Carta aos leitores | 01.04.2021

A última semana do mês de março carrega consigo a marca do golpe de Estado que, em 1964, levou o Brasil a uma ditadura civil-militar de duas décadas. Tão importante quanto a compreensão desse acontecimento e de tudo que ele desencadeou em nossa história é o fato de ser, atualmente, objeto de disputas discursivas. A ciência, no entanto, já nos apresentou elementos suficientes para uma leitura adequada dessa ruptura institucional pautada por violência e violações.

Buscando olhar para esse território de disputas que é a escrita da história, trazemos nesta edição o príncipe Custódio, descendente de escravizados que viveu em Porto Alegre e cuja trajetória é composta tanto por fatos quanto por memórias. Sejam quais forem as conclusões, neste caso, numa escrita histórica em geral pontuada por heróis que exaltam o discurso do colonizador e dominador, Custódio representa um ícone negro ao simbolizar e referenciar as diversas lutas de um povo. Permanece, pois, como emblema de um conjunto de anseios de uma população em geral silenciada pelo discurso oficial.

No restante da edição, questões de atividade física, emprego, desigualdade de gênero e educação. Esperamos, assim, oferecer a noss@s leitoras e leitores elementos que os ajudem a atentar a aspectos da realidade que neste momento de tamanha crise sanitária muitas vezes nos fazem negligenciar, seja pelo excesso de atenção a algumas dimensões da pandemia que causam maior temor, seja pela tentativa de esquecer a dureza deste tempo em nome da sobrevivência.

Boa leitura!