Câmpus Litoral Norte | Estudante de Desenvolvimento Regional acessa sua memória afetiva para encontrar a beleza natural que tanto tranquiliza sua mente e promove o convívio social
*Foto de capa: Ingrid Marques, a partir de sugestão de Flávio Dutra
Natural do ABC paulista, a estudante Ingrid Marques mudou-se para Tramandaí há 5 anos em busca do sonho de frequentar uma universidade federal. Em 2020, na etapa final do curso, as dificuldades da pandemia fizeram com que a estudante de Desenvolvimento Regional voltasse para o estado de São Paulo, continuando os estudos no formato remoto. Apesar disso, ela espera retornar, futuramente, ao Câmpus Litoral Norte para um mestrado.
A escolha do curso foi influenciada pela possibilidade de explorar as áreas tanto de exatas quanto de humanas durante o Bacharelado Interdisciplinar em Ciência e Tecnologia. Inicialmente Ingrid pensou na transferência para a Universidade Federal do ABC, mais próxima da sua família, mas a grade curricular da UFRGS e a estrutura do câmpus no litoral chamaram sua atenção. “Eu gostei muito do câmpus: por ser menor, a gente acaba recebendo bastante atenção. É muito diferente o tratamento. São professores que se dedicam muito aos estudantes”, conta.
“Queria morar em uma cidade um pouco menor; estudar em São Paulo é muito desgastante e caro. Então eu fui para Tramandaí. No começo foi um choque, pensei em pedir transferência pra UFABC. Mas tive oportunidade de iniciação científica e me aproximei dos professores. Eu vi que tinham temas que eram debatidos, como agroecologia, desenvolvimento rural, questões das quais me aproximei mais, que não tinham em outros lugares”
Ingrid Marques
É da paisagem do câmpus e da interação com as pessoas que a estudante tem mais saudade. Em sua rotina antes da pandemia, Ingrid se reunia com colegas do seu curso e de outras áreas para conversar ao redor de uma grande figueira, marco do Câmpus Litoral. O entardecer e o pôr do sol também marcam sua memória afetiva. “O câmpus em geral tem uma beleza natural muito chamativa e que tranquilizava a mente. Isso é uma coisa de que eu sinto muita falta.”
Além da socialização com os colegas, a experiência de aprendizado também foi afetada pela pandemia. Ingrid conta que sente falta da aproximação com os professores e do conforto da biblioteca. Em casa, existem algumas dificuldades para acompanhar o ensino remoto: “No meu curso, a gente não teve tanto problema em relação a questões presenciais como houve na engenharia. Mas fiquei quatro dias sem internet e já estou com várias coisas acumuladas, provas, trabalhos… Estamos sempre justificando o que aconteceu para não ficar para trás. São coisas que vão além de você, mas que vão criando problemas”.
“Era muito legal trocar ideias com pessoas de outras áreas. No ensino remoto, as pessoas com que tenho contato são restritas às que estão na aula. Lá no câmpus, eu tinha contato com pessoas de diferentes semestres, cursos… Era muito mais rica a troca de informações. Eu não notava o quão importante era essa pausa das aulas, de ir pro intervalo, conversar… No ensino remoto, parece que não paramos de estudar, ficamos o dia todo no computador”
Ingrid Marques
Cursando o décimo semestre, a estudante participa de pesquisas de iniciação científica há 4 anos. Em 2020, iniciou um projeto que estudava a relação entre as mudanças climáticas no litoral e as políticas públicas, por meio de entrevistas com secretarias de meio ambiente. Devido ao fechamento das instituições, o trabalho foi interrompido. Atualmente a estudante investiga as propostas de políticas públicas relacionadas à segurança alimentar feitas pelos candidatos à eleição municipal do ano passado, tema de seu trabalho de conclusão de curso. “Nós estamos no processo de mapear quais propostas os políticos estavam trazendo nas eleições, para termos um panorama do que está sendo pensado para discutir essa problemática”, explica.
No último semestre do curso, Ingrid foi surpreendida por dificuldades causadas pela pandemia e decidiu voltar para Ribeirão Pires, cidade em que morava. Agora ela conta que está refazendo seus planos, mas espera retornar a Tramandaí para um mestrado no Câmpus Litoral. “Tenho um plano de fazer mestrado em Dinâmicas de Desenvolvimento. É um curso que me chama muita atenção. Tem algumas cadeiras que eu já vi de maneira um pouco menos profunda, que são temas que eu realmente gostei […] É uma ideia que me agrada muito pensar em voltar. Arrumar um emprego e conseguir continuar meus estudos lá.”





