Meu Lugar na UFRGS | Técnica em assuntos educacionais une trabalho com acompanhamento estudantil e contato com a natureza e as comunidades locais
*Foto: Reprodução UFRGS TV/Meu Lugar
Lugar que combina natureza exuberante, pesquisa, ensino e extensão, o Câmpus Litoral Norte (CLN) da UFRGS ainda permanece um território pouco conhecido. Para Michele Doebber, licenciada em Pedagogia pela UFRGS e técnica em assuntos educacionais no CLN, esse espaço representa mais do que um lugar de trabalho: é um ambiente vivo, em constante diálogo com a comunidade e com os estudantes.
Ao falar sobre o câmpus, Michele destaca de imediato a relação com a natureza. “É um lugar muito verde, com muitos seres de diversas ordens, animais, vegetais, árvores… É lindo”, conta. Mas a beleza não se restringe à vegetação: para ela, o câmpus pulsa na interação com a população do entorno, que busca conhecimento, cultura e aproximação com a universidade. Nesse movimento de troca, ela enxerga a identidade do Litoral.
Entre os símbolos mais marcantes, Michele menciona a figueira, que se tornou uma espécie de emblema do câmpus. “Ela é uma grande mãe, que acolhe vários outros seres. Acho que ela simboliza um pouco esse lugar”, explica. Ainda assim sua relação com o espaço vai além de um ponto específico: é no caminhar sob o sol, na vida que pulsa ao redor que ela encontra sentido em pertencer àquele território.
Essa percepção dialoga diretamente com a trajetória que a levou à pedagogia. Movida pelo desejo de plantar esperança e transformar realidades, Michele vê o professor como uma semente capaz de abrir caminhos. “As crianças estão em um momento de construção da vida, e podemos construir junto um outro mundo possível, cheio de possibilidades.” Essa visão se refletiu especialmente em sua convivência com estudantes indígenas, experiência que marcou sua carreira. Ao participar de rodas de conversa, celebrações e momentos de partilha nas aldeias, aprendeu sobre a importância da escuta sensível e da presença.
“O contato com as pessoas indígenas foi, sem dúvida, o que mais me transformou. Estar nas comunidades, conviver nesses espaços, ouvir os mais velhos… tudo isso alargou a minha visão de educação. São verdadeiras bibliotecas vivas que nos ensinam por meio da oralidade”
Michele Doebber
O trabalho que realiza no Câmpus Litoral tem sido múltiplo. Entre acompanhamento pedagógico, recepção de calouros, análise de evasão e ações afirmativas, Michele também coordena o projeto UFRGS Litoral nas Escolas, que leva a universidade a alunos do ensino médio, apresentando oportunidades acadêmicas e promovendo atividades culturais e educativas. Além disso, integra o coletivo Encontro de Saberes: Comunidades Litorâneas, disciplina que aproxima saberes indígenas, negros e comunitários do currículo universitário, por meio de debates, exibições de cinema indígena e experiências em língua guarani.
Reconhecimento e pertencimento
Essa vivência reforça a convicção da pedagoga de que a universidade precisa avançar em inclusão e diversidade. Para Michele, a presença de diferentes visões de mundo no ambiente acadêmico ainda é insuficiente, e o caminho passa por ampliar a valorização de pesquisas comunitárias, fortalecer projetos que dialoguem com saberes tradicionais e garantir mais professores indígenas e negros na instituição. “A universidade precisa se abrir para as diferentes formas de viver, perceber e sentir o mundo”, afirma.
Michele defende também que a comunidade acadêmica de Porto Alegre se aproxime mais do Câmpus Litoral. “Nosso câmpus ainda é muito desconhecido. Há uma diversidade de ações que vão muito além do ensino: pesquisa, extensão e diversidade cultural. É importante que a instituição reconheça o câmpus como parte integral da universidade e promova mais oportunidades para que as pessoas conheçam e se envolvam.”
Entre caminhadas sob árvores centenárias, atividades de extensão e diálogos com comunidades tradicionais, Michele descreve o Litoral como mais que um espaço físico: trata-se de um território de encontros e possibilidades, onde o ensino se mistura à vida e a universidade se faz presente. Ali cada experiência traz novos significados sobre aprender e ensinar.
A série Meu Lugar na UFRGS é um projeto conjunto JU e UFRGS TV. Confira abaixo a reportagem em vídeo:
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