Estabilidade nos preços dos alimentos em Porto Alegre

Conjuntura | Equipe do Centro de Estudos e Pesquisas Econômicas da UFRGS aponta variação de 0,59% no custo da cesta básica ao longo de 2025

*Foto: Flávio Dutra/JU

O Cesto Básico de Consumo de Porto Alegre, calculado mensalmente pelo Centro de Estudos e Pesquisas Econômicas (IEPE), reflete o custo de aquisição de bens essenciais para a subsistência das famílias. Criado em 1980, o Cesto inclui alimentos, produtos de higiene, limpeza, gás de cozinha e cigarro, funcionando como um termômetro do custo de vida local.

Em setembro de 2025, o custo do Cesto Básico em Porto Alegre foi de R$ 1.056,29, apresentando queda de 0,08% em relação a agosto. No acumulado do ano, a variação é de 0,59%, enquanto nos últimos 12 meses o aumento é de 2,21%. Apesar da relativa estabilidade no período, a composição do índice revela oscilações expressivas em produtos essenciais.

O item de maior impacto no mês foi o gás de cozinha, que subiu 1,86% e alcançou o preço médio de R$ 105,07. Também se destacaram as altas da banana (+3,33%) e da maçã (+1,55%). Em contrapartida, os maiores recuos vieram da batata inglesa (-5,93%), dos ovos de granja (-3,05%) e da cebola (-4,31%). Essas variações refletem tanto condições de oferta agrícola quanto a sensibilidade da cadeia de abastecimento a fatores sazonais. As tabelas a seguir mostram os preços médios dos produtos que se destacaram, tanto positiva quanto negativamente, no mês de setembro em relação ao mês anterior.

ProdutoPreço Médio (R$)
Gás de Cozinha (13Kg)105,07 (+1,86%)
Banana (Kg)6,89 (+3,33%)
Maçã (Kg)12,67 (+1,55%)
Carne Bovina (Kg)40,39 (+0,11%)
Pãezinhos (Kg)14,87 (+0,44%)
Batata Inglesa (Kg)4,45 (-5,93%)
Ovos de Granja (dz)12,41 (-3,05%)
Cebola (Kg)5,09 (-4,31%)
Tomate (Kg)7,94 (-2,60%)
Arroz Agulha (kg)6,01 (-1,30%)

A trajetória do Cesto em 2025 mostra uma tendência de alta até maio, quando atingiu o maior valor do ano. Em junho, ocorreu uma queda de 0,43%, seguida de elevação em julho (+0,31%) e de uma nova retração em agosto (-0,20%) e em setembro. O comportamento reforça a volatilidade dos preços alimentícios, que continuam sendo o principal fator de oscilação no custo de vida das famílias.

Embora os índices anuais apontem relativa estabilidade, o impacto social é significativo. Bens de consumo básico, como gás de cozinha e alimentos, representam parcela elevada do orçamento das famílias de menor renda. Dessa forma, mesmo variações mensais moderadas podem gerar pressão sobre o poder de compra e acentuar desigualdades no acesso ao consumo de bens essenciais. Assim, o impacto social pode ser expressivo, reforçando a importância do acompanhamento mensal realizado pelo IEPE.

Desde janeiro de 2025, o Cesto Básico passou a ser calculado com uma nova estrutura de consumo baseada nos microdados da última Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF/IBGE, 2018). Essa atualização reduziu o número de produtos de 51 para 49 e ajustou as quantidades consumidas de acordo com os hábitos mais recentes da população. A revisão periódica garante que o indicador esteja alinhado à realidade econômica e social das famílias porto-alegrenses.


O Centro de Estudos e Pesquisas Econômicas (IEPE) é um órgão vinculado à Faculdade de Ciências Econômicas da UFRGS. Mensalmente, divulga o boletim econômico, com o Índice de Preços ao Consumidor e o custo da Cesta Básica da Região Metropolitana de Porto Alegre.

Periodicamente, profissionais de diversas áreas ligados à UFRGS escrevem sobre economia, política, relações internacionais e outros temas relacionados à conjuntura. A seção tem curadoria de Tatiany Lukrafka.


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