Orientações do setor de Enfermagem sobre a DENGUE

Senhores Pais e/ou Responsáveis:

Como todos devem estar acompanhando nas mídias estamos vivenciando uma epidemia de casos de Dengue. Esse documento tem por objetivo orientar e auxiliar a entendermos o que é a DENGUE.

A dengue é uma doença febril aguda, sistêmica (que acomete várias partes do corpo), dinâmica, debilitante e autolimitada (quer dizer que ela tem um tempo de evolução, com início, meio e fim). A maioria dos doentes se recupera, porém, parte deles podem progredir para formas graves, inclusive virem a óbito. A quase totalidade dos óbitos por dengue é evitável e depende, na maioria das vezes, da qualidade da assistência prestada e organização da rede de serviços de saúde. Todas as faixas etárias são igualmente suscetíveis à doença, porém indivíduos com condições preexistentes com as mulheres grávidas, lactentes, crianças (até 2 anos) e pessoas > 65 anos têm maiores riscos de desenvolver complicações pela doença.

O Aedes aegypti é o nome da principal espécie que transmite os vírus da dengue, o vírus causador da febre chikungunya e o Zika vírus. Essa espécie tem como característica a presença de marcações brancas nas pernas e no dorso (em formato de uma lira). É um mosquito doméstico, que vive dentro ou ao redor de domicílios ou de outros locais frequentados por pessoas, como estabelecimentos comerciais, escolas.

Os sintomas inicias incluem: febre (39°C a 40°C) de início repentino e apresentar pelo menos duas das seguintes manifestações – dor de cabeça, prostração, dores musculares e/ou articulares e dor atrás dos olhos – DEVE PROCURAR IMEDIATAMENTE UM SERVIÇO DE SAÚDE, a fim de obter tratamento oportuno.  Após o período febril, com a diminuição da febre (entre 3° e o 7° dia do início da doença), alguns sinais de alarme podem estar presentes e marcar o início da piora no indivíduo. Esses sinais indicam o extravasamento de plasma (que é a parte líquida do sangue) dos vasos sanguíneos e/ou hemorragias, tendo os seguintes sintomas:

  • dor abdominal (dor na barriga) intensa e contínua;
  • vômitos persistentes;
  • acúmulo de líquidos em cavidades corporais (ascite, derrame pleural, derrame pericárdico);
  • hipotensão postural e/ou desmaio;
  • letargia e/ou irritabilidade;
  • aumento do tamanho do fígado (hepatomegalia);
  • sangramento de mucosa;

TRANSMISSÃO

O vírus da dengue (DENV) pode ser transmitido ao homem principalmente por via vetorial, ou seja, pela picada de fêmeas de Aedes aegypti infectadas. Transmissão por via vertical (de mãe para filho durante a gestação) e por transfusão de sangue são raros.

DIAGNÓSTICO

Não existe necessidade da realização de exames específicos para o tratamento da doença, já que é baseado nas manifestações clínicas apresentadas. No entanto, para apoiar o diagnóstico clínico existem disponíveis técnicas laboratoriais para identificação do vírus (até o 5° dia de início da doença) e pesquisa de anticorpos (a partir do 6° dia de início da doença). MAS DEVE-SE PROCURAR IMEDIATAMENTE UM SERVIÇO DE SAÚDE.

TRATAMENTO

O tratamento é baseado principalmente na reposição de líquidos adequada. Por isso, conforme orientação médica, em casa deve-se realizar:

  • Repouso; e Ingestão de líquidos;
  • Não se automedicar e procurar imediatamente o serviço de urgência em caso de sangramentos ou surgimento de pelo menos um sinal de alarme. Retorno para reavaliação clínica conforme orientação médica.

Ainda não existe tratamento específico para a doença

Portanto, é importante que medidas preventivas devam ser adotadas. Nesse sentido, além das ações realizada pelos agentes de saúde (quando eles forem a sua casa os receba e auxilie na procura de focos do mosquito), a população deve fazer a sua parte:

  • uso de telas nas janelas e repelentes em áreas de reconhecida transmissão;
  • remoção de recipientes nos domicílios que possam se transformar em criadouros de mosquitos;
  • vedação dos reservatórios e caixas de água;
  • desobstrução de calhas, lajes e ralos;
  • participação na fiscalização das ações de prevenção e controle da dengue executadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Quando a questões de prevenção individuais, sugerimos que as crianças venham de casa fazendo de uso de repelente, inclusive por cima das roupas. O mosquito Aedes tem hábitos diurnos, diferente dos demais mosquitos que circulam por aqui.

Abaixo se encontra uma tabela com algumas opções de repelentes conhecidos e mais comercializados no mercado brasileiro.

O Colégio de Aplicação tem tomado as medidas cabíveis ao que tange sua responsabilidade: manter os espaços de pátio com a grama cortada, orientando para que não haja acúmulo de lixo nos espaços, bem como avaliar a existência de possíveis focos do mosquito no colégio.

Contamos com a ajuda de todos, incluindo pais e alunos para que possamos prevenir que a Dengue chegue até nós.

Qualquer dúvida, sugestões e/ou reclamações estou a disposição no e-mail: micaela.koch@ufrgs.br.

Atenciosamente

Porto Alegre, 01 de março de 2024.

Micaela Koch Schmitt

COREN RS 142663 ENF

Mestra em Educação

Especialista em Saúde Mental

Enfermeira da UFRGS / Colégio de Aplicação