UFRGS: Universidade do Amanhã | 25.09.25

Espaço da Reitoria | Marcia Barbosa e Pedro Costa, reitora e vice-reitor, fazem um balanço do primeiro ano de gestão e apontam prioridades e desafios

*Foto: Excerto do mural “As Profissões”, de Aldo Locatelli (1958), exposto na Sala do Conselho Universitário , na Reitoria da UFRGS

Setembro de 2024 marcou uma virada. Depois de quatro anos de uma reitoria afastada da comunidade, cercada de grades e ausente das instâncias colegiadas, assumimos com uma convicção: era hora de devolver a universidade à sua gente. A derrubada das grades e a presença da administração central nas reuniões do Cepe, do Consun e nas formaturas não foram apenas gestos simbólicos — mas, sim, a afirmação de que diálogo e proximidade são o centro da nossa gestão.

Abrimos a Universidade. Com o programa Gestão Aberta, levamos a público temas que antes ficavam restritos a gabinetes: orçamento, prioridades, o projeto de um novo câmpus na Serra. E vimos a comunidade responder, propondo, participando, cobrando. Era isso que queríamos e seguimos querendo: uma universidade viva.

Também retomamos nossa capacidade de planejar. Concursos voltaram a ser autorizados — mais de 200 vagas para docentes e 92 para técnicos. Reformulamos o Programa de Gestão por Desempenho, implementamos a tão desejada flexibilização da jornada de trabalho e recolocamos a UFRGS em movimento.

Mas os desafios que enfrentamos não são apenas internos. A emergência climática está batendo à nossa porta. Por isso, elaboramos um protocolo científico que nos guia diante de eventos extremos: abrir, fechar, flexibilizar — decisões baseadas no conhecimento que produzimos. Também ousamos liderar: realizamos o Summit Climate Change, conquistamos o maior número de projetos no edital da Fapergs nessa área e aprovamos um grande centro de pesquisa na Finep, a ser implantado no Litoral Norte. Foi a UFRGS a única universidade chamada para falar no senado sobre o tema e estaremos na COP30 abordando a ciência das mudanças climáticas. Não estamos apenas reagindo: estamos apontando caminhos.

Na extensão, unificamos forças no movimento Conexões, que aproxima a UFRGS da sociedade gaúcha. Entre tantos exemplos, citamos com orgulho a formação de mais de 300 professores da rede estadual em mudanças climáticas. Do mesmo modo, devolvemos o Salão de Atos e o Centro Cultural ao lugar que merecem: o coração cultural de Porto Alegre.

Tomamos medidas difíceis, como enfrentar o corte de R$ 8,5 milhões do orçamento. Mas não nos resignamos: buscamos articulação nacional e recuperamos os recursos. Fizemos escolhas para proteger a comunidade: mantivemos o valor das refeições dos estudantes a R$ 1,30, mesmo quando o custo real subiu para R$ 19,00. São decisões que revelam prioridades.

Criamos a Pró-reitoria de Ações Afirmativas e Equidade, porque sabemos que combater a evasão exige políticas robustas. E assumimos posição firme contra o assédio, com formação, protocolos e a implementação de uma corregedoria que, finalmente, cumpre a lei. Também lançamos o Programa Bem Viver, porque cuidar da saúde mental da nossa comunidade não pode esperar.

Em outubro, voltaremos a ter o Salão UFRGS presencial, com mais de 6,5 mil trabalhos. Será o maior já realizado, um reencontro à altura da nossa universidade.

A UFRGS que herdamos tinha fragilidades, mas também uma potência imensa. Nosso compromisso é enfrentar as dificuldades sem deixar de sonhar. Estamos, ao mesmo tempo, corrigindo o presente e desenhando a Universidade do Amanhã. E só se constrói esse futuro com visão coletiva, coragem e muito trabalho.


Marcia Barbosa é reitora da UFRGS.
Pedro Costa é vice-reitor da UFRGS.