Artigos científicos, sites, reportagens  e relatórios usados para basear a discussão na podfiction. Abaixo separamos de acordo com o tema principal do(s) episódio(s):

Artigos Científicos

Mulheres perdem auto-estima ainda criança

  • Lin Bian, Sarah-Jane Leslie and Andrei Cimpian, “Gender stereotypes about intellectual ability emerge early and influence children’s interests”, Science, v. 355, 389 (2017) 

 

E a perda de auto-estima continua na adolescência

 

Incentivo de um familiar, professor, parceiro para seguir na carreira

 

Estereótipos que afastam mulheres da ciência

 

As meninas são mais propensas do que os meninos a relatar sentimentos negativos em relação à matemática, embora ambos os sexos tenham performance similar na área

  • Jane Hutchison, “Boys and Girls Are Equally Equipped to Succeed in Math”, Psychology Today (2018)
  • Sara M. Lindberg, Janet S. Hyde, Jennifer L  Petersen and Marcia C. Linn,  “New trends in gender and mathematics performance: A meta-analysis”
  • . Psychological Bulletin, v. 136, 1123 (2010)

 

Incentivo à participação de mulheres em Olimpíadas

  • Nara Martini Bigolin, Mariana Bigolin Groff, Natália Bigolin Groff, Sidnei Renato Silveira, “Meninas Olímpicas: estimulando o protagonismo feminino nas ciências e tecnologia”, Cadernos de Gênero e Tecnologia, v 12, n 39 (2019)

 

Reportagens, sites e relatórios

  • Apoio dos pais é importante para as mulheres escolherem carreiras em ciência:
  1. https://www.education.com/magazine/article/girls-math-science-engineering/
  2. https://news.umich.edu/a-stem-parent-boosts-girls-participation-in-science-degrees/
  • Exemplos de piadas sexistas de professores: 
  1. Reportagem Portal Geledés, “Alunas denunciam machismo de professores em ação no Mackenzie” (2016)
  2. Reportagem da Zero Hora,  “Piada de professor sobre leis e mulheres gera polêmica entre estudantes da PUCRS”, (2015)
  3. Site Meninas na Ciência, campanha #Esseémeuprofessor: www.ufrgs.br/meninasnaciencia/campanhas 

Artigos científicos

 

Baseados exatamente no mesmo curriculum, avaliadores preferem contratar o homem

  • Corinne A. Moss-Racusin, John F. Dovidio, Victoria L. Brescoll, Mark J. Graham, and Jo Handelsman, “Science faculty’s subtle gender biases favor male students”, PNAS, v 109, 16474 (2012)

 

Quando as/os alunas/os pensam que a/o professor é um homem, a mesma aula é classificada com melhor nota. 

 

Viés de gênero que favorece candidatos do sexo masculino nos financiamentos de pesquisa 

 

Para serem promovidas para o nível superior das bolsas de produtividade em pesquisa, em 2005 as mulheres precisavam ter o dobro das publicações que os homens. Após detectarem este viés, o problema foi resolvido

 

Viés de gênero nas colaborações : Mulheres tendem a colaborar mais com mulheres do que homens com mulheres

  • Eduardo B. Araújo , Nuno A. M. Araújo, André A. Moreira , Hans J. Herrmann, José S. Andrade Jr, “Gender differences in scientific

collaborations: Women are more egalitarian than men”, Plos ONE,  v. 12,  e0176791 (2017).

 

 

Viés de gênero na divisão de trabalho nas aulas de laboratório

  • Katherine N.  Quinn, Kathryn L. McGill, Michelle M. Kelley,  Emily M. Smith,  and N. G. Holmes, “ Who does what now? How physics lab instruction impacts student behaviors“, https://arxiv.org/abs/1807.09724

 

Viés de gênero nas diferentes áreas da ciência e como equidade é atingida a partir de um certo limiar

 

Viés de gênero afeta a ciência

 

A maneira como as pessoas se referem a profissionais depende do seu gênero e isto altera a maneira como elas são percebidas por outros

  • Stav Atir and Melissa J. Ferguson, “How gender determines the way we speak about professionals”, PNAS, v 115, 7278 (2018)

 

Algumas pessoas têm maior relutância que outras para aceitar as evidências de preconceitos de gênero

  • Ian M. Handley, Elizabeth R. Brown, Corinne A. Moss-Racusin, and Jessi L. Smith, “Quality of evidence revealing subtle gender biases in science is in the eye of the beholder”,  PNAS, v 112, 13201 (2015)

 

Homens tendem a referenciar mais trabalhos de homens do que de mulheres

 

Comitês que não reconhecem a existência do viés ou preconceito implícito promovem menos mulheres 

  • Isabelle Régner, Catherine Thinus-Blanc, Agnès Netter, Toni Schmader and Pascal Huguet, “Committees with implicit biases promote fewer women when they do not believe gender bias exists”, Nature Human Behavior,  v 3,  1171 (2019)
  • Cristina Dezso, David Gladdis Ross, Jose Uribe, “ Is there an implicit quota on women in top management? A large-sample statistical analysis”, Strat. Mgmt. J., v. 37, 98–115 (2016)

 

Inovações inovadores criadas por minorias mulheres são menos consideradas

  • Bas Hofstra, Vivek V. Kulkarni, Sebastian Munoz-Najar Galvez, Bryan He, Dan Jurafsky, and Daniel A. McFarland,  “The Diversity–Innovation Paradox in Science”, PNAS, v 117, 9284 (2020) 

 

Reportagens, sites e relatórios

 

Artigos científicos sobre violência política de gênero

  • Flávia Biroli, “Violence against Women and Reactions to Gender Equality in Politics”, Politics & Gender , v 14 , 681 (2018)
  • Biroli, Flávia. 2016a. “Political Violence against Women in Brazil.” Direito & Práxis, v 7, 557 (2016).
  • Mona Lena Krook and Juliana Restrepo Sanín, “The Cost of Doing Politics? Analyzing Violence and Harassment against Female Politicians”, Perspectives on Politics, v 18, 740 (2019) 

 

Alguns números de assédio moral no Brasil

  • Celia Anteneodo, Carolina Brito, Alan Alves-Brito, Simone Silva Alexandre, Beatriz Nattrodt D’Avila, and Débora Peres Menezes, “Brazilian physicists community diversity, equity, and inclusion: A first diagnostic”, Phys. Rev. Phys. Educ. Res. 16, 010136 (2020)
  • Vilma Zotareli,   Anibal Faúndes,  Maria José Duarte Osis,  Graciana Alves Duarte,  Maria Helena de Sousa, “Gender and sexual violence among students at a brazilian university”, Revista Brasileira de Saúde Materno Infantil, v 2, n 1 (2012) 
  • Cristiane Batista Andrade and Simone Gonçalves Assis, “Assédio moral no trabalho, gênero, raça e poder: revisão de literatura”, Rev. bras. saúde ocup. vol.43, e11. (2018).

 

Reportagens, sites, podcasts e relatórios

 

Artigos Científicos

 

 

Podcasts de ciência

 

 

Reportagens, sites e relatórios de instituições internacionais

 

Artigos científicos sobre Efeito Tesoura 

 

A perda de representatividade feminina ocorre mesmo antes da escolha da carreira

 

E continua no decorrer da carreira de física

 

  • Elisa Baggio Saitovich, Betina Lima e Marcia C. Barbosa,  Mulheres na Física: por que tão poucas?, In: Mulheres na Física, Elisa M. B. Saitovirch, Renata Z. Funchal, Marcia C. B. Barbosa, Suani R. R. de Pinho e Ademir E. Santana, Organizadores, Livraria da Física, São Paulo, 2015.

 

A presença de mulheres diminui quando organizações se tornam mais poderosas

 

  • Roberta Peixoto Arêas da Silva, Carolina Andréa Nodari, Manoel Cardoso, Ademir E. Santana and Marcia C. Barbosa, “Misogyny in Brazilian Federal Government Agencies for Science and High-Education “ , Anais da Academia Brasileira de Ciências (2021)

 

A diminuição do percentual de mulheres está em todos as áreas da ciência

 

  • Roberta Arêas, Alice R. de P. Abreu, Ademir E. Santana, Marcia C. Barbosa  and Carlos Nobre, “Gender and the scissors graph of Brazilian science: from equality to invisibility “, https://osf.io/m6eb4
  • Roberta Arêas, Alice Abreu., Carlos Nobre,  Marcia C. Barbosa and Ademir E. Santana, “Androcentrism in the Scientific Field: Brazilian Systems of Graduate Studies, Science and Technology as a case study”, https://osf.io/8x2uz

 

Um degrau a mais na escada: as mulheres perdem espaço ao passar para o  nível máximo da carreira acadêmica, que é a Academia Brasileira de Ciências

  • Nathália C Ferrari, Raquel Martell, Daniela H. Okido, Grasiele Romanzini, Viviane Magnan, Marcia Barbosa e Carolina Brito, “Geographic and Gender Diversity in the Brazilian Academy of Sciences”, An. Acad. Bras. Ciênc.,  v.90 no.2 (2018)

 

Reportagens, sites, podcasts e relatórios

 

O efeito tesoura é universal, ocorrendo em todas as carreiras e em todos os países do mundo que temos medidas. Alguns exemplos:

 

No mundo corporativo

 

Nas artes

 

Na  economia

 

Efeito tesoura na Europa

 

Efeito tesoura na comunidade de física brasileira

 

 

Algumas causas do efeito tesoura 

 

Estereótipos de gênero, perda de autoestima (episódios 01 e 02), preconceito implícito  (episódio 03), assédio (episódio 04)  são também causas do efeito tesoura. Abaixo destacamos outras causas que não foram ainda referenciadas em episódios anteriores:

 

As mulheres são responsáveis por trabalhos domésticos e de cuidado, os quais em muitos casos não são levados em conta na economia formal

 


Este sentimento leva a uma redução nos objetivos da carreira e afeta mais as mulheres do que os homens


As microagressões de gênero, também chamadas de “picadinhas de mosquito”,  são apontadas como uma das principais causas de perda de ambição das mulheres

  • Tafnes Varela Martins, Tiago Jessé Souza de Lima e  Walberto Silva Santos, “O efeito das microagressões raciais de gênero na saúde mental de mulheres negras”, Ciência e Saúde Coletiva, v 25, no 7 (2020)


Exemplos de migroagressões comuns são o mansplaining  e o manterrupting. O primeiro acontece quando um homem explica coisas óbvias à mulher, muitas vezes repetindo o que ela acaba de dizer e o manterrupting é a interrupção quando a mulher está falando

Observação: há referências sobre assédio sexual e moral que foram citadas no episódio 4 e não estão repetidas aqui. 

Artigos científicos

Assédio sexual é banalizado em ambientes de trabalho e escolares

  • Jennifer M. Wolff, Kathleen M. Rospenda, and Anthony S. Colaneri, “ Sexual Harassment, Psychological Distress, and Problematic Drinking Behavior among College Students: An Examination of Reciprocal Causal Relations”, J Sex Res., v. 54, 362–373 (2017).
  • Paula A. Johnson, Sheila E. Widnall, and Frazier F. Benya, “ Sexual Harassment of women: Climate, Culture, and Consequences in Academic Sciences, Engineering, and Medicine”, The National Academy Press, USA,(2018).


É também comum não haver denúncia e ser ignorado pelas instituições


Devemos usar a ciência para resolver o problema

 

Reportagens, sites, podcasts e relatórios

Ao longo da podfiction, enfatizamos a falta de diversidade de gênero, mas a ciência é também pouco diversa em termos de raça, orientação sexual e distribuição geográfica também

  • Nathália C Ferrari, Raquel Martell, Daniela H. Okido, Grasiele Romanzini, Viviane Magnan, Marcia Barbosa e Carolina Brito, “Geographic and Gender Diversity in the Brazilian Academy of Sciences”, An. Acad. Bras. Ciênc.,  v.90 no.2 (2018)
  • Viviane Morcelle, G. Freitas and Zélia Maria Da Costa Ludwig, “From school to university: An overview on STEM (Science, Technology,Engineering and Mathematics) gender in Brazil”, Quarks:Braz. Electronic J. Phys. Chem. Mater. Sci.1, 1 (2019)
  • Celia Anteneodo, Carolina Brito, Alan Alves-Brito, Simone Silva Alexandre, Beatriz Nattrodt D’Avila, and Débora Peres Menezes, “Brazilian physicists community diversity, equity, and inclusion: A first diagnostic”, Phys. Rev. Phys. Educ. Res. 16, 010136 (2020)

 

Mas e daí, por que diversidade importa?

Além de ser uma questão de justiça, há muitas razões para lutar por maior diversidade. Abaixo citamos alguns exemplos:

Diversidade implica uma ciência melhor


Mulheres têm mais chance de se machucar em acidentes de carro porque os manequins de teste têm estatura de um homem médio


Mais diversidade de gênero e étnica, mais citações em artigos do grupo

  • Kendall Powell, “These labs are remarkably diverse — here’s why they’re winning at science”, Nature 558, 19 (2018)


Diversidade traz vantagens econômicas

 

Grupos sub representados fazem mais inovação, embora isto não os beneficie em suas carreiras

  • Bas Hofstra, Vivek V. Kulkarni, Sebastian Munoz-Najar Galvez, Bryan He, Dan Jurafsky, and Daniel A. McFarland, “The Diversity–Innovation Paradox in Science”, PNAS, v 117,  9284 (2020)

 

Como algumas instituições estão enfrentando o assédio 

Há cientistas famosos obrigados a se demitir ou pedir licença em função de casos de assédio

 

Assediadores perdem grant do NIH, uma importante agência de fomentos americana

 

Cientistas podem ser expulsos da Academia Americana de Ciências

  • Meredith Wadman, “National Academy of Sciences to allow expulsion of harassers”, Science (2019)

 

Revisão de homenagens a cientistas

 

Alguns casos de sucesso da luta por maior diversidade e inclusão

Mulheres pesquisadoras com bolsa ganham direito à licença maternidade


Alguns editais de concursos e bolsas estão levando em conta a maternidade na hora de pontuar as candidatas

 

Alguns editais  que dão visibilidade às mulheres na ciências

 

Ações afirmativas nos EUA e a curva de aumento de PhD em função do tempo

 

Editais que apoiam criação de grupos de promoção de meninas na ciência

 

Muitos projetos para atrair mulheres para as ciências foram criados a partir destes editais

 

Movimentos internacionais em prol de equidade de gênero

 

Grupos de gênero em Sociedades Científicas e eventos

Ao longo da história, é mencionado inúmeras vezes que Carlota trabalha com as “partículas diferentonas”. Carlota quer condensar férmions e para isto ela tem uma teoria mas precisa prová-la experimentalmente. Ela enfrenta dúvidas por parte de alguns colegas, porque durante muito tempo se pensou que seria impossível condensar férmions e que esta ideia não funcionaria. Carlota era pressionada a continuar fazendo “mais do mesmo” e estudar a condensação dos bósons. Isto seria tentador porque garantiria seu trabalho de pesquisa com um tema pelo qual o seu orientador era já conhecido.

 

Este foi o problema que  Debora Jin resolveu. Ela foi considerada por seus colegas a pioneira na pesquisa de átomos e moléculas ultrafrios. Deborah conseguiu fazer um condensado de férmions, as “partículas diferentonas” sem que eles se tornassem bósons, as “partículas patota”.

 

Deborah Jin nasceu em uma família que amava ciência, o pai era físico e a mãe era física mas trabalhava como engenheira. Faz a graduação na Universidade de Princeton que tem um enorme prestígio. Faz o doutorado na Universidade de Chicago com Thomas Felix Rosenbaum, físico muito famoso que atuava na supercondutividade, uma área que desenvolve técnicas para estudar comportamento coletivo de elétrons em materiais a baixas temperaturas. Já nesta época ela mostra suas qualidades ganhando o prêmio Allen Shenstone.

 

Seria natural para Deborah continuar sua pesquisa em supercondutividade, mas ela resolveu explorar outros caminhos. Ela resolve explorar temperaturas ainda mais baixas.  Vai para a Universidade do Colorado ser pós-doutora do grupo de Eric Allen Cornell que estudava o comportamento atômico e não coletivo de materiais. Ela aprende a dominar uma série de novas técnicas experimentais.  Eric Allen Cornell tinha seu foco nos bósons (partículas patota) pelo que ele e Wolfgang Ketterle ganharam o Nobel em 2001. Seria tentador para Deborah explorar outros aspectos dos bósons, mas ela novamente segue outra trajetória.

 

Ela monta seu próprio grupo de pesquisa já como docente na Universidade do Colorado e inicia uma pesquisa para formar condensados de férmions. Esta era uma pesquisa de grande risco, pois ao tentar juntar os férmions, eles poderiam virar bósons e recairia no que Cornell e Ketterle haviam descoberto, condensados de bósons. Aliás, esta era a aposta dos dois pesquisadores. A disputa certamente não foi fácil para a jovem pesquisadora. Ela confrontava a concepção de dois pesquisadores de muito poder e ganhadores do prêmio Nobel.

 

Deborah, no entanto, descobriu algo fantástico, controlando a interação dos elétrons era possível construir um condensado com partículas não grudadas e formavam pares similares aos pares de Cooper que ela estudou no doutorado. Ao transitar sobre diversas áreas ela adquiriu uma visão sistêmica que permitiu a inovação.

 

Detalhes sobre a descoberta dela podem ser assistidos no vídeo.

 

Infelizmente, Deborah Jin faleceu em 2016 por causa de um câncer quando tinha apenas  47 anos.   Jin havia recebido vários prêmios por sua pesquisa, incluindo uma bolsa MacArthur, o Prêmio APS Maria Goeppert-Mayer, o Prêmio APS II Rabi e a Medalha Isaac Newton do Instituto de Física, em 2013 o prêmio Loreal-Unesco para Mulheres na Ciência representando a América do Norte e  o Comstock Prize (11 min no vídeo) em Física da US National Academy of Science. Ela foi membro da APS e membro da U.S. National Academy of Sciences.

 

 

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