Gabriel Tossi e a busca por conhecimento

Meu Lugar na UFRGS | Mestrando no Laboratório de Pesquisa do Exercício relembra seus seis anos e meio de relação com a Esefid

*Foto: Pietro Scopel/JU

Gabriel Tossi nos recebeu do lado de fora do Laboratório de Pesquisa do Exercício (LAPEX), localizado no Câmpus Olímpico. Ele chegou com um sorriso grande, cumprimentou a equipe de reportagem e logo começou a contar sobre os espaços onde realiza sua pesquisa de mestrado.

A curiosidade e a vontade de compartilhar conhecimento parecem ser características marcantes desde a infância de Gabriel. Ele conta que queria ser jogador de futebol, mas sempre se interessou pelo ensino e em pesquisar métodos de treino, assim como o porquê de certas coisas serem importantes para o funcionamento do corpo. Quando percebeu que o futebol não seria viável, optou pela Educação Física. Para ele, a formação é uma militância pessoal, pois desde o momento em que escolheu o curso ouviu que a profissão é desvalorizada. Isso não foi suficiente para tirar a alegria de Gabriel ao falar de sua trajetória como educador físico.

“Eu não caí de paraquedas na UFRGS, eu sempre quis a UFRGS”

Gabriel Tossi

Sem condições financeiras para uma universidade privada, estudar na federal era a única opção que Gabriel percebia. Devido ao ensino médio com conteúdos defasados, ele decidiu fazer cursinho pré-vestibular. Para pagar, trabalhava em um turno e estudava no outro. Ainda assim, a aprovação não veio de primeira. No ano seguinte, conseguiu uma bolsa de monitoria em um pré-vestibular para medicina, onde passava um turno ajudando os alunos e no outro estudando. “Sempre escutando aquela coisa: ‘Ah, tu quer educação física, o que tá fazendo aqui?'”, relata Gabriel.

O ensino, a pesquisa e a extensão

Os seis anos e meio dele na UFRGS são marcados por muita participação. O espaço representava um lugar em que iria se tornar um profissional melhor – “e não só do ponto de vista profissional, mas me tornou uma pessoa melhor”, afirma Gabriel. Essa busca em se aprimorar para o futuro o conduziu a uma aproximação com os pilares de ensino, pesquisa e extensão.

No terceiro semestre, cursou a disciplina de fisiologia do exercício e logo percebeu um reconhecimento: “Todo mundo tem aquela disciplina que se apaixona”. Foi através de dois anos como monitor dessa disciplina que Gabriel realizou atividades de ensino na Escola de Educação Física, Fisioterapia e Dança (Esefid).

Já a extensão veio por intermédio do seu interesse pelas ligas acadêmicas. Sabendo que outras faculdades e universidades tinham ligas, ele começou a frequentar lugares e pesquisar o que eram. Foi assim que Gabriel e outros colegas fundaram a Liga Acadêmica de Ciências do Exercício (LACIEx), primeira liga da Educação Física.

A que mais cedo começou, entretanto, foi a relação com a pesquisa, que permanece até hoje. Entre o fim do primeiro semestre e começo do segundo, a professora Caroline Pietta o convidou para conhecer o LAPEX, onde ele acabou participando de diferentes projetos. Das pesquisas em que participou, ressalta uma envolvendo treinamento de pacientes com compulsão alimentar e outra sobre a influência da suplementação com cápsulas de cafeína no rendimento de atletas de Honduras.

Ainda durante a graduação, ele buscou fazer um intercâmbio. Entre 2019 e 2020, realizou o processo para estudar em Portugal. Embora tenha passado, acabou não indo por causa da pandemia. Ele relata que foi um momento de grande frustração; ainda assim, Gabriel não diminuiu o ritmo nas atividades que fazia na UFRGS. A curiosidade e procura por saber mais se refletiram na relação com os pilares de ensino, pesquisa e extensão da universidade. Ele afirma que “o câmpus [Olímpico] permite essa intersecção das áreas”. Não é à toa que o estudante diz que a universidade mudou tudo na vida dele: a visão de mundo, cultura e a profissão.

Foto: Pietro Scolpel/JU
A continuidade na pesquisa

Gabriel “esbarrou” no tema microbiota intestinal ainda em sua primeira pesquisa. Esse foi o assunto da primeira publicação de que participou, do seu TCC e que segue no mestrado. É no laboratório de fisiologia e no de bioquímica que ele realiza sua pesquisa sobre a microbiota intestinal, associada ao processo de envelhecimento.

Assim que a graduação acabou, ele deu início ao processo de ingresso no mestrado, iniciando junto uma especialização em fisiologia do exercício. Gabriel não perde o sorriso nem ao falar que os horários entre aulas do mestrado, especialização e tempo no laboratório eram apertados.

“A grande maioria das vezes eu chego às seis e meia da manhã e fico até as seis da tarde. Porque eu respiro isso aqui”

Gabriel Tossi

Encerrando seu tempo de UFRGS, agora ele pensa no futuro. O objetivo é continuar a pesquisa no doutorado. Sente, entretanto, que é hora de conhecer outros lugares, por isso pensa em realizar essa nova etapa em São Paulo. Mas Gabriel deixa claro que gostaria de um dia dar aulas no seu lugar na UFRGS, a Esefid: “Voltar pra casa é um sonho. Não é um adeus, é um até logo”.


A série Meu Lugar na UFRGS é um projeto conjunto JU e UFRGS TV. Confira abaixo a reportagem em vídeo: