E agora, José?, por José Saramago


Drummond

Em crônica pouquíssimo conhecida no Brasil, o escritor português inspira-se em Drummond para refletir sobre “as horas em que o o desânimo se faz muralha” e a covardia dos homens.

E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?

E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio — e agora?

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse…
Mas você não morre,
você é duro, José!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, para onde?

Carlos Drummond de Andrade

Você pode ouvir a crônica aqui.

 

Lançamento do livro ‘Itinerários Versados’


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Na noite de sexta-feira (08 de julho), ocorreu o coquetel de lançamento do livro ‘Itinerários Versados’ de Leandro R. Pinheiro (ORG.) e demais co-autores. O evento aconteceu na Livraria Cultura do Bourbon Shopping Country e recebeu a apreciação de familiares e amigos dos escritores do livro.

Bolsistas do Projeto ‘Para enunciar cotidianos, imagens da periferia’ realizam diálogo com graduandos da Escola de Enfermagem (UFRGS).


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Na quarta-feira (08 de junho), os alunos e bolsistas do Projeto ‘Para enunciar cotidianos, imagens da periferia’ realizaram um diálogo com uma turma de graduação em Saúde Coletiva da Escola de Enfermagem da UFRGS.

Os integrantes do projeto foram convidados pelo professor Daniel Canavese (ENF-UFRGS) com o intuito de partilhar experiências a partir da metodologia usada no desenvolvimento das atividades no bairro Restinga. Além disso, essa interlocução tinha por objetivo sensibilizar os graduandos para maneiras diferentes de imaginar e expor o conhecimento e a prática acadêmica, tomando a expressão imagética e as narrativas como meios de engajamento da participação e da criatividade das pessoas.

 

 

Exposição no Espaço Sapato Florido na Casa de Cultura Mário Quintana


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Fotografias emolduradas, decoração de exposição, coquetel, visitantes e clima de festa: este foi o cenário do final da tarde do dia 08 de dezembro de 2015, que recebeu os autores dos ensaios fotográficos e os colocou de frente às suas composições.

A exposição no Espaço Sapato Florido, localizado no quinto andar da Casa de Cultura Mário Quintana, procurava resgatar a vivacidade dos diálogos e reflexões construídos com moradores da Restinga, em 2015. Entre eles, mulheres ativistas em temas político-culturais do bairro, e que integram a ala das baianas da escola de samba União da Tinga, e estudantes da EJA da EMEF Lidovino Fanton.

A exposição foi também palco de um encontro entre autores dos ensaios, dançarinos do grupo de Break Dance Restinga Crew e graduandos dos cursos de licenciatura da UFRGS. A celebração contou com as performances das senhoras da ala das baianas e dos bboys, que integraram também rodas de conversa com os presentes.

A exposição durou até final de janeiro e em abril será reeditada no bairro Restinga.

 

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