Marina Abramovic – A arte de desafiar os próprios limites


marina-abramovic-rhythm10-1973

Considerada como a avó da performance, iniciando sua carreira no início dos anos 70, sem parar desde então, suas obras costumam tratar sobre o tempo, as relações, a identidade, os limites do corpo e as possibilidades da mente. Sua primeira performance aconteceu em Edinburg, em 1973, chamada de Rhythm 10, em que explora elementos do ritual e do gesto, com o uso de vinte facas e dois gravadores de fita, a artista joga o jogo da Rússia, que consiste em realizar com uma faca, movimentos rítmicos entre os dedos abertos da mão. Cada vez que ela se cortava, pegava uma nova faca da fileira de vinte. Depois de cortar-se vinte vezes, ela respondeu a fita, ouviu os sons, e tentou repetir os mesmos movimentos, tentando reproduzir os erros, mesclando passado e presente. Neste trabalho, a artista explora as limitações físicas e mentais do corpo – a dor e os sons do esfaqueamento, os sons da história e da replicação.

Já em Rhythm 0 (1974), uma das suas performances mais conhecidas, Marina dispôs de 72 objetos sobre mesas que poderiam dar prazer ou dor. Em uma mesa, por exemplo, estavam batom, vinho, uvas, e na outra, tesoura, garfo, faca, chicote e uma arma carregada com uma bala. Com estes objetos, o público estava convidado para fazer o que quiser com a artista que ficou à disposição por seis horas. Logo, no início, o público reagiu com precaução e pudor, mas logo depois, os espectadores começaram a atuar com violência e agressividade, deixando a artista ao final, com as roupas rasgadas, tratando-a como uma boneca, sendo o mais chocante, apontar a arma carregada para a Abramovic. Nesta performance, a artista pôde concluir que a tirania, a dominação e a superioridade estão tão fortes e presentes no âmago humano.

Em Art must be beautiful… artist must be beautiful… (1975) a artista questiona as convenções, os padrões e a estética em um vídeo de pouco mais de 13 minutos em que Marina compulsivamente escova seus cabelos, falando que a arte deve ser bela, o artista deve ser belo e nada mais.

Em sua performance mais extensa, realizada no MoMA intitulada de The artist is present (2010), a artista passou por horas, sentada imóvel frente a uma mesa e cadeira, na qual um espectador era convidado por turno a sentar-se em sua frente e ficar o tempo que achasse necessário, sem comunicação verbal. Desta forma, se podia ter uma experiência pessoal com a artista, através da sua serenidade e de seu comportamento impassível. O momento mais emocionante, sem dúvida, foi quando seu antigo namorado, companheiro de viagem, o também artista alemão Ulay, fez uma aparição surpresa, no dia da inauguração, voltando a se encontrarem depois de 22 anos de separação.

Confira abaixo algumas obras e vídeos da artista (Clique nas imagens para ampliá-las):

marina 010-marina-abramovic-theredlist V12marina03_zoom marina_abramovic_self_port_with_skeleton-752537 marina 050-dragon-heads marina_performance03

SOBRE A ARTISTA:
Marina_Abramović_(2014) Artista sérvia, nascida em 1946. Estudou na Academia de Belas Artes de Belgrado entre 1965 e 1970 e realizou estudos de pós-graduação na Academia de Belas Artes de Zagreb, em 1972.

Links:
Site oficial: www.mai-hudson.org
Entrevista no Canal Contemporâneo sobre o seu trabalho.

Leave a comment

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>