Rodrigo Gutterres e o encontro com a China através do Instituto Confúcio

Meu Lugar na UFRGS | Graduando em Letras já esteve duas vezes no país asiático devido a atividades ligadas ao Instituto e projeta um futuro profissional ligado ao mandarim

*Foto: Pietro Scopel/JU

Duas viagens para a China, quatro participações em competições, um ano e meio como professor e a certeza de querer trabalhar com o mandarim são algumas das coisas que o Instituto Confúcio proporcionou a Rodrigo Gutterres, estudante de Licenciatura em Letras – Português.

Ele conheceu o Instituto frequentando o Câmpus do Vale e soube da possibilidade de fazer aulas de mandarim através de conversas com a mãe. Rodrigo já sabia inglês e espanhol e achou que seria uma boa ideia começar a estudar a língua falada na China. Passou a frequentar as aulas logo no segundo semestre da graduação, ainda em 2019. “Na terceira aula eu me apaixonei pela língua e tô aqui até hoje, mais de seis anos depois”, explica. Desde então, ele passou apenas um semestre afastado do local, pois estava estudando em solo chinês.

Existem diversos Institutos Confúcio pelo mundo. No Rio Grande do Sul, ele tem sede na UFRGS, mais precisamente no Câmpus do Vale, devido à parceria firmada com a Universidade de Comunicação da China (UCC). Os institutos são mantidos com apoio do governo chinês e são espaços para ensino da língua e cultura chinesa.

A primeira viagem para a China

Rodrigo esteve pela primeira vez na China em 2023. Ele havia ganho uma bolsa em 2021, após passar no terceiro nível do exame oficial de proficiência em mandarim, o Hanyu Shuiping Kaoshi (HSK). A ida foi adiada devido à pandemia.

Durante o período em que esteve lá, recebeu um dormitório e um valor mensal custeados pelo governo chinês. Além disso, participava de aulas na UCC sobre aspectos do idioma e da cultura.

“Foi uma experiência muito enriquecedora, tanto para meu estudo da língua chinesa, como culturalmente também. É algo que desejo para todo mundo”

Rodrigo Gutterres

O estudante comenta que não teve tantos choques culturais quanto imaginava e acredita que parte disso se deve ao fato de ter ido para Pequim que já é uma cidade bem urbanizada, desenvolvida e com forte presença de estrangeiros. Além disso, por ter sido um país fechado por tanto tempo, muitos chineses apresentam certa curiosidade em relação a estrangeiros e buscam filmar ou fotografar quem não é de lá. De acordo com Rodrigo, também acontece de estrangeiros serem chamados para participar de conteúdos para TV simplesmente por serem de fora.

Foi assim que ele participou de um documentário no Tibete. O coordenador do setor de alunos estrangeiros o contatou e fez o convite. “Aceitei, porque, afinal, quem não quer ganhar uma viagem para o Tibete?”, brinca. Ele se deslocou até a província com uma equipe de alunos e professores de cinema e jornalismo. No documentário, ele é um “personagem principal” que está conhecendo a região, tendo como foco as escolas locais. “Sendo sincero, lá percebi que eu estava fazendo um pouco de propaganda política. Isso me abalou um pouco, mas já estava lá, não tinha o que fazer e aí acabei gravando”, explica.

As pontes chinesas

Ele também participou de quatro edições da competição “Chinese Bridge”, que é realizada pelos Institutos Confúcio e ocorre em etapas nacionais e mundiais. A competição consiste em quatro partes: um discurso decorado de no máximo três minutos, falando sobre a importância da língua chinesa para construir “pontes” – o que remete ao nome da competição; uma leitura à primeira vista de um texto escrito em ideogramas; a escuta de um áudio que deve ser usado para responder três questões; e, por fim, um show de talentos.

Por gostar de cantar desde criança e este ser seu principal hobby, Rodrigo sempre optou por cantar na etapa do show de talentos. Essa prática serviu tanto para que ele desenvolvesse suas habilidades com o idioma, quanto como diferencial na competição.

“Cantando em chinês eu cheguei em lugares em que eu nunca imaginei que chegaria”

Rodrigo Gutterres

Em 2025, ele venceu a etapa nacional e pôde viajar novamente para a China para participar da competição internacional. Lá havia participantes de 133 países, totalizando 155 competidores. Na etapa mundial, a competição ocorre primeiro entre continentes, ou seja, Rodrigo competiu contra outros 49 participantes que representavam as Américas. A última rodada ocorreu entre os cinco finalistas representantes de cada continente. O vencedor deste ano era da Alemanha.

Certificados de participação nas atividades promovidas pelo Instituto Confúcio (Crédito: Pietro Scopel/JU)
A letras e o mandarim

Por meio do Instituto Confúcio, Rodrigo também percebeu que, no futuro, quer trabalhar dando aulas de chinês ou, talvez, com traduções. Uma experiência que contribuiu com isso foi o período de três semestres como professor dos níveis iniciais do Instituto, sendo que dois foram com bolsa e um como voluntário.

Chegando ao fim do curso, ele também pensa em fazer seu TCC relacionado com esta experiência. O tema ainda não está bem definido, mas acredita que será algo voltado para a importância da língua chinesa na atualidade. Ele chama a atenção para o fato de o curso de Letras da UFRGS não ter a ênfase em mandarim, sendo que atualmente os chineses estão presentes em diversos espaços.

“O Instituto Confúcio foi, digamos, a minha segunda casa aqui dentro da UFRGS”, completa Rodrigo. Em momentos em que ele esteve desmotivado com o curso, principalmente por ter passado pela pandemia e pelo período das enchentes durante a graduação, a língua chinesa o incentivava a continuar. É por isso que, para ele, o curso de Letras e o Instituto Confúcio têm o mesmo peso ao longo de sua trajetória acadêmica.


A série Meu Lugar na UFRGS é um projeto conjunto JU e UFRGS TV. Confira abaixo a reportagem em vídeo: