Meu Lugar na UFRGS | Bacharel em Direito recém-formada relembra as experiências com a equipe de mediação e negociação da UFRGS
*Imagem: UFRGS/TV
A hoje bacharela recém-formada Isadora dos Santos Rodrigues, ao olhar para trás – mais especificamente o segundo semestre de 2017, quando ingressava na Faculdade de Direito –, se enxerga como “uma guria mais do interior”. Chegada não faz muito de Taquara, encarou a experiência de vir para Porto Alegre como uma mudança de escala em relação ao que já conhecia.
O próprio prédio da faculdade provocou um choque com sua dimensão mais monumental. Numa tarde de dezembro conversamos no saguão de entrada, tendo de um lado o busto de Ruy Barbosa e do outro o de Manoel André da Rocha – hoje esse acesso se encontra desativado. A abóbada do teto é ornamentada com afrescos. Ao acessar os patamares superiores, subimos uma escadaria imponente de degraus brancos com sólida balaustrada cor salmão. No topo da escadaria há um vitral em que está uma figura feminina vendada com uma balança na mão esquerda e uma espada e um livro na direita, identificada como ‘Justiça’.
A jovem mulher de cabelos claros e pele branca sentada na escadaria me conta com voz suave e firme que a faculdade sempre foi para ela um local muito grandioso. “Eu me sentia muito importante de fazer parte de tudo isso e vinha cheia de expectativas de todas as possibilidades que o Direito poderia me proporcionar. Acho que no início talvez nós sejamos um pouco mais idealistas e aos poucos vêm algumas ilusões e desilusões. A gente começa a entender um pouco mais a realidade, o que é triste, mas ao mesmo tempo continua nos dando cada vez mais vontade de transformar as coisas a partir dessa ferramenta que é o Direito.”
O ambiente do Direito, frisa a bacharel, é bastante intimidador. “O que o torna um pouco mais acolhedor são as pessoas que querem pensar diferente e tentar tornar o Direito mais próximo das pessoas, da realidade. O que nós queremos com o Direito é melhorar a vida das pessoas, e não torná-lo algo apenas distante e burocrático.”
A descoberta da mediação
Na faculdade, o que mais marcou Isadora foi a iniciativa proveniente dos estudantes de criar espaços de trocas. Desde o início, teve contato com o Serviço de Assessoria Jurídica Universitária (SAJU), que presta serviços gratuitos à comunidade. Mais especificamente, envolveu-se com o grupo de mediação. “Tive uma outra visão que eu não tinha quando entrei na faculdade, que era pensar que existem outras formas de resolver as questões jurídicas que não apenas sentar à frente do juiz e esperar que ele traga uma decisão e resolva a vida das pessoas. Nós também podemos construir essas soluções por nós mesmos.”
“A mediação”, explica, “é um método de resolução de conflitos em que o terceiro imparcial facilita a conversa entre as pessoas. O mediador utiliza diversas técnicas que fazem com que a comunicação seja mais produtiva.” Como exemplo, cita a separação entre casais, situação em que, além de estabelecer a guarda dos filhos, pode abarcar outros assuntos que envolvem o sentimento das pessoas, sugerindo uma comunicação mais leve e humanizada para momento tão delicado.
“Isto me encantou desde o início da faculdade: saber que dá, sim, para trabalhar o Direito de uma outra forma que não seja tão rígida, tão complicada, tão numa língua não acessível para as pessoas normais”
Isadora dos Santos Rodrigues
Da primeira introdução no SAJU, logo chegou à equipe de mediação e negociação da UFRGS, que representa a Universidade em competições que reúnem estudantes do Brasil – ou até mesmo de outros países – para trabalhar em um caso fictício. “É uma experiência muito interessante para conseguir viver algo mais prático que às vezes a gente não tem nas aulas de graduação. Esse grupo me manteve viva durante a faculdade inteira, porque era nossa diversão. Fiz muitos amigos”, regozija-se.
Com o grupo, participou de competições nacionais – chegara a alcançar um segundo lugar, resultado histórico para a equipe da UFRGS – e internacionais, como uma promovida pela International Chamber of Commerce, em Paris. Esta ocorreu de forma virtual durante a pandemia. No último semestre da faculdade, teve a oportunidade de participar, de forma individual, de uma competição de escrita de planos de mediação. “A gente analisa a melhor estratégia para o nosso cliente resolver aquele caso, se existem alternativas melhores para negociar um acordo, se há interesses em comum entre as partes. A ideia é pensar o que aquelas pessoas naquela negociação têm em comum que possa fazer com que cheguem a um acordo, tentar pensar do mesmo modo que o outro lado para entender o que seria interessante para eles para convencê-los a fechar o acordo sem deixar de lado os interesses do cliente que nós estamos representando ali naquele caso fictício. Foi uma experiência muito interessante”, ressalta.
“Recomendo a todos os estudantes que participem dessas iniciativas que oferecem algo além do que nós temos na sala de aula de graduação. Isso faz muita diferença!”
Isadora dos Santos Rodrigues
Outra experiência instigante que experimentou foi um intercâmbio para Montreal, no Canadá. Segundo Isadora, experiência muito relevante em termos de mudança de mentalidade, já que teve contato com pessoas do mundo inteiro. “Esse tipo de experiência de poder ir a outro país, de conversar com pessoas de outras culturas, de ver a diferença de visões no mundo é algo que abre demais a cabeça para todas as possibilidades que nós temos, também faz com que possamos crescer, ter uma maior capacidade de adaptação”, conclui.





