SocioBioCotidiano | Receita com a planta alimentícia não convencional marcou o evento de entrega dos dolmãs aos alunos da especialização em Gastronomia Cultural, rito que simboliza o compromisso com a sociobiodiversidade
*Foto: Luisa Penz da Rosa
Não foi num livro raro nem numa prateleira gourmet que a ora-pro-nóbis entrou nessa história. Ela já estava ali, crescendo fácil, quase sem pedir licença. No quintal de casa, no saber que passa de mão em mão, na curiosidade de quem cozinha olhando para o que a terra oferece.
Foi desse encontro simples que nasceu o bolo de ora-pro-nóbis, receita apresentada por Jossane Colvara Pinto Stephanou, aluna do polo de Santo Antônio da Patrulha do curso de especialização em Gastronomia Cultural.
A ora-pro-nóbis é dessas plantas que desafiam a lógica do “exótico”. É rústica, resistente, cresce no sol ou na sombra, enfrenta a seca e devolve tudo isso em nutrição. Rica em ferro, proteínas de alta digestibilidade, vitaminas A, B e C, ela aparece em sopas, refogados, tortas e, aqui, ganha forma de um bolo macio e delicioso.
Jossane escolheu a receita justamente por isso: pela versatilidade da planta, pela facilidade do cultivo (o pé está ali, no quintal) e pela vontade de falar mais sobre as plantas alimentícias não convencionais (PANCs), alimentos que fazem parte da nossa sociobiodiversidade e que ainda seguem invisíveis em muitas cozinhas.
O preparo é direto, sem mistério, do jeito que a vida pede.
Bolo de Ora-pro-nóbis
Ingredientes:
- 1 xícara bem cheia de folhas de ora-pro-nóbis
- 1 e 1/2 xícara de farinha de trigo
- 1 e 1/2 xícara de açúcar
- 1/2 xícara de amido de milho
- 2 ovos
- 1 xícara de leite
- 1 xícara de óleo
- 1 colher de sopa de fermento químico
Modo de preparo:
- Bata no liquidificador os ovos, as folhas de ora-pro-nóbis, o leite, o açúcar e o óleo até obter uma mistura homogênea, sem pedaços visíveis das folhas.
- Transfira a mistura para uma bacia e acrescente a farinha de trigo e o amido de milho, misturando delicadamente. Por último, adicione o fermento químico.
- Despeje a massa em uma forma untada e leve ao forno pré-aquecido a 180 °C por cerca de 40 minutos, ou até que o bolo esteja assado.
Cozinhar assim é um jeito de dizer: eu cuido, eu me importo, eu valorizo os ingredientes da sociobiodiversidade.
Nesta edição, a produção da receita foi realizada para o evento “Ritos do sabor: o dólmã como símbolo de compromisso com o sociobiocotidiano”, no qual houve a entrega oficial dos dólmãs aos alunos da especialização em Gastronomia Cultural.
Sandreli Bandeira é turismóloga e jornalista, escreve sobre saberes e sabores, interligando diversas áreas. É tutora e integrante do Núcleo de Comunicação do Curso de Especialização em Gastronomia Cultural.
Gabriela Coelho-de-Souza é diretora do Centro Interdisciplinar Sociedade, Ambiente e Desenvolvimento (CISADE), professora do PGDR e coordenadora do Curso de Especialização em Gastronomia Cultural.
Quinzenalmente, estudantes e pesquisadores ligados ao curso de especialização em Gastronomia Cultural apresentam receitas e reflexões que valorizam os alimentos da sociobiodiversidade. A seção tem curadoria de Sandreli Bandeira e Gabriela Coelho-de-Souza.
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