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Encerramento do questionário de pesquisa

Gostaríamos de comunicar a todos o encerramento do preenchimento do questionário da pesquisa “Trajetórias de Educação Permanente no Sistema Único de Assistência Social no Rio Grande do Sul”, que estava disponível no blog desde 7 de junho de 2017.

Dando sequência a pesquisa, os dados coletados no questionário serão analisados e, posteriormente, os resultados da pesquisa serão socializados no blog.

Agradecemos a participação dos 103 trabalhadores/as do SUAS que responderam  ao questionário e ressaltamos que o blog e a página do facebook do grupo de pesquisa Trabalho, Educação e Política Social continuarão ativos.

O teatro como estratégia para o trabalho no CREAS

Segue abaixo um vídeo produzido pela equipe técnica do CREAS do município de Panambi /RS com a participação de crianças e adolescentes dos serviços do SUAS. O vídeo retrata o importante tema da violência infrafamiliar.

O teatro como estratégia para o trabalho no CREAS

Segue abaixo um vídeo produzido pela equipe técnica do CREAS do município de Panambi /RS com a participação de crianças e adolescentes dos serviços do SUAS. O vídeo retrata o importante tema da violência infrafamiliar. OBS: As imagens estão autorizadas.

Publicado por Grupo de Pesquisa Educação, Trabalho e Políticas Sociais da UFRGS em Segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

OBS: as imagens estão autorizadas. 

11ª Conferência Nacional de Assistência Social

 

 

A Conferência Nacional de Assistência Social é organizada pelo CNAS juntamente com o Ministério do Desenvolvimento Social e tem o objetivo de avaliar os avanços do Sistema Único de Assistência Social (SUAS), assim como a propositura de diretrizes visando o aperfeiçoamento do Sistema, de acordo com o disposto no inciso VI do artigo 18 da Lei nº 8.742, de 07 de dezembro de 1993, através da Portaria Conjunta nº 2, de 12 de dezembro de 2016, publicada no Diário Oficial da União em 13/12/2016.

A 11ª Conferência Nacional de Assistência Social foi convocada ordinariamente e será realizada em Brasília, Distrito Federal, no período de 05 de dezembro a 08 de dezembro de 2017.  O tema da Conferência será  “Garantia de direitos no fortalecimento do SUAS” e são previstas cerca de 2.000 pessoas para participar da Conferência, entre delegados, palestrantes, observadores e convidados.

Para mais informações acerca da Conferência acesse aqui.


Fonte:  Conselho Nacional de Assistência Social

PROCESSOS DE EDUCAÇÃO PERMANENTE NAS SITUAÇÕES DE TRABALHO NO SUAS

Está disponível na revista Sociedade em Debate (Vol. 23 N. 2 – Dezembro de 2017) o artigo escrito por Rosa Maria Castilhos Fernandes referente aos processos de educação permanente nas situações de trabalho no SUAS. O artigo socializa os resultados de uma pesquisa sobre a Educação Permanente no Sistema Único de Assistência social-SUAS na região metropolitana do RS. Situa a educação permanente a partir de pressupostos teóricos, como sendo um processo desencadeado por experiências vivenciadas pelos profissionais nas situações de trabalho no Suas, diante das contradições presentes neste contexto. As análises são apresentadas a partir de uma perspectiva dialética cujas reflexões apontam uma possível agenda de educação permanente no SUAS, construída coletivamente pelos sujeitos participantes deste processo de investigação.

O artigo pode ser conferido aqui.


Fonte: Revista Sociedade em Debate

Jornada SUAS em Cachoeira do Sul


Convidamos a todos para participar da “Jornada SUAS: participação, democracia e direitos sociais”, evento público promovido pela Secretaria Municipal do Trabalho e Ação Social – STAS de Cachoeira do Sul RS, que ocorrerá no período de 20 a 26 de novembro de 2017 na Praça José Bonifácio (Rua Sete de Setembro, 1183, Centro).

O SUAS (Sistema Único de Assistência Social) como uma das mais importantes conquistas sociais no país, compreende a multiplicidade de serviços, programas e políticas que impactam diariamente na qualidade de vida de milhões de brasileiros. Os Programas do Governo Federal – Cadastro Único e Programa Bolsa Família – compõem a política de assistência social e, em Cachoeira do Sul, fazem parte da realidade de mais de 23.000 cidadãos, entre os quais, cerca de 3.800 famílias são beneficiárias do Programa Bolsa Família. Toda programação do “Jornada SUAS” traz a perspectiva do reconhecimento e instrumentalização dos sujeitos envolvidos com a política de assistência social, com ênfase nos Programas Sociais mencionados acima.

O “Jornada SUAS” visa compreender o elo substancial da participação coletiva, controle social que possibilita a descentralização das decisões e pleno acesso aos direitos sociais integrando a totalidade de expressões sociais que compõem o escopo da política de Assistência Social. Para tanto, convidamos a todos (as) sujeitos individuais e coletivos a fazer parte deste momento e juntos perceber caminhos possíveis para a participação, democratização dos espaços de controle social e reconhecimento do SUAS. 

A programação do Jornada SUAS compreende o “I Encontro Municipal de Grupos Populacionais Tradicionais e Específicos do CadÚnico” na intencionalidade de fortalecer a auto-identificação, o reconhecimento cultural, a alteridade e o protagonismo social dos povos, bem como o “III Encontro Municipal do Programa Bolsa Família” promovendo encontro entre usuários e profissionais envolvidos com o programa para o reconhecimento dos benefícios, condicionalidades e discussões para sua qualificação. Além disso contaremos com espaços privilegiados de Educação Permanente para   profissionais da Rede Socioassistencial.

Confira a programação completa da jornada aqui.


Fonte: Secretaria Municipal do Trabalho e Ação Social de Cachoeira do Sul/RS.

Nota de repúdio do Conselho Nacional de Assistência Social

NOTA DE REPÚDIO DO CNAS RELATIVA AOS CORTES DA PROPOSTA ORÇAMENTÁRIA DA ASSISTÊNCIA SOCIAL 2018

O Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS manifesta sua indignação com o desrespeito à Política Nacional de Assistência Social, e ao previsto na Lei Orgânica de Assistência Social, a Resolução CNAS nº 33 de 12 de dezembro de 2012 – NOB SUAS 2012 e também desconsideração da Resolução CNAS nº12, de 19 de julho de 2017 que aprovou a Proposta Orçamentária para 2018.

O Ministério do Planejamento, revelando descaso com toda a população Brasileira, apresentou ao Legislativo a Proposta Orçamentária em questão com um corte das despesas dos serviços, programas, projetos das Assistência Social, no valor de R$ 3.109.445.448,00, representando o percentual de corte de 98,05% e, das despesas dos benefícios destinados as pessoas idosas e com deficiência no valor de R$ 3.851.527.531,00 com percentual de corte de 6,52%.

Para o CNAS, todos os recursos da Assistência Social são obrigatórios , exatamente porque são essenciais para materializar direitos sociais constitucionais. O tema é especialmente relevante neste ano conferencial: 99% dos municípios realizaram suas conferências municipais e deliberaram sobre a Garantia de Direitos no Fortalecimento do SUAS.

A Assistência Social representa cerca de 13,9 milhões de famílias beneficiadas do Programa Bolsa Família, quase 14 mil entidades de Assistência Social no Brasil, 5.570 municípios que ofertam serviços diretamente e mais de 600 mil trabalhadores no Sistema Único de Assistência Social – SUAS e não podemos aceitar a escolha do Governo Federal que tem por opção a retirada de Direitos Sociais e que toda esta parcela da população Brasileira seja totalmente desconsiderada no panorama Nacional com as necessidades básicas avaliadas como descartáveis e que fiquem a mercê dos interesses econômicos de poucos.

Exigimos que nossos direitos sejam preservados, somos uma parcela significativa desta Sociedade. São mais de 3 bilhões retirados dos Serviços que atendem diretamente a população. Cabe evidenciar o impacto da ausência desses recursos para sociedade brasileira, nos serviços de acolhimento ofertados nos municípios brasileiros que deixarão de receber recursos em equipamentos estatais e da sociedade civil, para oferta de abrigos cerca de 30 mil crianças e adolescentes, 36 mil idosos, 20 mil adultos e famílias que se encontram em situação de rua ou desabrigo por abandono.

O impacto na proteção básica da política de assistência social atingirá 2 milhões pessoas na quase totalidade dos Municípios que deixarão de desenvolver a manutenção e fortalecimento de vínculos familiares, evitando rupturas que levariam a maior atuação do Estado futuramente.

No Cadastro Único, instrumento utilizado por mais de 20 programas sociais federais para a seleção de beneficiários, a ausência de recursos dificultará a inclusão e a atualização de informações sobre as famílias de baixa renda, prejudicando o acesso aos programas sociais;

No caso do Programa Bolsa Família, a ausência de recursos implicará na falta de acompanhamento de aproximadamente 170 mil famílias que possuem crianças com irregularidades na frequência escolar e carteira de vacinação, restringindo a possibilidade de alteração das condições de pobreza vivenciadas por essas crianças e adolescentes.

A última Conferência Nacional de Assistência Social deliberou o II Plano Decenal da Assistência Social – 2016/2026, que circunscreveu a Assistência Social às estratégias de enfrentamento da pobreza, ampliação da seguridade social, universalização do SUAS e a integralidade das proteções sociais.
Entendemos e, por isso, repudiamos que os cortes na Assistência Social integram as opções do governo federal para redução no investimento público necessário para defesa, fortalecimento e ampliação da proteção social brasileira, na contramão das demandas sociais e da necessidade de ampliação de serviços previstos no II Plano Decenal.

O CNAS, como órgão colegiado, instância máxima de defesa dos direitos socioassistenciais, atuará junto a todas as instâncias do Poder Executivo, legislativo, Judiciário e Ministério Público, tendo em vista o descumprimento das normativas e legislações do SUAS para a garantia de direitos.
Por isso, convocamos vocês gestores públicos de todas as esferas, os Trabalhadores, os Usuários, as Entidades de Assistência Social, os Parlamentares, os Fóruns de Assistência Social, FONSEAS e CONGEMAS, os Conselhos Estaduais e Municipais de Assistência Social e outras representações, a unirem forças em defesa do Sistema Único de Assistência Social – SUAS e em defesa da seguridade social pública.

Não há futuro para a Política Pública de Assistência Social sem Seguridade Social Pública. NENHUM DIREITO A MENOS! #RESPEITEOSUAS!

Brasília/DF 20 de setembro de 2017.

CONSELHO NACIONAL DE ASSISTÊNCIA SOCIAL


Assine aqui o abaixo-assinado da nota de repúdio.

 

 

Audiência pública sobre corte do orçamento da assistência social será realizada na Câmara dos Deputados

Em atendimento a solicitação do Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS será realizada Audiência Pública para tratar sobre o corte orçamentário da Assistência Social para 2018 na Câmara dos Deputados no dia 25 de outubro, às 14h, no plenário III do Anexo II e vai contar com a presença dos diversos atores da Assistência Social em defesa do Sistema Único da Assistência Social – SUAS. A audiência é uma realização conjunta da Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público e da Comissão de Seguridade Social e Família. Será transmitida online pelo site da Câmara no link: http://www2.camara.leg.br/atividade-legislativa/comissoes/comissoes-permanentes/clp.

O requerimento de audiência foi feito pela Deputada Luzia Erundina e a Deputada Flávia Morais no qual foram convidados o CNAS, o FONSEAS (Fórum Nacional de Secretários(as) de Estado da Assistência Social), o CONGEMAS (Colegiado Nacional de Gestores Municipais de Assistência Social) e o Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão para participarem da audiência (requerimento completo da audiência disponível no link: http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=2152801). Após mobilização do Conselho Nacional no Congresso Nacional, vários deputados se dispuseram a auxiliar o CNAS contra o corte orçamentário de 2018 que poderá fechar vários equipamentos da assistência social. Uma importante iniciativa para recomposição do orçamento foram as sugestões de emenda feita pelo Deputado Federal Eduardo Barbosa, para a proposta orçamentária de 2018 (PLN 20/17), aprovadas nas Comissões de Seguridade Social e Família e de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência. As sugestões de emendas totalizam cerca de R$ 2,2 bilhões destinados a Proteção Básica e a Proteção Social Especial, de Média e de Alta Complexidade. Esse montante é muito superior ao encaminhado no Projeto de Lei Orçamentária Anual – PLOA pelo Executivo e superior também à Lei Orçamentária Anual – LOA 2017, mas ainda inferior ao aprovado pelo CNAS na Resolução nº12/2017.

O CNAS ressalta que as mobilizações devem continuar, pois a emenda ainda será apreciada pelo relator setorial Deputado Nilton Capixaba e pelo relator geral Deputado Cacá Leão e posteriormente votada no Congresso Nacional. Se você não assinou a nota de repúdio aos cortes da proposta orçamentária feita pelo CNAS assine no link: http://www.mds.gov.br/cnas/capacitacao-e-boas-praticas/manifestos-do-cnas/nota-de-repudio-atualizada.pdf/download


Fonte: Conselho Nacional de Assistência Social

Site: http://www.mds.gov.br/cnas
Blog: http://www.blogcnas.org/
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Programa Social em Questão sobre Educação Permanente

O programa Social em Questão da Rádio Universidade da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) do dia 09/10 foi sobre Educação Permanente e teve como convidada entrevistada a professora Rosa Castilhos.

Esse programa é fruto do  projeto de extensão “Serviço Social e Mídia: Novas Possibilidades Através da Interlocução na Rádio Universidade AM”, sob coordenação da professora Eliana Mourgues Cogoy, responsável pelo NEPMQS – Núcleo de Estudo, Pesquisa e Extensão em Serviço Social, Mídia, Cultura e Questão Social, do Depto. de Serviço Social da UFSM.

O programa acontece toda segunda-feira às 13h10. Para ouvir, sintonize na Rádio Universidade 800AM ou ouça online no link www.ufsm.br/radio.

Ouça abaixo o programa do dia 09.


Fonte: Programa Social em Questão e Radiotube.

A inviabilização e o desmonte do SUAS em tempos de aumento da demanda por assistência social

Entrevista realizada pela Revista IHU (Instituto de Humanitas Unisinos) On-line  com Jucimeri Isolda Silveira.


IHU On-Line — Como e em que contexto surgiu o Sistema Único de Assistência Social – SUAS?

Jucimeri Isolda Silveira — O Sistema Único de Assistência Social foi uma deliberação da Conferência Nacional de Assistência Social, que é a instância máxima dessa política, no momento em que era necessário afirmar e construir uma política de Estado. E, como política de Estado, o SUAS tem alguns elementos que são estruturantes e que hoje percebemos que estão ameaçados, como o repasse continuado de recursos do Fundo Nacional de Assistência Social para os fundos estaduais e municipais, a transferência automática e regular fundo a fundo, para que as demais esferas do governo possam decidir sobre a destinação desses recursos a partir da realidade local, com ofertas por serviços estatais e pelas entidades vinculadas ao SUAS.Outro elemento importante do SUAS é o funcionamento de instâncias deliberativas e de negociação e pactuação, o que, em uma política de Estado, é fundamental para poder corresponder aos desafios das demandas da sociedade e fortalecer nossa democracia. E isso também está em risco na medida em que os grandes pactos da Assistência Social não estão sendo cumpridos. A agenda de expansão de recursos em cumprimento ao II Plano Decenal de Assistência Social está congelada desde 2016. Então, o SUAS surge em 2003 como um compromisso de Estado, um grande pacto nacional, social para construir um sistema republicano, descentralizado, participativo, com uma evolução progressiva de recursos para poder atender às desproteções e enfrentar a desigualdade social em todo o Brasil.

IHU On-Line — Quantos Centros de Referência de Assistência Social – CRAS existem no Brasil hoje e qual é a importância deles do ponto de vista da assistência social no país?

Jucimeri Isolda Silveira — Uma das diretrizes fundamentais da Política Nacional de Assistência Social – PNAS, aprovada em 2004, e do SUAS é o que nós chamamos de territorialização, que é justamente implementar serviços e equipamentos estatais nos territórios mais vulneráveis. Nesse sentido, o Centro de Referência de Assistência Social – CRAS cumpre essa função na medida em que é um equipamento estatal público: existem mais de oito mil CRAS em todo o Brasil, que estão posicionados nos territórios mais vulneráveis e que têm uma função preventiva de situações de violação de direitos. Esses centros têm o papel de viabilizar o acesso da população em situação de pobreza e vulnerabilidades a um conjunto de benefícios e serviços e a outras políticas públicas, a partir de princípios como a universalidade no acesso à integralidade da proteção social na relação intersetorial. Portanto, o CRAS tem uma função muito importante de compor uma rede de proteção nos territórios.

IHU On-Line — Quais diria que foram os principais avanços na área de seguridade social no país desde a instituição do SUAS? De outro lado, quais são os limites do Brasil em relação a essa área?

Jucimeri Isolda Silveira — O grande avanço que nós tivemos com o Sistema Único de Assistência Social foi a implementação do que consideramos o maior sistema de proteção social não contributivo da América Latina. Isso porque a Assistência Social é uma política não contributiva, é uma política de Seguridade Social e, para acessá-la, não é necessário contribuir com a Seguridade. Outro avanço diz respeito à instituição do Benefício de Prestação Continuada – BPC, que é um pacto que se estabeleceu na sociedade brasileira para proteger a pessoa com deficiência e pessoa idosa, quando as famílias comprovam não ter condições de prover a subsistência dessas pessoas. Então, o BPC, que hoje atende mais de quatro milhões de pessoas, é um importante benefício de Assistência Social que compõe esse sistema, absolutamente ameaçado pelas investidas do governo, que podem resultar na redução de acesso, tendo em vista a previsão da reforma da previdência de ampliação da idade, e novos critérios excludentes de avaliação.

Além do BPC, há os serviços de assistência prestados nos CRAS e nos Centros de Referência Especializados de Assistência Social – CREAS, nos centros especializados em atender à população em situação de rua, no acolhimento a famílias e migrantes, crianças e adolescentes em situação de risco que precisam da proteção e tutela do Estado, pessoas com deficiência e idosas. Então, são oferecidos serviços na proteção básica que têm esse papel protetivo e de fortalecimento dos vínculos e das capacidades socioemocionais. Os serviços especializados na Assistência Social cumprem a sua função de proteger de modo integral e de modo a restabelecer vínculos familiares e comunitários, desenvolver protagonismos e autonomias. Só nos CRAS e nos CREAS, são referenciadas mais de 30 milhões de famílias; na Proteção Especial de Alta Complexidade, existem mais de 160 mil pessoas atendidas só nos acolhimentos institucionais. São realizados milhares de atendimentos diariamente pelos municípios, pelos mais de 600 mil trabalhadores e trabalhadoras do SUAS. Portanto, é uma rede ampla que atende todo o Brasil.

Agora estávamos iniciando outro estágio de desenvolvimento do SUAS que é, justamente, alcançar aqueles que ainda estavam fora do acesso a essa proteção e, mais do que isso, trabalhar princípios importantes em seguridade social e em sistemas universais de proteção social, que é a integralidade dos direitos humanos e das políticas públicas.
É essa fase do SUAS que está sob ameaça. Se nós não conseguimos nem manter aquilo que implantamos, como vamos integrar as demais políticas para enfrentar os fenômenos e os processos complexos da sociedade desigual, que é a violência, a desigualdade e a pobreza nos territórios das cidades brasileiras? Como avançar num cenário de desmonte de sistemas públicos e dos direitos? O cenário exigia ampliação de uma Seguridade Social pública acompanhada de reformas estruturantes. Mas o que existe é um processo de contrarreforma. Esse grande avanço que tivemos no Brasil no sentido de implementar um sistema universal não contributivo, que está integrado à Seguridade Social brasileira, precisaria ser consolidado como um sistema, ou seja, seria preciso expandir o acesso a esses serviços para territórios onde não há cobertura, integralizar melhor a proteção para aquelas situações que atendem crianças e adolescentes e outros públicos. Temos um desafio de avançar em territórios descobertos de proteção, a exemplo dos serviços de medidas socioeducativas em meio aberto que estão municipalizadas em pouco mais de mil municípios.

Assim, temos muitos desafios, a exemplo de públicos invisibilizados, como povos tradicionais e a outras populações no sentido de garantir os direitos humanos nas suas especificidades culturais. Precisamos consolidar e universalizar o SUAS. Mas o cenário atual de congelamento de recursos para a Assistência Social, de descontinuidade e redução dos recursos coloca em ameaça esse sistema, que é um sistema republicano.

IHU On-Line — Como você recebeu a notícia de que o orçamento para a área de assistência social será reduzido no próximo ano? Que programas e benefícios sociais serão prejudicados por conta do reajuste orçamentário?

Jucimeri Isolda Silveira —  Aproximadamente 59 bilhões de reais são necessários para cobrir o BPC a atual rede de serviços. Em geral, o orçamento obedece a uma série histórica, porque precisa manter os compromissos pactuados no SUAS, e, a partir de um diagnóstico nacional, deve-se planejar expansões à luz do plano decenal.

Todos os gestores e conselheiros dessa política estão perplexos não só com a aplicação do congelamento, diante do novo marco fiscal, medida trágica da chamada austeridade, mas também com a redução dos recursos até agora. O Conselho Nacional de Assistência Social havia aprovado um orçamento de mais de 59 bilhões em recursos, e o Planejamento encaminhou um teto orçamentário muito abaixo desse valor para cumprir a meta fiscal. Portanto, não há uma correspondência no orçamento aprovado pelo Planejamento e encaminhado ao Legislativo até agora, nem para a série histórica, nem para manter os recursos necessários para a Assistência Social.

IHU On-Line — Muitos pesquisadores da área de serviço social afirmam que há uma tentativa de desmonte do SUAS. Concorda com essa avaliação, ou a redução do orçamento acontece por conta da crise econômica que o país enfrenta?

Jucimeri Isolda Silveira — Como pesquisadora, militante dessa política e professora na área, acredito que há um desmonte, sim, porque existem outros sinais desse desmonte do sistema. Quais são os sinais que acredito que colocam em risco esse sistema? A redução de recursos é o sinal mais evidente, porque não houve, desde o início de 2016, nenhum recurso novo para a Assistência Social; houve apenas a manutenção dos recursos. Além disso, o atraso no repasse dos recursos pactuados é de mais de um bilhão e trezentos milhões de reais. Isso fere o princípio do repasse continuado fundo a fundo e traz insegurança para os gestores estaduais e municipais na medida em que o recurso deixa de vir mensalmente. A descontinuidade retoma a lógica anterior ao SUAS.

A Lei Orgânica de Assistência Social – LOAS estabelece que a Assistência Social prestará serviços continuados de forma gratuita e não contributiva. Os programas que são incluídos pelos governos devem complementar esses serviços, mas não substituí-los. No entanto, o Programa Criança Feliz, neste governo, ganhou mais centralidade do que o próprio SUAS. Apesar de se tratar de um programa novo, ele não utilizou recursos novos, e sim recursos — 300 milhões — dos serviços de convivência e fortalecimento de vínculos, que têm outra finalidade e que são prestados nos CRAS e por entidades. Então, não existe um recurso novo para um programa novo; o recurso foi retirado de um serviço continuado.

No orçamento de 2018 já aparece um recurso de um milhão para o Programa Criança Feliz, maior até do que os recursos para o CRAS. Então, tem uma previsão orçamentária de 800 mil reais para o CRAS e uma previsão orçamentária de um milhão para o Criança Feliz. Se o governo não recompor os recursos para o CRAS, se confirma essa centralidade do programa em relação ao CRAS. Embora esse programa seja importante, ele está sendo executado fora da lógica do SUAS, por equipes contratadas, de modo precarizado e com frágil atuação intersetorial, especialmente com a saúde. O Programa Criança Feliz não conseguiu envolver as outras secretarias, pois ele acompanha as crianças nos primeiros anos de vida, mas a saúde não está integrada suficientemente nesse programa. Então, é um programa que foi parar dentro do SUAS e, de certo modo, está ganhando mais centralidade do que o próprio SUAS.

Além disso, há um descumprimento do que foi aprovado: o Conselho Nacional é o órgão superior dessa política, que aprovou a proposta orçamentária de 59 bilhões para 2018 na resolução nº 12/2017, sendo 3 bilhões para manter a rede de serviços e pagar as parcelas em atraso. Mas os cortes em alguns serviços chegam a 99%. Essas são algumas evidências desse descompromisso que o sistema estatal coloca em risco. Portanto, não é apenas um cenário de crise; o que estamos vendo é a inviabilização de um sistema. Em um cenário de crise, políticas como essa deveriam ser protegidas pelo governo, e não descontinuadas, pois elas atendem à população mais vulnerável e enfrentam fenômenos complexos nas cidades, como a pobreza e as violências.

Para termos uma ideia, nas despesas obrigatórias não houve muitas mudanças, porque esse é um benefício constitucional. Mas, nas despesas chamadas discricionárias, houve 98% de redução no orçamento até agora. Inicialmente, havia uma previsão do Conselho Nacional de três bilhões, mas o que está previsto hoje no projeto de lei orçamentária é 60 milhões, ou seja, um valor bem abaixo do que foi previsto.

Estamos vendo, concretamente, que essa redução orçamentária está mobilizando nacionalmente os gestores, conselheiros e organizações da sociedade civil — que também recebem esses recursos por meio dos Fundos Municipais. Essa expressiva redução nos serviços de proteção básica, onde estão os CRAS, chegou a 99,96%, ou seja, passou de dois bilhões para 800 mil.

A estruturação básica de serviços, que contempla também as entidades, sofreu uma redução maior que 90%. O ACESSUAS, que é um programa de acesso ao mundo do trabalho, teve uma redução de 99%. Os serviços de proteção de média complexidade, que têm os CREAS e que atendem populações de risco, tiveram um corte de 99,9%. A previsão inicial era de 536 milhões de reais, mas foram aprovados somente 500 mil.

Para os serviços de atendimento institucional para crianças, especialmente aquelas que são acolhidas em abrigos, houve um corte de 99,8% no orçamento. Esses cortes orçamentários estão acompanhados de outros cortes, como o Bolsa Família, que é um programa que depende também dessa rede de serviços. O programa sofreu uma redução de 29 bilhões para 26 milhões, o que significa quase dois 2 milhões de famílias fora do Bolsa Família.

Então, se estamos em um cenário de crise, em que há um aumento da demanda por assistência social, mas as políticas sociais são retiradas, certamente haverá um aumento ainda maior da desigualdade. Na minha avaliação, se esses cortes progressivos continuarem, o SUAS será inviabilizado, ou seja, o serviço será fechado à população. Por isso é um golpe contra a população, a classe trabalhadora. Segundo dados do Ipea, os cortes nos próximos 20 anos serão de 868 bilhões para a assistência social. Para se ter uma ideia, o SUAS permitiu uma redução de 30% da pobreza e contribui para a melhoria do Índice de Desenvolvimento Humano – IDH e para a redução do trabalho infantil. Então, retirar esse sistema público significa retrocessos enormes na área social.

IHU On-Line — De que modo a redução do orçamento para a área de assistência social agrava as desigualdades no país?

Jucimeri Isolda Silveira — Os países que implantaram sistemas universais de proteção sabem que retirar a proteção social agrava a crise. O Brasil se comprometeu com vários acordos internacionais, como o piso de seguridade, com uma seguridade universal. O que está por trás do discurso da crise é uma nova proposta de assistência social, que seja residual e não estatal, que seja operada apenas pelas entidades e não pelo governo. Essas são as questões que se conflitam. Como o sistema hoje é forte, os governos locais sabem da importância dele para a população, justamente porque o sistema tem uma natureza de se integrar com outras políticas e desenvolver os territórios.

Embora a LOAS seja de 1990, até 2004 vivemos um período de filantropização que agora é retomado. Com o SUAS, a assistência social passa a ser uma política de Estado. Entretanto, sabemos que muitas entidades que atuam na área social não sobrevivem sem recursos continuados, ou seja, não dá para operar a assistência social somente com boa vontade. Temos que operá-la como uma política de Estado, como muitos países fizeram.

O que se coloca é uma disputa de projetos em que a política social não é central. O Estado está reduzido para as políticas sociais; para as populações mais pobres. O que percebemos é um Estado penal para a população em condição mais desigual e gerencial para os interesses do mercado e de grupos políticos que colonizaram o Estado. Não é isso que defendemos e por isso temos um movimento amplo em defesa da seguridade social universal. Hoje temos uma frente nacional formada por mais de 200 entidades e movimentos que assinaram a carta de apoio ao SUAS.

IHU On-Line – Deseja acrescentar algo?

Jucimeri Isolda Silveira —  Nos cenários de crise, muitas vezes adotamos uma postura muito pessimista, mas temos que cuidar para não cair no conformismo. É preciso reagir, ocupar espaços deliberativos, de participação, e não achar que a solução se encontra apenas na esfera do Estado. Então, a sociedade civil é quem deve antecipar um projeto de futuro. Temos que construir uma agenda de interesse da sociedade, dos usuários dos serviços sociais, da classe que vive do trabalho. Quando um cenário dessa gravidade está posto, as respostas devem ser da própria sociedade, dos movimentos sociais e organizações. Projetos humanizadores e que agreguem interesses diversos, que ajudem a encontrar soluções para o país no campo dos direitos, são fundamentais. Precisamos ter como horizonte uma nova sociedade, com um país justo, igualitário, democrático. O Direito e as políticas públicas cumprem um papel muito importante na construção de uma sociedade mais justa e igualitária, mas temos que lutar para manter estas conquistas tendo como horizonte uma sociedade emancipada.


Fonte: IHU Unisinos.