Participações…

No primeiro semestre de 2019, tivemos participação em bancas de qualificação e defesas finais, em nível de graduação e mestrado. No curso de Pedagogia, integramos a avaliação do trabalho de conclusão de curso de Vitória Sant’Anna Silva, de título “A dimensão educativa da escola de samba: uma pesquisa bibliográfica”. Vitória realizou sua investigação com orientação da profa. Dra. Karine Santos e discutiu os saberes produzidos naqueles espaços segundo cinco pesquisas de pós-graduação, indiciando potenciais articulações entre os campos artístico-popular e educacional.

No mestrado, foram quatro bancas, em quatro linhas de pesquisa diferentes (Filosofia da Diferença; Ensino de Geografia; Trabalho, Movimentos sociais e Educação; e Educação, Cultura e Humanidades). Primeiramente, participamos da qualificação do projeto de Mariana Horlle, sob orientação do Prof. Dr. Máximo Adó, “As lacunas de Órion: arquivo e testemunho na Educação Social. Neste caso, conhecemos uma interessante escrita no limiar entre realidade e ficção, a nos provocar sobre a prática do educador social. Em seguida, estivemos com colegas do Programa de Pós-Graduação em Geografia para a apreciação do projeto de Felipe da Costa Franco, orientado pelo prof. Dr. Nestor André Kaercher, “Educação para além das aulas: a relação educativa com o espaço”, no qual o autor nos propõe analisar a apropriação do espaço escolar pelos jovens estudantes de uma escola de ensino médio de Porto Alegre.

A terceira defesa foi o exame de qualificação da proposta de Salete V. Facco, orientanda da Profa. Dra. Maria Clara Bueno Fischer, de título “Trabalho, educação e saberes: experiências de mulheres quilombolas em Porto Alegre/RS”. Salete se propõe a uma metodologia dialógica de oficinas de produção artesanal com vistas a compreender como mulheres quilombolas conservam seus saberes tradicionais. Por fim, a defesa final da dissertação de Ricardo G. Pfitscher, “Disposições e estratégias nas transições de estudantes de curso tradicional da Universidade Federal do Rio Grande do Sul”. Com orientação da Profa. Dra. Célia Caregnato, Ricardo discutiu a transição para o ensino superior de estudantes trabalhadores que ingressaram no curso de Odontologia noturno da UFRGS e, para tanto, estabeleceu pertinente apropriação das contribuições de Pierre Bourdieu e Bernard Lahire.

O período de 2019/01 foi também o da participação no 8° Congresso Ibero americano em Investigação Qualitativa, Lisboa, Portugal, com o trabalho “Individuação em periferias urbanas: aportes desde a produção de narrativas”. Uma versão expandida da apresentação realizada online pode ser encontrada aqui. O texto completo consta na aba ‘Publicações’ do blog. Neste artigo, agraciado com uma menção honrosa, procuramos discutir as condições de individuação em contextos de periferia urbana da cidade de Porto Alegre, destacando aspectos metodológicos na produção e análise de narrativas de itinerários biográficos.

Mais recentemente, por fim, tivemos o lançamento do livro ‘Direitos humanos em debate: educação e marcadores sociais da diferença’, em 04/09. O Enunciar cotidianos participou na organização do Ciclo que originou a publicação e tem entre os artigos uma introdução ao eixo ‘Direito à cidade, juventudes e gênero’. É possível fazer o download do livro completo gratuitamente no site da editora. Ver aqui.

Diálogos na pós-graduação

No segundo semestre de 2018, como atividades concernentes à vinculação ao Programade Pós-Graduação em Educação (PPGEDU/UFRGS), iniciamos a docência e a orientação em temáticas relativas aos projetos de pesquisa que temos conduzido. São três orientandos de mestrado no momento, com os seguintes temas: jovens e o trabalho no comércio de drogas ilícitas; juventudes e ensino médio em tempos de reformas; e Murga uruguaia e participação juvenil.

As disciplinas que ministramos foram o Seminário Avançado ‘“Periferias” e processos de individuação: aproximações a práticas e itinerários juvenis’, a Prática de pesquisa ‘Práticas culturais e trabalho em meios populares: itinerários de pesquisa’ e o Seminário Especial ‘Juventudes e periferias: experiências de pesquisa’, sendo que para este contamos com a participação da Profa. Dra. Shirlei Rezende Sales (Observatório da Juventude – PPGEDU/UFMG) e do Prof. Dr. Mário Sérgio I. Brum (PPGECC/UERJ).

Junto ao Programa, as disciplinas e as orientações estão vinculadas à linha de pesquisa ‘Trabalho, movimentos sociais e educação’. A partir delas, procuramos trazer à discussão as vivências de pesquisa em contextos socialmente vulnerabilizados, bem como introduzimos referentes para compreender a socialização e os processos de individuação em periferias urbanas, particularmente no que tange às juventudes. Então, as atividades culturais-artísticas, as experiências da educação e as produções laborais compõem o quadro de práticas desde o qual estamos produzindo nossas narrativas.

Participando…

No segundo semestre de 2018, tivemos participação em pelo menos três importanteseventos. O primeiro deles foi a roda de conversa “Interação dialógica, impacto acadêmico e intervenções fotográficas em ações de extensão”, junto à exposição“Fotografia e o fazer do DEDS – sentidos a partir do olhar extensionista”, promovida pelo Departamento de Educação e Desenvolvimento Social da universidade (DEDS/UFRGS). A roda foi realizada no Museu da UFRGS no dia 10 deagosto e tivemos a oportunidade de compartilhar experiências na produção de imagens fotográficas em projetos de extensão e pesquisa.

Já no final do mês de outubro, organizamos a mesa redonda ‘Direito à cidade, juventudes e gênero’, como atividade integrada ao Ciclo Direitos Humanos em Debate, promovido pela Faculdade de Educação/UFRGS durante todo o ano de 2018. Então, recebemos as professoras Betânia Alfonsin (PUCRS) e Shirlei R. Sales (UFMG) e o professor Mário Sérgio I. Brum (UERJ) para discutir relações de poder, direitos e escrituras produzidas na produção dos espaços sociais.

Participamos também da ‘8ª Conferencia Latino Americana e Caribeña de Ciencias Sociales –Primero Foro Mundial del Pensamento Crítico’, entre os dias 19 e 23 denovembro, em Buenos Aires. O evento reuniu conferencistas de diferentes regiões do mundo e contou com expressivo número de painelistas inscritos, em diversos temas. O propósito do evento concernia ao debate sobre as lutas por democracia e justiça social, especialmente no continente latino americano. Então, integramos o eixo ‘Juventudes y políticas de infancia’ e apresentamos o trabalho “Juventudes, práticas culturais e trabalho: reflexões sobre suportes e diferenciação laboral nas periferias”.

Participação na Reunião ANPEDSUL 2018

Participamos da XII Reunião Científica Regional da ANPED, realizada entre os dias 23 e 26 de julho de 2018, na Faculdade de Educação da UFRGS. Além de compor a comissão organizadora do evento, apresentamos trabalho no eixo 03, ‘Educação Popular e Movimentos Sociais’, intitulado “Redes do entorno escolar: diálogo com moradoras idosas do bairro Restinga/Porto Alegre”.

O tema do evento foi ‘Educação, democracia e justiça social’, visando provocar debates concernentes ao momento político que vivemos no país, assim como aos ataques que a área de educação vem sofrendo, na forma de restrição de recursos ou de projetos que tendem a cercear a autonomia da comunidade escolar.

Nosso trabalho versou sobre interlocuções com integrantes da ala das baianas de escola de samba sediada no bairro Restinga, assinalando as redes sociais que foram suportes significativos à produção das experiências daquelas mulheres, em contextos onde os recursos sociais e a presença do Estado é insuficiente e desigualdades de classe e gênero se fazem muito expressivas. Então, o lugar da escola é problematizado desde o espaço de possíveis dos sujeitos.

Interlocuções…

 

Em 2017/02, tivemos a oportunidade e o privilégio de participar de duas iniciativas educativas importantíssimas na Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS. Primeiramente, no mês de julho, foi ao ar a entrevista dada à Rádio da UFRGS, no programa ‘Estação Cidadania, promovido pelo Departamento de Educação e Desenvolvimentos Social (DEDS) da universidade. Participaram Maria Loiva Nascentes, ativista na Restinga, e professor Leandro R. Pinheiro, coordenador do Enunciar Cotidianos.

Na entrevista, foi possível apresentar a Linha e comentar algumas das iniciativas realizadas junto com moradores do bairro Restinga, durante a efetivação do projeto de extensão ‘Para enunciar cotidianos, imagens da periferia (2 ed.)’. A partir deste, foram produzidos ensaios fotográficos, um vídeo documentário e uma exposição de imagens na Casa de Cultura Mário Quintana em 2015. Os entrevistados puderam falar também sobre a realidade do bairro, a atuação cultural de jovens e o lugar da escola em seus itinerários. A entrevista pode ser escutada aqui.

Já em outubro, participamos do ‘Ciclo de Debates PPSC 20 anos’. O ciclo comemorava a extensa atuação do Programa de Prestação de Serviços à Comunidade da UFRGS, conduzido junto à Faculdade de Educação. Foi composto de quatro encontros com palestrantes e mediadores em temas concernentes às juventudes, violência, educação social e políticas públicas. Prof. Leandro R. Pinheiro foi mediador no encontro de 30/10, na temática “Garantia de direitos para crianças e adolescentes no cenário de regressão das políticas sociais”, apresentado pela profa. Tatiana Reidel (Programa de Pós-Graduação em Política Social e Serviço Social).

Juventudes, sociabilidades e estetização – curso de extensão

No primeiro semestre de 2017, realizamos o curso de extensão Juventudes, sociabilidades e estetização: para refletir “periferias”. Os encontros se deram no formato de rodas de conversa e tinham por objetivo debater sobre as práticas culturais e relações de sociabilidade de jovens em contextos socialmente vulnerabilizados, considerando a articulação com a estetização das relações sociais contemporâneas.

As rodas de conversa ocorreram a cada duas semanas, na Faculdade de Educação-UFRGS. Adotamos um conjunto de leituras que pudessem nos referenciar nas discussões, como as contribuições de Georg Simmel e Gilles Lipovetsky, e passamos, depois, a abordar textos sobre as mudanças ocorridas em diferentes dimensões na experiência juvenil no Brasil nos anos 2000.

Os participantes dos cursos eram educadores sociais e professoras em sua maioria. Foi a oportunidade de estendermos nossos diálogos a mais profissionais atuantes em localidades de periferia e aprender no tensionamento entre leituras e diferentes experiências de atuação educativa.

 

 

Itinerários versados – redes e identizações nas periferias de Porto Alegre

O trabalho realizado junto ao projeto Enunciar cotidianos – Faced/UFRGS integrou as atividades do 5º Ciclo de Estudos: Metrópoles, Políticas Públicas e Tecnologias de Governo, realizado no Instituto Humanitas Unisinos no primeiro semestre de 2017. Professor Leandro R. Pinheiro ministrou a conferência Itinerários versados: redes, pertenças e modos de ser nas periferias de Porto Alegre no dia 10 de maio/2017, procurando lançar provocações sobre a diferenciação que vem constituindo os contextos periféricos associados a situações de vulnerabilidade social. Destacou também elementos para se refletir sobre a produção de identidades em tais territórios desde as redes sociais que os atores sociais podem constituir. Assista à palestra aqui.

Da participação no Ciclo, derivou a publicação do artigo Itinerários versados: redes e identizações nas periferias de Porto Alegre no Caderno IHU Ideias (n 260, v. 15). Ali, os principais elementos apresentados na conferência são revisados, sugerindo vetores de análise para construção identitária em periferias ao considerar diferenciações etárias e redes potenciais de participação. O texto pode ser encontrado neste blog, em Publicações.

Também é possível encontrar debate concernente na entrevista A pluralidade das periferias: da mobilização coletiva ao reconhecimento das individualidades, publicada pelo Instituto Humanitas em 26 de maio/2017. Acesse aqui.

 

5º Ciclo de Estudos: Metrópoles, Políticas Públicas e Tecnologias de Governo – A centralidade das periferias brasileiras

 

O Instituto Humanitas Unisinos – IHU propõe a realização da quinta edição do Ciclo de Estudos: Metrópoles, Políticas Públicas e Tecnologias de Governo, no sentido de compreender as metrópoles e seus movimentos enquanto reinvenção dos espaços políticos e suas formas de construção, olhando atentamente para as dinâmicas que ocorrem a partir das periferias e que colaboram decisivamente para a referida reinvenção. Esta compreensão permitirá explorar as metrópoles à luz dos conceitos de multidão e do comum, de forma a perceber nelas os diferentes modos de ser e existir que se forjam nas singularidades das periferias brasileiras, podendo inspirar possibilidades e limites quanto a (re)invenção do(s) espaço(s) político(s) e suas formas de construção, no sentido da superação dos atuais modelos de construção política e participação cidadã, numa perspectiva de cocriação e coprodução.

 No dia 10/05, às 19h30, haverá a conferência Itinerários versados – redes, pertenças e modos de ser nas periferias de Porto Alegre, com o  Prof. Dr. Leandro Rogério Pinheiro (UFRGS)

Local: Sala Ignacio Ellacuría e Companheiros – IHU

 

 

 

Leia mais informações aqui.

 

Novo encontro na Restinga

Em 24 de março, realizamos o terceiro grupo de discussão sobre as atividades de “tempo livre” no bairro Restinga, desta vez com a participação de estudantes da Escola Estadual Raul Pilla. Os debates anteriores, realizados em janeiro, contaram com moradores e ativistas idosos, adultos e jovens-adultos. Este procurou contemplar as práticas de jovens-adolescentes.

Procuramos garantir uma distribuição equilibrada entre meninos e meninas, considerando ainda os diferentes anos do ensino médio e distintas tomadas de posição em relação às práticas escolares.

Contrastados aos demais grupos, este se destacou pela diversidade das referências culturais citadas para seus cotidianos. De uma parte, poderíamos aventar uma vivência da condição juvenil de maneira mais plena, dada a vivência institucional escolar ampla, sem que precisem trabalhar até o momento. De outra, parece haver um aproveitamento intenso da diversidade de opções de consumo, com algumas incursões pela língua inglesa.

Há um considerável consumo de narrativas ficcionais de TV e internet (seriados e novelas), ampla fruição musical e um gosto disseminado pelas redes sociais, em especial aquelas com postagens mais curtas e instantâneas. O objetivo da navegação estaria sobretudo na interação e sociabilidade.

Além disso, foi possível observar segmentações de gênero (um tanto tradicionais) nas opções de lazer e no acesso ao espaço público. Apesar dos riscos interpostos pelos agentes do tráfico, os jovens (especialmente, os meninos) demonstram resistir, fazendo incursões em grupo para festas ou para jogar futebol nos campos do bairro. As meninas, embora também ocupem o espaço público, diziam tender a atividades em casa, em função dos riscos da rua.

 

 

 

O que levamos das ocupações nas unidades da UFRGS?


As ocupações de diversos institutos e faculdades da UFRGS teve fim na semana anterior ao natal, mas, conforme os ocupantes, a movimento não termina com a saída dos prédios, apenas se modifica a forma de atuar. O primeiro espaço ocupado foi o Prédio de Salas de Aula do Instituto de Letras, no dia 26 de setembro, em seguida, outras dezenas de cursos também optaram pela ocupação.

O movimento não surgiu com a UFRGS nem com as universidades. Protestar por meio de ocupações no ambiente estudantil começou no Chile, em 2011; no Brasil, escolas paulistas foram as primeiras em 2015. Em cada momento, havia pautas correspondentes ao contexto político; as ocupações de escolas, institutos federais e universidades em 2016, das quais UFRGS fez parte, teve como principais objetivos barrar a PEC 55 (241), a MP 746 e o Projeto Escola sem Partido; além de pautas referentes a cada ocupação.

Para manter a ocupação e buscar maior efetividade, é necessário muito engajamento e participação, inclusive e principalmente para superar o desgaste e as pressões para sair dos espaços. A forma de organização, embora existam algumas variações, foi bastante semelhante na UFRGS: havia busca por horizontalidade tanto na divisão de tarefas, quanto na tomada de decisões, sendo realizada por meio de assembleias. O senso de coletividade mostrou-se essencial nessa forma de manifestação, havendo, ainda, consideráveis esforços para fazer as minorias serem contempladas nas deliberações, não sendo necessário apenas a aprovação de um número maior de pessoas para decidir posicionamentos.

Pensando nas aprendizagens resultantes do processo de ocupação, estudantes afirmam que ela mostrou a importância de estar inserido em atividades políticas e de buscar a mudança que se deseja, tanto diretamente, no dia a dia, quanto por pressão aos que atuam em instâncias de poder institucional. Na ocupação do espaço público, foi preciso conviver e produzir atividades e experiências de forma compartilhada e redefinir formatos e prioridades. Talvez, um dos desafios das manifestações políticas, especialmente das ocupações universitárias nesse caso, seja sair da esfera acadêmica, ainda elitista, e acessar o cotidiano das pessoas, sendo mais influente.

Laís Webber, estudante de Letras