Perfil de enfermeiros com formação em práticas integrativas e complementares em saúde

Artigo | Daiana Wickert, Daniela Dallegrave, Maria Schimith e Diéssica Piexak, da área de Enfermagem, buscam saber como enfermeiros atuam com práticas tradicionais no seu cotidiano profissional

*Por: Daiana Wickert, Daniela Dallegrave, Maria Schimith e Diéssica Piexak
*Foto de capa: Flávio Dutra/ Arquivo JU 26 mai. 2020

Em termos internacionais, as Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS) são reconhecidas pela denominação de Medicinas Tradicionais, Integrativas e Complementares (MTCI). Cada uma das palavras representa importantes aspectos desse tipo de cuidado. De forma sucinta, citando Madel Luz, pode-se dizer que são saberes milenares, intergeracionais, com um fator cultural inerente, que visam integrar diferentes racionalidades médicas e relações terapêuticas que se complementam.

No Brasil, não há direcionamentos formais que regulam o ensino das PICS nos currículos de graduação da área da saúde. O discurso acadêmico vigente ainda valoriza os saberes relacionados à racionalidade biomédica, com uma visão fragmentada do ser humano. Apesar disso, podemos observar um aumento substancial das pesquisas que envolvem as PICS, mostrando interesse, investimentos e valorização. Alguns autores apresentam a Educação Interprofissional como potencial para a criação e sustentação de ambientes necessários para a medicina integrativa prosperar.

Nesse contexto, destacam-se os(as) enfermeiros(as) como grandes difusores das PICS, pois, além de pioneiros(as) no reconhecimento para a atuação prática, também estão entre os primeiros a inserir as PICS nos currículos, conforme apontam Jackçon Savi e Rosita Saupe em artigo divulgado em 1995 que trata de uma disciplina desenvolvida na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

No entanto, ainda temos muito a avançar para a construção de um olhar integral e uma prática transdisciplinar para a resolução de problemas na área da saúde.

Com o objetivo de conhecer quantos(as) enfermeiros(as) brasileiros(as) possuem formação em PICS e atuam com essas práticas no seu cotidiano profissional, está disponível desde 16 de junho a etapa de coletas de dados quantitativos do Inquérito Nacional sobre o Perfil Educacional e Profissional de Enfermeiros(as) de Saúde Integrativa e Práticas Tradicionais – ENFPICS. Todos(as) os(as) enfermeiros(as) com diploma de graduação em enfermagem podem participar da pesquisa, que é realizada por meio de um questionário online.

Sob a coordenação da professora Daniela Dallegrave, docente da Escola de Enfermagem e do PPG de Ensino na Saúde da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), o estudo conta com a parceria de diversas pesquisadoras vinculadas a instituições de ensino superior de diferentes regiões do Brasil, a saber: Universidade Federal de Santa Maria, Universidade Federal do Rio Grande, Universidade Federal de Goiás, Universidade Federal de Sergipe, Fundação Osvaldo Cruz de Pernambuco e Associação Brasileira de Enfermeiros Acupunturistas e Enfermeiros de Práticas Integrativas.

A abrangência do estudo visa representar os(as) enfermeiros(as) brasileiros(as) com a inserção locorregional, objetivando uma análise de dados contextualizada e a produção de informações de interesse às políticas públicas, à regulamentação da formação profissional das Práticas Integrativas e Complementares em Saúde na Enfermagem e à organização de diretrizes para elaboração de cursos, disciplinas ou formações complementares nessa área. Com isso, espera-se fortalecer a autonomia profissional dos(as) enfermeiros(as) e a promoção da saúde e do autocuidado na comunidade.

No Hospital Cristo Redentor, equipe organiza o funcionamento de CTI que estava sendo montada especialmente para auxiliar no atendimento de pacientes graves da Covid-19. Na imagem de capa, enfermeira da CTI Covid do Hospital de Clínicas de Porto Alegre ajuda internado em comunicação via vídeo com sua família (Foto: Flávio Dutra/Arquivo JU 22 abr. 2020)

Daiana Cristina Wickert é mestranda em Enfermagem no PPG em Enfermagem da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).
Daniela Dallegrave é professora da Escola de Enfermagem e do PPG de Ensino na Saúde da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
Maria Denise Schimith é professora do Departamento de Enfermagem e do PPG em Enfermagem (UFSM).
Diéssica Roggia Piexak é professora da Escola de Enfermagem e do PPG em Enfermagem da Universidade Federal do Rio Grande (FURG).