Dez anos do Câmpus Litoral Norte: celebrar e avançar

A ilustração apresenta uma festividade de formandos, com togas e canudos de formatura e confetes pelo ar. Em destaque ao fundo, vemos o prédio do campus litoral norte da UFRGS.

Artigo | Felipe José Comunello, Jonas José Seminotti e Tatiana da Rosa apontam os desafios para a consolidação do CLN e reforçam a importância de democratizar o acesso à educação de qualidade e socialmente referenciada

*Ilustração: Dantara Ortovás/Programa de Extensão Histórias e Práticas Artísticas, DAV-IA/UFRGS

O Câmpus Litoral Norte (CLN) é o primeiro e único câmpus fora de sede da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). No ano de 2014, portanto há dez anos, ocorreu a sua implantação a partir de ações coordenadas entre a UFRGS e diversos agentes da comunidade do Litoral Norte. Os objetivos para a sua criação foram expostos no processo aprovado pelo Conselho Universitário (Consun) em 2013.

Conforme consta do ofício enviado para o Consun pelo então Pró-reitor de Coordenação Acadêmica: “[…] a implantação do referido câmpus visa à constituição de um espaço de expansão da Universidade, que promova a aproximação com uma região, ainda pouco servida em termos de ensino superior. A expansão da UFRGS no litoral norte com a constituição de um câmpus está em consonância com as políticas de expansão do ensino superior propostas pelo Governo Federal. A meta principal é oferecer oportunidades de educação superior em áreas que não contam com o ensino superior público em bases permanentes”.

Dessa maneira, este projeto implantado em Tramandaí no ano de 2014 teve como objetivo proporcionar para mais pessoas oportunidades para acessar a Universidade e, assim, conquistar um diploma de graduação, trabalho e renda. Sabemos como no Brasil os diplomas são importantes ferramentas para melhoria e mudança de qualidade de vida de seus portadores. Ou seja, o desenvolvimento da região a partir da educação é um objetivo destacado aqui.

Quando falamos em projeto, não é apenas porque isso foi colocado em papel e discutido em inúmeras reuniões, mas é também para ressaltar o fato de que ele não nasceu pronto. No ano de 2024, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul completou 90 anos de existência. Mas muitas de suas faculdades têm mais de cem anos de existência. A ideia de projeto, contudo, também tem outra característica muito importante. Com a criação do Câmpus Litoral Norte, a UFRGS consolidou a sua presença na região, que remonta à criação do Centro de Estudos Costeiros, Limnológicos e Marinhos (Ceclimar) em 1978. 

Desde 2014 estão em funcionamento sete cursos de graduação presenciais permanentes, sendo cinco bacharelados (Interdisciplinar em Ciência e Tecnologia, Engenharia de Serviços, Engenharia de Gestão de Energia, Desenvolvimento Regional, Ciências Biológicas – Biologia Marinha) e duas licenciaturas (Geografia e Educação do Campo – Ciências da Natureza), além de um mestrado acadêmico, o mestrado em Dinâmicas Regionais e Desenvolvimento, e outro profissional, o mestrado nacional profissional em Ensino de Física.

O foco do câmpus é sempre o de que as atividades de ensino, pesquisa e extensão sejam desenvolvidas com a mesma qualidade verificada em outras unidades da UFRGS em Porto Alegre. Dessa maneira, para se falar em futuro é fundamental a retomada de obras inacabadas. Temos hoje “esqueletos” de quatro prédios, que contemplariam novas salas de aulas, laboratórios e a prefeitura do câmpus.

Contamos com o apoio de todas as lideranças e representantes da comunidade interna e externa para a busca de recursos, sejam eles do orçamento próprio da Universidade, de emendas ou de outra natureza. Ressaltamos que recentemente foi transferida a antiga Colônia de Férias para o CLN, o que fortalece a presença da UFRGS no Litoral. Por isso, entendemos que vivemos um momento ímpar para darmos andamento àquilo que viemos insistindo nos últimos tempos: a consolidação do Câmpus Litoral Norte.

Isso passa, neste momento, pelo funcionamento a pleno da Colônia de Férias como novo espaço do Câmpus Litoral Norte. Lá realizaremos diversos projetos que caminham no sentido da consolidação. Destacamos, entre eles, primeiro a criação da Casa do Estudante do Litoral, que é fundamental para o acesso e a permanência na universidade. Em segundo lugar, a sua ocupação como espaço para atividades acadêmicas e culturais. Salientamos que, no decorrer do curso, os nossos alunos vivenciam a falta de espaços adequados para aulas e laboratórios.

Para que as atividades de ensino – sejam elas experimentos ou práticas de docência, mas também as atividades de pesquisa e extensão, que compõem o tão importante tripé ensino-pesquisa-extensão – possam ocorrer com qualidade, é fundamental que tenhamos espaços adequados.

Reforçamos que este câmpus foi criado com o objetivo de levar o ensino superior público, gratuito e de qualidade para a região litoral norte do Rio Grande do Sul, que apresenta historicamente índices de desenvolvimento que ensejam a importância de intensos investimentos em políticas públicas, dentre as quais a área de educação é fundamental. Nós estamos aqui para a ajudar no desenvolvimento regional a partir da potencialidade local. Esse foco é destacado quando nós observamos os cursos que ocorrem aqui. Novos cursos e novos projetos poderão ampliar o atendimento às demandas da comunidade. Temos muito a fazer, sempre atentos e fazendo as necessárias correções de rumo. Este deve ser um compromisso de toda a comunidade universitária: fortalecer a UFRGS no Litoral Norte.

O desafio colocado aqui, de consolidação de um novo câmpus, é também um desafio de toda a educação: democratizar e ampliar o acesso à educação, com qualidade e socialmente referenciada. Em um mundo cada vez mais incerto e inseguro, diante das emergências climática e ambiental, precisamos reforçar a importância do conhecimento e da ciência. Para isso, contamos sempre com a parceria de todas e todos.


Felipe José Comunello é diretor-geral do Câmpus Litoral Norte.
Jonas José Seminotti é diretor acadêmico do Câmpus Litoral Norte.
Tatiana Fátima Stürmer da Rosa é diretora administrativa do Câmpus Litoral Norte.


As opiniões expressas nos textos assinados são de responsabilidade de seus autores e não refletem o posicionamento editorial do JU ou da UFRGS.