Espaço da Reitoria | O pró-reitor de Pesquisa, Flavio Kapczinski, apresenta o Bem Viver, programa que busca unificar e ampliar as iniciativas de promoção da saúde mental na Universidade
*Foto: Excerto do mural “As Profissões”, de Aldo Locatelli (1958), exposto na Sala do Conselho Universitário , na Reitoria da UFRGS
A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), atenta à realidade vivida pelas universidades públicas do Brasil, lidera uma pesquisa inédita sobre saúde mental no ambiente acadêmico. Quando se fala em saúde mental, a preocupação abrange estudantes, técnicos e professores. Essa comunidade vem sendo igualmente afetada, desde a pandemia, por estresse crônico, burnout e variados quadros de sofrimento psíquico. Essa percepção, entretanto, carece de aferição científica ampla e representativa.
Com esse objetivo, foi criada na UFRGS a Rede Nacional de Saúde Mental, reunindo grupos de excelência de todas as regiões do Brasil e congregando mais de duzentos profissionais. Essa rede desenvolve um estudo comparativo entre a saúde mental no contexto das universidades públicas e a realidade da população em geral, permitindo identificar especificidades do ambiente acadêmico e orientar políticas públicas eficazes.
Dentro da UFRGS, diferentes pró-reitorias estão se unindo para estruturar um setor integrado de saúde mental. Embora já existam iniciativas relevantes, o projeto atual busca unificá-las e ampliar o acesso de forma mais sistematizada. O primeiro passo é organizar uma rede de acolhimento sólida, capaz de oferecer respostas rápidas e humanizadas, ao mesmo tempo que se realiza um mapeamento rigoroso da situação. Em breve, membros da comunidade selecionados para representar nossa Universidade receberão convites por e-mail para participar dessa pesquisa, essencial para compreender a dimensão do problema.
A promoção da saúde mental não se restringe ao tratamento de crises. Exige ações permanentes de cuidado, prevenção e bem-estar. Nesse espírito, nasceu o programa Bem Viver, que reúne esforços institucionais em torno de um conceito enraizado em culturas ancestrais e confirmado por evidências científicas: um estilo de vida saudável, baseado em exercícios, alimentação equilibrada e cultivo de relações sociais presenciais, tem impacto decisivo na proteção contra o adoecimento mental.
Com esse programa, a UFRGS reafirma seu compromisso de estar sintonizada com as demandas da comunidade acadêmica em diálogo com universidades de todo o país. Os desafios são semelhantes: sobrecarga e insegurança econômica e social afetam o bem-estar da comunidade.
Ao liderar a criação de políticas inovadoras, a UFRGS busca consolidar ações consistentes de acolhimento, educação em saúde e prevenção.
Outro ponto fundamental é a equidade. O Bem Viver foi concebido para acolher toda a comunidade, com atenção especial a grupos minoritários e vulneráveis. Nesse contexto, destaca-se a criação da Pró-reitoria de Ações Afirmativas – mais uma iniciativa pioneira de nossa Universidade. A articulação entre essa nova pró-reitoria e o programa Bem Viver busca a construção, juntamente com todas unidades e setores, de um ambiente universitário mais saudável, inclusivo e acolhedor.
Assim, a UFRGS se projeta como referência nacional, mostrando que enfrentar o sofrimento psíquico requer ciência, políticas integradas e compromisso humano. Mais do que responder a crises, a universidade busca construir um futuro em que o cuidado coletivo e o bem-estar estejam no centro da vida acadêmica.
Flavio Kapczinski é pró-reitor de Pesquisa.




