Problematizações sobre políticas da arte na licenciatura em artes visuais : é preciso gostar da arte de outro jeito, a licenciatura é uma praça, de Carmen Lúcia Capra


A tese apresenta a problematização de políticas da arte na licenciatura em artes visuais indagando sobre como certos modos de operar com a arte nesse curso produzem efeitos sobre os professores em formação. Efeitos como a demarcação de lugares, modos de ser ou certas concessões em relação às artes visuais são analisados, tendo em vista a docência para a educação básica. Utilizaram-se metodologias artísticas de investigação, adotando-se como procedimento as residências em duas universidades públicas brasileiras onde existem cursos de licenciatura em artes visuais e experiências artísticas com fotografia, escrita e intervenções em folhas de papel almaço, consideradas como um elemento característico de situações de educação. A metodologia também assumiu uma perspectiva teórica desenvolvida com o estímulo foucaultiano em articulações ao pensamento de Jacques Rancière, Giorgio Agamben, Georges Didi-Huberman, Carlos Skliar, Jorge Larrosa, Jan Masschelein e Maarten Simons, entre outros, permitindo conexões entre a filosofia, a arte e a educação. Na constituição discursiva da licenciatura em artes visuais, foi possível identificar vínculos entre uma estrutura política e uma prática moral implementadas por uma economia da arte. Observou-se que a formação docente assume o discurso do campo artístico, considerando-o como o princípio a ser adotado pelos professores, o que produz diferentes lugares e modos de ser dos licenciandos em relação à arte. A partir daí foi possível descrever as principais bases componentes da formação docente, a base estética e a base criadora, que atendem à estrutura teórica e poética da arte Quando tais bases são conectadas à educação, contribuem à ênfase no sujeito e aliam-se a promessas de liberdade e progresso. Em consonância à atitude adotada desde a composição da metodologia da pesquisa, propõe-se a inserção de uma base política na licenciatura em artes visuais como a possibilidade de perturbar as operações com a arte atribuídas à formação docente e à educação escolar. Como atitude, a política daria condições de realizar as indagações necessárias à arte e à educação indo além da reafirmação das experiências do artista e do espectador, da autonomia da arte e do viés biográfico que atravessa a constituição desse campo. Essas operações, no curso de licenciatura, mantêm o tom metafísico da experiência e do conhecimento artístico e fazem germinar sobre a docência o exame moral esvaziador do agir político necessário à arte e à educação. A atitude política de eliminar as distâncias e redistribuir os lugares de experiência com a arte na licenciatura em artes visuais pode produzir existências artísticas nascentes em lugar de modos de ser delineados por outros. Como contribuição, aponta-se que profanar o que tornou-se sagrado e afastado do uso comum, como certos modos de ser, posses e direitos sobre a arte, pode dispo-la ao uso livre na escola.

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Abstract

This thesis presents the problematization of the politics of art int the graduation on Visual Arts inquiring how certain ways of operating with the arts in this course affect the teachers under training. Effects as the mapping of the places, ways of being or certain concessions in relation to the training to the Visual Arts are analyzed, having in sight the teaching in basic education. Artistic methodologies of investigation were used: residences at two Brazilian public universities where there are undergraduate courses in Visual Arts; and artistic experiences such as photography, writing and interventions on lined sheets of paper, which are considered a typical element of learning situations. The methodology also assumed a theorical perspective developed with the Foucaultian stimuli in articulation with the thought of Jacques Rancière, Giorgio Agamben, Georges Didi-Huberman, Carlos Skliar, Jorge Larrosa, Jan Masschelein and Maarten Simons, among many, allowing connections among Philosophy, Arts and Education. In the discursive constituion of undergraduation in Visual Arts, it was possible to identify links between a political structure and a moral practice implemented by an economy of the art. It was observed that the teaching training assumes a discourse at the aisthetic field, considering it the principle to be adopted by teachers, which produces different places and ways of being on the undergraduates in relation to art. From this on it was possible to describe the main component basis of the teaching training, the esthetical basis and the creative basis which attend the thoeorical and poetic structure of the arts When those are connected to education, they contribute to the emphasis on the subject and are allied to promises of freedom and progress. In accordance to the attitude adopted since the composition of the methodology of research, it is proposed the insertion of a political basis at the undergraduation course of Visual Arts as a possibility to disturb the operation with art attributed to teacher training and to school education. As an attitude, the politics would give conditions to realize the necessary questioning to the art and to education, going beyond the reaffirmation of the artist experiences and the expectator, the authonomy of the arts and the biographical bias which goes through the constitution of this field. These operations, in the course of undergraduation, maintain the metaphysical tone of the artistic experience and knowledge and make germinate over the teaching the emptying moral scrutiny of the political acting to Arts and Education. The political attitude to eliminate distances and redistribute the places of experiences with art at the undergraduation course of Visual Arts may produce artistic rising existences instead of ways deliniated by others. As contribution, we poit out that to profanate what became holy and distant from the common use, as certain ways of being, possessions and rights over the art, may dispose it to the free use of the school.


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