Exercício físico remoto na doença de Parkinson

Artigo | Alex Fagundes, Aline Haas, Eliamary da Silva, Enaile Moraes e Marcela Delabary, do PPG em Ciências do Movimento Humano, apontam as possibilidades de melhora na qualidade de vida dos pacientes durante a pandemia

*Por: Alex Fagundes, Aline Haas, Eliamary da Silva, Enaile Moraes e Marcela Delabary
*Foto de capa: ESEFID/Arquivo

Para o indivíduo com a doença de Parkinson, realizar exercícios físicos sistematizados se tornou um desafio, sobretudo na atual situação de isolamento social que a pandemia tem ocasionado. Buscando atenuar os efeitos físicos e emocionais, profissionais de saúde especialistas na área do movimento humano têm aplicado alternativas que auxiliem essa população. O desenvolvimento e a adoção de metodologias alternativas que favoreçam a autonomia das pessoas e promovam a realização e a manutenção da atividade física são de extrema importância para a promoção da saúde, a prevenção e o controle de doenças. Nesse contexto, sessões de exercícios de forma remota têm sido aplicadas, obtendo resultados satisfatórios, sendo que o primeiro passo para o sucesso dessa dinâmica é compreender a doença e buscar formas de adaptar as propostas de exercícios físicos frente às novas necessidades. 

A doença, descrita em 1817 pelo inglês James Parkinson, atinge pessoas com idade média de 60 anos e é conceituada como uma desordem neurodegenerativa, crônica, progressiva e de origem desconhecida, que provoca comprometimento nas células do sistema nervoso central que produzem a dopamina, importante neurotransmissor responsável pela regulação e pelo controle dos movimentos, além de influenciar nas emoções, no aprendizado, no humor e na atenção, ou seja, além de afetar o sistema motor, pode acarretar estados depressivos no portador da enfermidade.

Assim, o exercício físico regular, sistematizado, planejado e conduzido por profissionais de saúde e da dança habilitados traz benefícios significativos em relação às capacidades físicas, por melhorar a força muscular, o equilíbrio, a postura, a coordenação motora, o padrão da marcha, a mobilidade articular, o consumo de oxigênio e, consequentemente, os padrões de sono e humor. Assim, o exercício físico, como pilates, dança, corrida, hidroginástica, musculação, alongamento, ioga, etc., pode ser conduzido como tratamento coadjuvante ao tratamento médico e farmacológico e, dependendo da quantidade e do tipo de exercício físico, pode trazer grandes benefícios às pessoas portadoras da doença de Parkinson por afetar positivamente o sistema nervoso central, resultando em neuroplasticidade, neuroproteção e neurorestauaração. 

Estudos de ensaios clínicos com intervenção do exercício físico na doença de Parkinson (PPT-Parkinson/UFRGS) são desenvolvidos por pesquisadores da Escola de Educação Física, Fisioterapia e Dança – ESEFID da UFRGS e têm demonstrado que a sistematização de exercícios físicos, como caminhada livre, caminhada nórdica (com uso de bastões específicos), caminhada em piscina funda (jogging aquático, com uso de flutuadores) e a dança, como forró e samba adaptados, são importantes, além dos fatores mencionados, por atenuarem os efeitos deletérios da perda da massa muscular e da fraqueza muscular e da diminuição da densidade mineral óssea que naturalmente ocorrem nos idosos e principalmente nessa população por conta do tremor de repouso, da pouca ingestão de alimentos e do baixo teor nutricional devido a engasgos e, por fim, do pouco tempo de exposição ao sol para síntese de vitamina D, muitas vezes por medo de quedas.

Essas práticas, bem orientadas, portanto, trazem melhoras significativas à funcionalidade motora e à qualidade de vida. Atualmente a dança e a caminhada nórdica têm sido oferecidas de forma remota, devido ao isolamento social provocado pela pandemia do coronavírus, mas com resultados preliminares importantes

Para evitar ou atenuar os efeitos da inanição provocada pela pandemia, nos aspectos físicos, emocionais e de imunidade, uma alternativa que tem sido bastante utilizada são sessões de exercícios físicos conduzidos de forma remota, usando-se celulares, computadores ou smart TVs. Essa estratégia permite que os beneficiados possam se exercitar na própria casa ou em espaços abertos quando possível. Para a execução dessas atividades, entretanto, existem cuidados que devem ser levados em conta – dentre eles as possíveis dificuldades dos alunos no uso dessas tecnologias, o espaço físico em que as sessões são realizadas -, com o intuito de evitar acidentes, como quedas ou traumas. Dentro de casa, o espaço deve ser amplo, sem móveis ou pilares por perto e bem iluminado; na rua, o cuidado é com irregularidades do terreno. São importantes a dicção e o tom de voz do profissional e a descrição ou demonstração adequada dos movimentos a serem executados. Por fim, o ideal é que as seleções de exercícios enfatizem a mobilidade, a resistência muscular e a função cardiorrespiratória e que possam contemplar diferentes posições corporais (em pé, sentado ou deitado) e vários grupos musculares.

Estudos recentes sobre telemedicina, telerreabilitação e exercícios físicos iniciados pelo indivíduo com Parkinson foram publicados, indicando que o uso do exercício físico de forma remota pode o ajudar a manter a mobilidade física e o bem-estar emocional, mesmo em momentos de isolamento social. 


Alex de Oliveira Fagundes é servidor técnico-administrativo na Escola de Educação Física, Fisioterapia e Dança e atua no Laboratório de Pesquisa do Exercício (Lapex). É doutorando em Ciências do Movimento Humano.
Aline Nogueira Haas é professora doutora do PPG em Ciências do Movimento Humano e da Licenciatura em Dança. É membra da coordenação do Projeto de Pesquisa e Tratamento de Pessoas com Doença de Parkinson.
Eliamary Cristiane Teixeira da Silva é mestranda em Ciências do Movimento Humano.
Enaile Farias Moraes é mestranda em Ciências do Movimento Humano.
Marcela dos Santos Delabary é doutoranda em Ciências do Movimento Humano e coordenadora adjunta do projeto de extensão Dança e Parkinson.