Espaço da Reitoria | Reitora e vice-reitor apresentam suas perspectivas para o mandato que se inicia nesta semana
*Foto: Rochele Zandavalli/Secom
A Universidade é esse ambiente onde o conhecimento em suas diversas manifestações é formado, guardado e propagado, se assemelhando à criação da vida que tanto festejamos na primavera. Em tempos antigos, a descoberta do poder das estações para a produção de alimentos foi um conhecimento fundamental. As pessoas que então dominavam esse saber reconheceram de imediato como a natureza espalhava as sementes de diversas formas e como essa diversidade de transportar a vida era fundamental para a resiliência das plantas no nosso planeta e, em particular, para a produção de comida para alimentar pessoas e animais.
Esse é o papel da Universidade moderna. Ser o local em que o conhecimento se cria, é guardado e propalado em um fluxo de saberes que visa ao permanente desenvolvimento humano, em todas suas dimensões. Nesse contexto, transitar no ambiente acadêmico não é somente um direito, mas um dever de todos nós. A liberdade de estar, compartilhar e colocar a teste nossas ideias é o coração da produção dos conhecimentos. A UFRGS, devido à pandemia, às emergências climáticas e aos constrangimentos ao exercício da democracia, deixou de ser um local de ir e vir e, com isso, foi perdendo o instrumento importante da gestação e gestão do conhecimento, o convívio humanista.
É hora de retomarmos a UFRGS em todos os seus espaços, com equidade, com liberdade e com a segurança de que todas as pessoas serão acolhidas. É isso que a primavera representa, o renascer advindo da mistura, da apropriação dos espaços, dos ventos da esperança. Vamos reconstruir o sentimento de pertencimento e, a partir dele, reorganizar nossos prédios, currículos, eventos … por meio de ensino, pesquisa, extensão e gestão coletivos e plurais. Esta será uma gestão que buscará o caminho da pacificação das relações, mas que reconhece que “paz sem voz não é paz, é medo”.
A primavera também representa a congregação de esforços para a manutenção da vida. Nesse sentido, a nova gestão inicia com um projeto transversal de Saúde Planetária, nucleador de esforços em todas as áreas do conhecimento com a visão de que somente a Universidade é capaz de criar um modelo de desenvolvimento econômico, social, cultural e científico para a nossa sociedade e alinhado aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável. E assim, será a partir da autoridade do conhecimento construído no coletivo e plural que a Universidade irá se manifestar, mesmo quando isso significar trazer a verdade inconveniente.
Para marcar essa nova estação, no dia 27 de setembro, às 10h, no Salão de Atos, iremos apresentar à comunidade a nova administração central da UFRGS, que irá contar com a participação ativa de toda a coletividade da UFRGS e que manterá laços com toda a comunidade gaúcha. Contamos com a tua participação, porque a primavera voltou na UFRGS.
Marcia Barbosa é reitora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
Pedro Costa é vice-reitor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

