O trabalho da artista Emily Jacir nos faz pensar sobre as questões étnicas, das fronteiras e ocupação territorial, principalmente sobre o conflito de Israel com a Palestina.
Em sua obra De onde viemos (Where we came from, 2001-2003), Jacir, com um passaporte americano em mãos, pergunta a mais de 30 palestinos que vivem em meio ao conflito de ocupações territoriais: “Se eu pudesse fazer alguma coisa por você, em qualquer lugar da Palestina, o que seria?”. Dentre os pedidos realizados: jogar bola com o primeiro garoto que encontrar na rua, colocar flores no túmulo da mãe, pagar uma conta, dentre outros. A obra constitui-se pelos registros fotográficos da realização do pedido, algo impossível de ser realizado por algumas pessoas que não podem entrar no país, acompanhados de uma narrativa escrita.
A obra “Bethlehem street corner” (1998) consiste de um díptico de duas diferentes formas codificadas da cultura globalizada: uma pilha de camisetas dobradas com uma imagem em preto e branco do cantor Kurt Cobain, líder da banda Nirvana de rock grunge que estourou nos anos 90, com as datas do seu nascimento e morte dramática (1967-1994), e uma pilha igual de keffiyehs preto e branco, um sinal político mundial de solidariedade com a Palestina. Coincidindo com a morte de Kurt Cobain em 1994, a Autoridade Palestina foi criada em Gaza e na Cisjordânia. Jacir, que foi à cidade de Belém fotografar, ao longo da primeira Intifada, testemunhou em primeira mão a assinatura dos Acordos de Oslo, quando camisetas com o rosto de Kurt Cobain estavam em todos os mercados e nas ruas. Esta obra além de pensarmos sobre a cultura globalizada, também nos indaga sobre a diferença entre o ocidentalismo e o oriente, do porque as camisetas de Cobain são mais conhecidas hoje e os keffiyehs se ocultaram.
A artista nos provoca a abrir os olhos para outras culturas, as diferenças que ocorrem entre políticas, economias e religiões de um país a outro, especialmente entre ocidente e oriente. As obras da artista nos indagam sobre as verdades construídas a partir do pensamento ocidental, trazendo a tona outras perspectivas sobre o modo como vivemos. Se você pudesse fazer alguma coisa sobre o mundo em que vivemos, que arte você faria?
Algumas obras – Clique nas imagens para ampliar:
SOBRE A ARTISTA:

Nascida em 1970, a artista palestiniana, passou a infância na Arábia Saudita, cursando o ensino médio na Itália. Ela se formou em arte a partir do Colégio Memphis of Art. E hoje, divide seu tempo entre Roma, Itália e Ramallah. Seu trabalho aborda as questões étnicas, os conflitos, as guerras, de forma singela.
Links relacionados:





