O panorama da comunicação na UFRGS

Artigo | Relações públicas da Secom, Felipe Mascarenhas apresenta os resultados de diagnóstico que mapeou práticas, desafios e condições de trabalho da comunicação na Universidade

*Ilustração: Fabio Viera/Programa de Extensão Histórias e Práticas Artísticas, DAV-IA/UFRGS

Entre agosto e outubro de 2025, a Comissão Coordenadora do Fórum de Comunicação Social realizou um diagnóstico inédito sobre como a comunicação institucional ocorre no cotidiano das Unidades Acadêmicas e Administrativas da UFRGS. O levantamento obteve 50 respostas, vindas de 28 das 29 Unidades Acadêmicas e Regionais, além de Pró-reitorias, Secretarias e setores administrativos, obtendo ampla adesão da comunidade acadêmica. A pesquisa buscou identificar quem comunica, como atua e sob quais condições o trabalho é realizado, oferecendo um panorama amplo da comunicação institucional.

Foram identificadas aproximadamente 115 pessoas diretamente envolvidas nas ações comunicacionais. Destas, 70% são técnicos administrativos, 22% bolsistas e 8% docentes, revelando uma rede plural e distribuída. Apenas 13 profissionais possuem cargos específicos da área, sendo relações públicas, produtores culturais, programadores visuais e técnicos em audiovisual. A pesquisa revela um quadro diverso em que a multiplicidade de perfis e práticas forma uma rede empenhada, mas ainda marcada pela ausência de padrões e diretrizes comuns.

É importante destacar que a pesquisa não incluiu a Secretaria de Comunicação Social (Secom), pois a estrutura da Secom, composta por 46 servidores distribuídos entre os seus veículos e setores, possui dinâmicas próprias, com fluxos consolidados para atender toda a comunidade acadêmica. O foco do diagnóstico foi mapear a comunicação nas diferentes realidades e condições de trabalho da Universidade, oferecendo um retrato da comunicação institucional realizada nas Unidades Acadêmicas e Administrativas da UFRGS.

A Comissão enviou um questionário on‑line com 14 perguntas, entre fechadas e abertas, o que permitiu identificar tanto dados estruturais quanto percepções e sentidos atribuídos à comunicação. Os resultados mostram que sites institucionais (39 respostas) e grupos de e-mail (35 respostas) são os meios mais utilizados, seguidos por Instagram, com 32 respostas e WhatsApp com 27, consolidando uma presença expressiva como canais de interação cotidiana. Facebook e outros meios complementam o panorama comunicacional. Esse arranjo revela uma comunicação diversa, que se movimenta entre a formalidade dos canais oficiais e as dinâmicas das redes sociais. Mesmo diante de limitações de infraestrutura, acúmulo de funções e falta de profissionais especializados, as equipes demonstram criatividade, capacidade de adaptação e forte compromisso institucional ao divulgar projetos, serviços e ações de ensino, pesquisa e extensão.

Os desafios apontados por boa parte dos respondentes convergem para sobrecarga de trabalho, falta de equipes dedicadas, inexistência de fluxos claros de aprovação e padronização, carência de formação específica e baixa valorização institucional das funções de comunicação.

“O ideal seria que a comunicação fosse vista com função estratégica na Universidade como um todo, atuando junto às gestões das unidades, em setores próprios, com cargos para servidores especializados nas práticas de comunicação”, apontou uma das respostas.

A rede de comunicadores atua em condições desiguais, com equipes reduzidas, forte dependência de bolsistas, alta rotatividade e ausência de fluxos consolidados em muitos casos. A análise também mostra, no entanto, que existem experiências consistentes que apontam caminhos promissores. Unidades com equipes e setores estruturados e estáveis relatam boa integração com a gestão, planejamento editorial e rotinas planejadas e efetivas. Outras destacam parcerias produtivas com a Secom, produção regular de boletins informativos e uso pedagógico das redes sociais. Essas experiências revelam um patrimônio de boas práticas que pode servir de base para uma atuação mais integrada e efetiva em toda a UFRGS.

Ao reunir essas percepções e sistematizar os resultados, a Comissão reforça que a comunicação pública é uma construção coletiva, que depende de valorização, suporte técnico, continuidade e articulação em rede. O diagnóstico não apenas indica fragilidades, mas também evidencia potencialidades e possíveis caminhos. Compartilhar esse panorama fortalece o compromisso da Universidade com a transparência, a democratização do conhecimento e a participação social. É nesse movimento de reconhecer a realidade, integrar esforços e apoiar as pessoas que comunicam diariamente a vida universitária que se delineia o caminho para uma comunicação pública mais forte e integrada. É nesse sentido que o Fórum buscará dar uma contribuição no cumprimento da missão institucional da UFRGS.

Embora o Fórum de Comunicação Social tenha sido instituído oficialmente em novembro de 2025, sua criação se insere em um movimento iniciado em 2018, com o I Encontro de Comunicadores da UFRGS. Desde então, servidores que atuam na comunicação da Universidade vêm buscando fortalecer a atuação em rede. O diagnóstico realizado dá continuidade a esse percurso, sistematizando percepções, desafios e práticas e se constituindo em etapa fundamental para subsidiar estratégias e diretrizes institucionais voltadas ao fortalecimento da comunicação pública na Universidade.


Felipe Truccolo Mascarenhas é relações públicas, integrante da Comissão Coordenadora do Fórum de Comunicação Social (suplente) e do Núcleo de Comunicação Estratégica da Secom/UFRGS.


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