o período colonial e a mãe, Ruth, uma bem-sucedida comerciante de produtos derivados da palmeira. Estudou em escola missionária em Oguta, sua comunidade natal, formando-se no secundário em 1920. Casou-se com Richard Nzimiro, da United African Company – UAC (Companhia União Africana).

Preparada pela mãe para dar continuidade aos seus negócios começou a negociar sal e óleo de palma nos mercados de Nkwo e Eke. Em meados da década de 1940, mudou-se com o marido para Onitsha, Opobo e Port Harcourt.  Ela passou a comercializar têxteis, pólvora e cosméticos. Como resultado de seu senso de negócios e sua reputação de confiabilidade, tornou-se agente da UAC, representando a empresa em todo o Leste Nigéria em 1948. Nessa condição, passou a distribuir mercadorias para atacadistas e varejistas na Nigéria, Gana e Serra Leoa. Paralelamente, abriu seus próprios pontos de venda de têxteis e cosméticos em Port Harcourt e cidades vizinhas.

Como representante da UAC, realizou diversas viagens de negócios a Londres, Manchester e Glasgow. Além disso, ela abriu dois postos de gasolina, um em Port Harcourt e outro em Lagos. Com isso, Mary Nzimiro tornou-se uma das pessoas mais ricas da África Ocidental, com várias propriedades Port Harcourt, foi capaz de oferecer bolsas de estudos aos estudantes e ajudou muitas de suas aprendizes a ingressar no negócio. Juntamente com o marido, em 1945, abriu uma escola em Oguta, mais tarde renomeada Priscilla Memorial Grammar School, em memória de sua filha, Priscila Nzimiro, que morreu logo após se formar em medicina na Universidade de Glasgow. Em 1966 Mary Nzimiro fundou a Escola Secundária para Meninas, atribuindo-a o nome do marido que tinha falecido em 1959.

Na plano político, Mary Nzimiro se tornou membro do Conselho Nacional da Nigéria e dos Camarões, participando de seu comitê executivo em 1957. Foi eleita vice-presidente da Estern Women’s Association (Associação das Mulheres da África ocidental) em 1962, junto com Margaret Epko. Durante a Guerra Civil da Nigéria, no período da República do Biafra (1967-1970) ela organizou as mulheres igbo para dar suporte aos soldados biafrenses. Como consequência, com a derrota de Biafra, Mary perdeu a maior parte de suas propriedades em Port Harcourt,  retornou à sua terra natal, Oguta, onde viveu até falecer em 1993.

BIBLIOGRAFIA

CHUKU, Gloria. Igbo women and economic transformation in southeastern Nigeria, 1900-1960. New York: Routledge, 2005.

CHUKU, Gloria. From Petty traders to international merchants: a historical account of three igbo women of Nigeria in trade and commerce, 1886-1970. African Economic History, n. 27, p. 1-22, 1999. 

CHUKU, Gloria. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 4, p. 525-526.

Muthoni Gachanja Likimani (1925)

 Locutora e produtora de rádio e televisão queniana, especialista em relações públicas, educadora, fazendeira, escritora e ativista em defesa dos direitos das mulheres. Nasceu na Missão de Kahuhia, no Distrito de Fort Hall. Seu pai foi um dos primeiros ministros da Igreja Anglicana Queniana. Ela foi educada na Escola para Meninas de Kahuhia e na Faculdade Lowe Kabete. Depois de completar graduação, trabalhou como tutora em sua antiga escola, mas se mudou para Nairobi depois do casamento com o primeiro médico queniano, o Dr. Jason Clemente Likimani, do grupo étnico massai, com quem teve três filhas. 

Em 1955, devido à infidelidade conjugal do marido e ao autoritarismo dele na criação das filhas, ela o deixou e se mudou para Nairóbi, aprofundou os estudos em escola noturna e passou a se dedicar ao cuidado das meninas quenianas. Ingressou no movimento Girl Guides e ajudou a desenvolver o Maendeleo Ya Wanawake um grupo de mulheres de oficiais coloniais, além de ter participado da Associação de Jovens Mulheres Cristãs do Quênia.

Com uma bolsa de estudos do Conselho Britânico, viajou para a Inglaterra em 1958 e obteve formação em cursos de Desenvolvimento Comunitário e Educação para Adultos na Universidade de Londres, e em Nutrição na London School de Higiene e Medicina tropical. Quando retornou ao seu país, em 1960, desenvolveu programas de rádio para mulheres Kiswahili para a BBC e para o Kenya Broadcasting Services (atualmente Kenya Broadcasting Corporation). O programa de maior sucesso destinado ao público feminino e infantil, emitido em swahilo, chamava-se Shangazi na watoto (A titia e as crianças), que deu origem a publicações de literatura infanto-juvenil. 

Ela também publicou livros em língua kikuyu e kiswahili, entre os quais o romance They shall be chastised (Eles serão castigados) (1974) em que examina a situação dos primeiros convertidos gikuyu na comunidade missionária de Shimoni; e o poema narrativo What does a man want (O que um homem quer) (1974), onde comenta sobre a posição das mulheres no Quênia depois da emancipação. Apesar dela não ter se envolvido diretamente no movimento de resistência Mau Mau, mais tarde tratou da contribuição das mulheres na resistência em nove relatos fictícios de seu livro mais conhecido, Passbook number F. 47927: women and Mau Mau in Kenya (Caderneta número F. 47927: mulheres e Mau Mau no Quênia) (1985), título que se refere ao seu próprio número de identificação durante a Emergência Mau Mau.

Após diversas situações que revelavam discriminação e machismo nas instituições em que trabalhou, decidiu criar sua própria empresa em 1973, a Noni’s Publicity, que foi a primeira companhia de relações públicas de propriedade africana no Quênia, e também lidou com atividades de publicação, como o periódico Women of Kenya (Mulheres do Quênia).Nos anos 1980 foi indicada como Conselheira da cidade de Nairóbi, posição que ela manteve até o governo substituir o conselho por uma comissão. Em 2005 ela publicou sua autobiografia, Muthoni Likimani: Fighting without ceasing (Muthoni Likimani: lutando sem cessar).

BIBLIOGRAFIA

BEKERS, Elisabeth. “Muthoni Gachanja Likimani”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 3, p. 499-500.

JAMES, Adeola. Muthoni Likimani. In: In their own voices: African woman writers. Portsmouth: James Currey and Heinemann, 1990.

Nike Monica Okundaye (1951)

Artista têxtil e pintora nigeriana, nasceu em Ogidi-Ijumu, Estado de Kogi, na Nigéria.  Ela trabalha com adire, uma técnica tradicional de tecelagem desenvolvida pelas mulheres yoruba da Nigéria. Sua bisavó, a yalode chamada Osadaun Ibitola, produzia tecidos adire e apresentou à Nike essa arte tradicional. Tais conhecimentos são tradicionalmente femininos e fazem parte de suas responsabilidades domésticas.

A técnica consiste em tingir os tecidos com tonalidades de azul obtido a partir do uso de tinta extraída das folhas da planta chamada indigo. Nike adicionou um novo ingrediente à arte, utilizando o batique, uma pintura de tecidos de origem indonésia, em pinturas sobre tela e em painéis de madeira. Suas obras representam a história, as tradições e a cosmologia do povo yoruba.

Aos seis anos de idade, sua mãe faleceu e aos sete sua avó Oraun Iyawo Amujobi também faleceu. Por conta do costume de as mães pagarem pela escolarização dos filhos, Nike teve que sair da St Michael Primary School (Escola Primária de St. Michael) quando estava no sexto ano. Então ela passou a trabalhar, carregando concreto para obras e realizou outros trabalhos pesados, porém continuou a produzir os tecidos.

Aos dezesseis anos, seu pai quis forçá-la a se casar com um importante político local. Ela decidiu fugir com um teatro itinerante para Osogbo, e mesmo menor de idade trabalhou como dançarina para o grupo dirigido por Taiwo Olaniyi Oyewale no Mbari Mbays Club (Clube de Mbari Mbay). Este local, de propriedade de Uli e Georgina Beir, dois imigrantes alemães, na década de 1960 foi um espaço importante para os artistas no renascimento da arte na Nigéria.

Apesar das dificuldades enfrentadas Okundaye desenvolveu-se profissionalmente e se tornou artista, educadora e filantropa, cujo trabalho ajudou a dar oportunidades econômicas para mulheres e jovens. Desde 1983 ela é diretora da Nike Center for Art and Culture (Centro de Arte e Cultura Nike), núcleo que ela fundou sem ajuda governamental. O centro oferece cursos em diversas ramos da arte sem custo para jovens nigerianos.

Em 1985 ela participou de uma exposição organizada pela ONU, em 1989 participou de uma exposição no National Museum of Women in the Arts (Museu Nacional das Mulheres nas Artes) em Washington. Dez anos mais tarde abriu uma fábrica de adire, empregando milhares de mulheres em Kabba, no estado de Kogi. Em 2000 ministrou oficinas de treinamento na Itália como parte de um evento contra a prostituição no país.

Em 2002 Nike abriu um museu e uma galeria de arte e centro de pesquisa para estudo sobre os tecidos adire, o Nike Research Centre for Art and Culture (Centro de Arte e Cultura Nike) na aldeia de Piwoyi. Em janeiro de 2007 a artista participou como facilitadora e painelista da conferência mundial Vital Voices: Pan-African leadership summit and initiative for women and girls (Vozes vitais: Iniciativa da cúpula pan-Africana para a liderança de mulheres e jovens), com o trabalho intitulado Art, actvism and women empowerment (Arte, ativismo e empoderamento feminino). Logo depois foi convidada a ministrar palestras e oficinas sobre batique e adire na Universidade do Sul da Flórida.

Nike Okundaye é membro da Society of Nigerian Artists (Sociedade dos Artistas Nigerianos) e da Society of Nigerian Women Artists (Sociedade das Mulheres Artistas Nigerianas). É casada com o chefe Reuben Osaruyi Okundaye e é mãe e seis filhos. Por sua liderança, ativismo e compromisso com as comunidades tradicionais, com as mulheres e jovens, ela recebeu diversos títulos e distinções, entre os quais os de “Yeye Oba”, “Ogidi-Ijumu” e “Yeye Tasase” em Osogbo.

BIBLIOGRAFIA

CASTELLOTE, Jess. Tola Wewe, Nike Okundaye and the emergence if third artist: “Nike & Wewe. In:  A view from my corner, 2009: http://jesscatellote.wordpress.com/2009/11/

VAZ, Kim Marie. The woman with the artistic brush: a like history of youruba batik artist Nike Davies. Armonk; M. E, Sharpe, 1995.

VAZ, Kim Marie. “Nike Monica Okundaye”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 5, p. 25-26.

Okwei de Osomari (1872–1943)

Nascida Okwei Afubeho em 1872 na cidade de Osomari, localizada na região do baixo Rio Níger, na atual Nigéria. Pertenceu a uma importante linhagem do grupo igbo. Seu pai, Osuna Afubeho, foi um conhecido guerreiro, além de um príncipe de grande riqueza, proprietário de centenas de escravos, que controlava localmente o comércio e fazia a guerra. Seu avô, chamado Nzedegwu, foi Atamanya (rei) de Osomari, assinou acordos comerciais com os britânicos em 1854 e em 1860 e convidou a missão da igreja católica para sua cidade. O avô materno, Obi Aje, foi um dos filhos de Obi Ossai, rei de Aboh que em 1830 assinou acordos comerciais com europeus.

Aos nove anos de idade Okwei aprendeu com um tia materna a arte do comércio, além de aprender igala, língua oficial do comércio no Delta do Níger. Aos quinze, mudou-se com sua mãe para a cidade comercial de Atani, onde comercializavam vinho de palma, inhame, porcelana e noz de cola. De um primeiro casamento, herdou bens e contatos comerciais que fortaleceu sua posição no comércio ao longo do Rio Níger, e em um segundo casamento (1895), com o herdeiro de uma influente família de mercadoras de Aboh e Onitsha, tornou-se agente da concessionária britânica Niger Company. Com isso ela passou a comprar diversos produtos – tabaco, fósforos, lâmpadas, louças, vasos, álcool –  para distribuí-los a atacadistas e varejistas locais. Além do mais, ela arranjava casamentos de jovens mulheres com negociantes estrangeiros, empresários locais, gerentes de bancos e trabalhadores assalariados. Além do mais, instituiu parceiros comerciais nos principais portos do Rio Niger: Oguta, Ndoni, Brass, Port Harcourt e Warri.

Durante a I Guerra Mundial os produtos derivados da palmeira tiveram baixa no mercado Okwei o que a levou a comercializar tecidos de origem indiana (madras), além de continuar a vender pólvora, marfim, álcool e miçangas de coral. Como já tinha capital e organização suficiente, deixou de comprar dos intermediários europeus e estabeleceu contato direto com as fábricas da Inglaterra. Na condição de agente de empresas estrangeiras incluindo bancos, passou a atuar como agente local de câmbio, o que não agradava os nativos.

Em 1926 ela começou a trabalhar com empréstimo de dinheiro a novos comerciantes, agricultores e piscicultores. Sua taxa de lucro foi tão alta que alguns de seus devedores a processaram. Sua capacidade de adaptação e gerência de negócios variados a mantiveram durante o período da Grande Depressão. Ela soube investir em Onitsha, adquirindo a propriedade de 25 lotes, 24 casas, caminhões de carga e transporte marítimo. Okwei comprou uma casa moderna em sua cidade natal e um carro particular.

Apesar de sua falta de estudo formal, o comércio rendeu lucros e reconhecimento. Ela legou aos filhos os frutos de seu império, o que lhes garantiu posição de poder econômico e influência política na década de 1930. Ela própria teve destacada participação política, como representante da Onitsha Native Court (1912), da Waterside Settlement e da Native Court de Onitsha, junto ao governo colonial britânico.  Em 1935 ela foi coroada como Omu (título equivalente a rainha) de Osomari, tornando-se chefe do conselho feminino cujo trabalho era ajudar o Rei e seus conselheiros a administrar Osomari. Ela tinha o seu próprio palácio e uma equipe de conselheiras que a ajudavam nas disputas de pautas femininas e do mercado de Osomari, além de ser responsável por guardar as tradições e organizar cerimônias e festas.

Por sua enorme influência e prestígio, ela é tida como a mais importante omu da história do povo igbo, sendo lembrada e homenageada em Onitsha, cuja rua principal leva o seu nome.

BIBLIOGRAFIA

CHUKU, Gloria. Igbo women and political participation in Nigeria, 1800-2005. International Journal of African Historical Studies, v. 42, n. 1, p. 81-103, 2009. 

CHUKU, Gloria. “Okwei”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 5, p. 26-28.

EKEJIUBA, Felicia Ifeoma.  Omu Okwei of Osomari. In: AWE, Bolanle (Ed.). Nigerian woman in historical perspective. Lagos: Sankore Publishers, 1992, pp. 89-104.

Rosa de Carvalho Alvarenga (c. 1780 – c. 1865)

Também conhecida como Dona Rosa ou Nhá Rosa. Nasceu na cidade de Cacheu,  na costa da Alta Guiné,  atual Guiné-Bissau, em uma família de origem cabo-verdiana, vinculada ao cristianismo, que dominava o comércio ribeirinho ao longo dos rios de Cacheu e de Casamance, as principais saídas para exportação de escravizados, marfim, cera de abelha e couro cru.

Casou-se, efetivando uma vantajosa aliança comercial, com João Pereira Barreto, alto oficial da Capitania de Cacheu, e com isso lançou a base para empreendimentos comerciais prósperos, operando através de uma rede de negócios ligava costa senegambiana a Santiago de Cabo Verde, Lisboa e o Maranhão no Brasil.

Dona Rosa, como era conhecida, era muito habilidosa em manter relações comerciais e afinidade com, chefes, dignatários e intermediários papéis, banhus e felupes, tendo acesso a  fornecedores do interior dos rios. Com a morte do marido, em 1829, o filho de ambos, Honório Pereira Barreto, retornou de Portugal, onde estudava, para a Guiné, a fim de dar seguimento aos negócios da família com a mãe. A cooperação entre ambos expandiu suas transações comerciais, permitindo o domínio da região de Cacheu a Zinguinchor até o final de 1850. Contrariando as determinações da Inglaterra, davam continuidade ao tráfico de cativos para o Brasil e o Caribe. 

Na metade do século XIX, a casa comercial de Dona Rosa ganhou um monopólio virtual no que diz respeito as transações no norte da região, do que virou depois a Senegambia portuguesa. O censo de 1856 mostra que ela detinha a propriedade de fazendas onde se cultivavam arroz e algodão com base na exploração de mão-de-obra escrava, e que 15% dos(as) escravizados(as) de Cacheu pertenciam a ela e ao filho. A morte de Honório em 1859 –  na época ele era governador de Guiné – contribuiu para o declínio de suas operações. Ela morreu alguns anos depois, no início da década de 1860.

Sua trajetória exemplifica as possibilidades de mulher africana empreendedora e poderosa.  A família dos Barreto e Alvarenga continuou a integrar a elite guineense até os dias atuais.

BIBLIOGRAFIA

BROOKS, George E. Western Africa and Cabo Verde, 1790s-1830s: symbiosis of slave and legitimate trades. Bloomington: Author House, 2010.

HAVIK, Philip J. Silences and soundbytes: the gendered dynamics of trade and brokerage in the pre-colonial Guinea-Bissau region. Munster: LIT Verlag, 2004.

HAVIK, Philip. “Rosa de Carvalho Alvarenga”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 2,  p. 38-39.

MOTA, Avelino Teixeira da. Um luso-africano: Honório Pereira Barreto. Lisboa: Sociedade de Geografia de Lisboa, 1959.

Theme: Overlay by Kaira.