EDITORIAL | Setembro: mês das causas, mês das cores

Prevenção ao suicídio, visibilidade da comunidade surda, conscientização sobre o câncer infantojuvenil e sensibilização à doação de órgãos. No mês de setembro, as cores amarela, azul, dourada e verde ganham novos significados.

O mês de setembro é marcado pelo início da primavera no Hemisfério Sul e todas as cores que ela revela. No entanto, não são só as cores da nova estação que colorem o nono mês do ano: são cores de pelo menos quatro causas. Para dar boas vindas às 21 novas cores que voltam a pintar a redação do Humanista no dia a dia, depois do recesso de inverno, o portal destaca a simbologia que setembro carrega.

Com a ascensão das redes sociais digitais, muitas das demandas que nos fazem existir como veículo jornalístico vem sendo cada vez mais disseminadas e isso gera impacto na sociedade, com várias implicações nos direitos humanos, o que nos leva a retomar os trabalhos reiterando sua importância. 

O mês já é tradicionalmente marcado pela campanha Setembro Amarelo, que aumentou sua notoriedade especialmente a partir das redes sociais, e com ênfase depois do lançamento de 13 Reasons Why, seriado da Netflix que aborda a saúde mental e o suicídio entre jovens. O fato é que a prevenção ao suicídio ainda é tabu e o jornalismo lida de forma controversa com o tema, como retrata o segundo episódio da primeira temporada do podcast #ConversaHumanista.

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), o suicídio já é a segunda maior causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos, ficando atrás apenas dos acidentes de trânsito e, na contramão da tendência mundial, o Brasil vê sua taxa de suicídio aumentar cerca de 7% em seis anos. A banalização do assunto preocupa profissionais da área e precisa ser debatida, já que existem medidas públicas e planos que podem ser executados para mitigar o aumento deste índice. O número do CVV (Centro de Valorização da Vida, 188) deve, sim, ser amplamente divulgado – e é também nosso papel fazê-lo -, mas também é necessário que estudos sejam feitos para avaliar e aperfeiçoar a efetividade de medidas como essa e políticas públicas sejam desenvolvidas.

Além do apelo pela prevenção ao suicídio, também colorem o mês de setembro outras três cores: azul, verde e dourado. O azul destaca a causa dos surdos, visando a uma maior inclusão da LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais), que é o segundo idioma oficial do Brasil.  A cor escolhida tem origem na Alemanha ainda nazista, quando os surdos eram obrigados a usar uma fita azul para serem identificados, seguindo a mesma lógica do uso da estrela de David entre os judeus. Hoje, a fita azul foi ressignificada e é usada com objetivo de identificação da causa. É importante lembrarmos que o Setembro Azul ocupa um espaço fundamental, já que muitas vezes a comunidade surda é apagada dos espaços de convívio público. A inclusão no Brasil (e no mundo) precisa sair do papel e se tornar efetiva.

Já o dourado, neste mês representa as crianças com câncer.  A ideia é criar uma força-tarefa de conscientização com pais, professores e profissionais da saúde, para que os primeiros sintomas não passem despercebidos e o diagnóstico seja feito de forma rápida. A campanha é essencial no Brasil que, por ser um país em desenvolvimento, tem maior taxa de incidência de casos em detrimento dos desenvolvidos: com uma população infantil de 50%, a proporção do câncer nas crianças representa de 3% a 10% do total de neoplasias.

Por fim, o verde chama a atenção para causas em que o diálogo é essencial. O Setembro Verde defende a importância da doação de órgãos e tecidos. O Brasil possui, por meio do SUS (Sistema Único de Saúde), o maior sistema de doações de órgãos público do mundo. O transporte desses órgãos é feito pelos aviões da FAB (Força Aérea Brasileira), numa parceria entre o Ministério da Saúde e o Ministério da Defesa.  Em 2018, a doação de órgãos caiu 20% no RS, segundo dados da Secretaria da Saúde, e a taxa de negação por parte das famílias é superior a 40%, número preocupante. Para além da responsabilização das famílias, também é importante entender falhas no momento de captação e abordagem. Campanhas como Uma vida pode salvar 8 e todos os esforços acabam sendo pouco neste contexto.

Ironicamente, todas essas matizes, amarelo, dourado, verde e azul, são as que ilustram a bandeira brasileira. Neste mês, representam causas que refletem parte dos problemas que o Brasil enfrenta em diversas esferas da saúde pública. Atualmente, 75% da população do país depende exclusivamente do SUS (Sistema Único de Saúde). Porém, na contramão da importância que o sistema público tem na vida dos brasileiros, congelamentos de gastos e cortes ameaçam o seu pleno funcionamento. O Humanista manifesta seu apoio às causas de todas as cores, e em defesa do SUS. Assim, esperamos que, no futuro, quando a primavera chegar, não precisemos falar de nada além das flores!

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