Drag: expressão artística transformadora

Ruby Catuaba

Aos poucos, passam a ser mais recorrentes nas mídias as representações na mídia de pessoas trans, não binárias e GNC (Gender Non-Conforming), o que escancara as centenas de possibilidades da expressão humana em relação a arte e cultura. Através do contato com a internet pude entender muito mais sobre a comunidade LGBTQIAPN+ e perceber o espaço coletivo que construímos juntes a partir dos distintos caminhos que trilhamos. 

Assim como na vida de modo geral, na arte drag encontra-se manifestações da diversidade humana, pessoas de todos os tipos e lugares com suas contribuições e perspectivas únicas. Cada drag traz consigo suas vivências, experiências e conhecimentos acumulados ao longo do tempo. São fantásticas as formas de abordagem que encontramos para compartilhar conteúdos e conhecimentos sobre os mais diversos temas, como, moda, arte, música, dança, design e marketing.

É partindo da etapa de explorar possibilidades que nos vemos transformados em drag queens, drag kings e drag queers. Quebramos as barreiras que nos limitam e nos excluem, usando a arte de maneira transformadora para criar espaços e oportunidades onde cada pessoa possa expressar-se livremente. 

expressão artistica transformadora
Foto: Kamaji Ogino
Fonte: CC Pexels

Por meio da arte pude me conectar com pessoas de diferentes expressões de gênero e de diversos modos de se fazer drags. Os exemplos que eu vi em hyperkings, hyperqueens, transformistas, drag queens, drag queers e drag queens foram fundamentais durante a formação da minha persona que está em constante expressão e transformação. 

Tive inspirações com drags como Lady Lazzarus, Venus Envy, Travis Fiero, John Ferri Venti, Naomi Smalls, Miss Fame, Violet Chachki, Dallas De Vil, Marcia Pantera, Vlada Vitrova, Danny Ma Fanny, Desmond is Amazing, Dima Arrest, Sugar and Spice, Manuel Fenty, Shea Couleé,  Sasha Velour, Manny Dingo, Magna Stone, TJ MAXXX, Rogue, Don Valentim, King Baba Moon, Rud Fiamino, Milo de Mix, Donatellu,  Richard Energy, Arrietty, Targét, Dollya Black, Graveyardvomit, Aurah Sin e Divo Ariel. Destaco ainda artistas como Candy Boom, Inn Sonya, Stella Puzzle Pride e Toxy Petrova que me acolheram e formaram uma família que me incentivou sempre a buscar novas ideias e a pensar fora das caixinhas binárias do padrão cisheteronormativo. Além desses citados, há sempre a inspiração através do contato com maquiadores, designers e artistas de todos os tipos. 

Foi a partir do experimento de possibilidades que surgem com a arte drag queen, que eu, Ruby Catuaba, pude expandir minha expressão de gênero e explodir a categoria binária que me impuseram. É a partir dessas vivências artísticas que me descobri novamente enquanto pessoa e artista. Isso me deu base durante minha transição de gênero e durante meu início na arte drag king. 

Drag king expressão artistica transformadora
Foto: Fernando Capetillo.
Fonte: CC Pexels

De maneira sincera, digo que através da arte drag queen e da arte drag king encontrei um espaço transformativo. Passei a construir e a inventar meu próprio caminho, que em diversos aspectos se choca contra os padrões cisheteronormativos de comportamento e expressão que me foram impostos. Atualmente me afirmo e vivo como uma pessoa trans, não binária e GNC e através das minhas descobertas artísticas permito-me expressar livremente de maneiras libertadoras. 

Pensando no quão importante foi, para mim, ter contato com diversas pessoas através da internet, opto por fazer das minhas mídias sociais (Instagram e Twitter) um lugar onde compartilho minhas vivências e abro espaço para que outras pessoas se inspirem e passem a experimentar novas possibilidades de expressão. Embarcar nessa jornada artística pode ser o seu caminho para a autenticidade, permita-se questionar, explorar o desconhecido e testar sua expressão de gênero.

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