Carolina de Oliveira: de estudante a servidora

Perfil | A assistente administrativa lotada na Faculdade de Educação conta as experiências como estudante e suas descobertas como servidora dentro da Universidade

*Foto: Flávio Dutra/JU

Carolina Leonardi de Oliveira, 40 anos, relembra com carinho do momento em que descobriu que passara no vestibular da UFRGS para cursar Letras. “Quando eu vi o listão, foi uma emoção. Eu ria e chorava ao mesmo tempo”, conta. Semanas depois, pisou pela primeira vez no Câmpus do Vale. Era o dia da matrícula. Sobre o episódio, recorda da recepção calorosa dos colegas veteranos e do seu medo de descer na parada de ônibus errada. O ano era 2004 e Carolina mal podia imaginar a intensidade com que a UFRGS invadiria a sua vida a partir dali.

Os anos de graduação trouxeram experiências que Carolina considera primordiais a todos os estudantes que passam pela Universidade, como as filas e os almoços no RU, as horas de estudo na biblioteca e as festas. Também nesse período ela construiu relações capazes de transpor um oceano. É o caso de uma amiga sua, feita no primeiro dia de aula, com quem até hoje mantém contato, apesar de uma viver em Porto Alegre e a outra na Suíça.

Carolina se formou em Letras em 2009 e passou a atuar como professora. Em 2013, através de um concurso, voltou à UFRGS, dessa vez para trabalhar como assistente administrativa. Ainda assim, todo o seu conhecimento como educadora se mostrou importante quando foi convidada para dar aulas de inglês na EDUFRGS, setor responsável por promover atividades de qualificação e aperfeiçoamento a servidores da Universidade.

“É uma oportunidade muito legal, não só financeiramente, mas de ter contato com pessoas de toda parte da Universidade – ter contato com docente, com técnico, com gente do Vale, do Centro, da Saúde… Tu conhece bastante gente”

Carolina Leonardi de Oliveira

Conciliar as atividades como servidora e professora não é um problema para ela, que, inclusive, enxerga uma conexão entre as frentes de trabalho. O intercâmbio com pessoas de outras unidades acadêmicas auxilia no trabalho diário de um servidor, seja na realização de projetos ou em uma simples troca de informações, afirma.

Em seus oito anos de trabalho na Universidade, Carolina acredita ter entendido melhor sobre seu ofício como servidora – aprendizado que começou a ser desenvolvido quando ainda estudava para concursos públicos.

“Conforme os anos vão passando, tu vai entendendo o verdadeiro significado de ser um servidor público na Universidade. Entender e estudar um pouco mais de todas as teorias e de tudo que é relacionado à gestão pública foi bem importante para mim”

Carolina Leonardi de Oliveira

Dentro da Faculdade de Educação (Faced), onde trabalha desde 2017, ela encontra colegas que compartilham seus valores como servidora. Falando sobre o clima entre colegas, tece muitos elogios e afirma que a cultura participativa e os vínculos de amizade são os ingredientes para a construção de um clima leve e produtivo, que, como ela mesma admite, são difíceis de reproduzir. Foi nesse ambiente propício que ela experimentou o que é ser servidora em sua plenitude.

“Assim como quando eu era estudante e tinha aquela experiência do RU, da biblioteca, dos colegas e das festinhas, como servidora ter as experiências de uma greve, de um sindicato, de conhecer colegas de outras unidades, de trabalhar em comissões, em projetos, em coisas além da tua sala […] é muito prazeroso”

Carolina Leonardi de Oliveira

A partir de sua experiência como técnica, Carolina se arrisca tentando definir o que é, de fato, ser servidor público: “É uma função que está inserida na sociedade. Não é igual a um emprego privado em que eu trabalho para uma empresa, em que eu trabalho só pelo meu salário. Eu (como servidora) trabalho para servir a comunidade como um todo”, define. E completa: “Não se resume a mim e à Faced. Sou eu, a Faced, a UFRGS, a comunidade acadêmica, a cidade, o estado… Enfim, toda a sociedade”.