As caras da UFRGS | Orientadora Educacional está na Faculdade de Educação desde a graduação, transformando colegas servidores em amigos e ajudando os estudantes a permanecerem a partir do diálogo
*Foto: Marcelo Pires/JU
Ao chegar ao terceiro andar da Faculdade de Educação da UFRGS, é fácil identificar onde fica o Núcleo Acadêmico (NAC). As muitas mãos coloridas nas paredes indicam o caminho. É nesse espaço que Juliana Veiga de Freitas pode ser encontrada. Ela é formada em Pedagogia e ocupa o cargo de Pedagoga/Orientadora Educacional na Faced há 10 anos. Ao longo da entrevista e da produção das fotos, suas interações com os colegas de trabalho deixam claro o quanto todos gostam dela. Talvez as muitas mãos nas paredes sejam um reflexo do quanto Juliana consegue criar vínculos com estudantes e colegas.
Juliana diz que pedagogia “foi escolha do universo” e que “era para ser, mas não foi uma escolha consciente”. Ela prestou vestibular duas vezes para Relações Públicas; na primeira tentativa, colocou como segunda opção de curso a Pedagogia por gostar de crianças, e acabou sendo chamada. No segundo semestre de 2005, Juliana ingressou na Faced cursando apenas uma disciplina enquanto fazia cursinho. Acabou não passando para Relações Públicas na segunda tentativa. “Nesse momento, eu olhei para o céu: eu acho que eu tenho que ficar aqui”, raciocinou. Decidiu dar uma chance para a Pedagogia e se comprometeu com o curso. Juliana acabou se encantando pela área e fez amizades que foram fundamentais para que permanecesse.
Apesar de gostar de crianças e do curso, sempre entendeu que não gostaria de ser docente. Ela relembra que na época em que era estudante de escola achava muito legal a orientadora educacional. “Ela resolvia o problema dos outros. E eu olhava para ela sempre: ‘Ai, um dia eu quero ser essa pessoa!’.” Quando questionada se gosta do cargo, ela não demora em responder que adora. Tendo finalizado um doutorado recentemente, ela segue sem intenção de lecionar, pois gosta das possibilidades que tem no cargo que ocupa e do trabalho que faz com os alunos. “E, quando a gente faz o que gosta, as pessoas gostam da gente porque a gente é feliz, e eu acho que gente feliz não incomoda muito.”
Entre as tarefas que realiza, Juliana diz que seu “carro chefe” é ajudar os estudantes, por meio de conversas individuais, a pensar seus currículos a partir de suas vidas. “Eu acho que o que eu faço de melhor é o vínculo, criar vínculo”, acrescenta. É dessa forma que ela se mantém disposta a dialogar com os estudantes quando estão passando por algo que afeta a vida acadêmica deles. “Eu sou muito persuasiva”, brinca ao falar que já evitou alguns cancelamentos de matrícula.
A mudança do NAC para o terceiro andar também foi uma luta de Juliana e de colegas de trabalho. Ela diz que a energia de estar no meio dos estudantes é totalmente diferente e conta que eles gostaram da proposta de deixar as mãos nas paredes – muitos ainda levam colegas que não deixaram sua marca para fazê-lo. No meio da sala do NAC há um pilar que não tem marca alguma de mão; o espaço está separado para os alunos que virão para o curso de Pedagogia noturno. Juliana foi uma das participantes do Grupo de Trabalho que estruturou a nova modalidade que iniciará em 2024.

Desde que entrou para a Faced, Juliana nunca mais saiu. Servidores como Gerson, que recebeu a primeira matrícula de Juliana, e Iara, que recebeu o TCC dela, hoje são colegas de trabalho, além de amigos. Durante a entrevista, ela e os colegas brincam entre si, às vezes com provocações, mas Iara ressalta que, assim como Juliana gosta muito deles, eles também gostam dela. Para Juliana, os amigos que ela faz na Faced se tornam sua família, são pessoas com quem ela sabe que pode contar.
Outra pessoa importante na trajetória da pedagoga foi a professora Clarice Traversini, que ela chamava de “mãe acadêmica”, falecida em 2021. Clarice foi sua orientadora de iniciação científica, mestrado e parte do doutorado, e disse para Juliana, quando abriu concurso para o cargo que ela hoje ocupa, que ela passaria na prova. Clarice acabou se tornando uma amiga, inspiração e uma falta difícil de lidar, mas lembrada sempre com muito carinho.
Fora da Universidade, o que ela mais gosta de fazer é viajar, principalmente para lugares quentes e com praia. “Pisar na areia e olhar para o sol, ou estar dentro da água – tu não consegue pensar em problema.” Ela planeja morar no litoral algum dia. “A praia tem esse efeito calmante para mim que sou muito acelerada”, reflete. Por enquanto, os pais já idosos e os amigos a mantêm em Porto Alegre. Uma de suas metas é visitar ao menos uma cidade em cada estado brasileiro – ainda falta metade dos estados. Outra coisa importante para ela é cuidar da saúde mental e física. Ela diz que trabalhar com público muitas vezes é cansativo, então, ter tempo para cuidar de si é importante.
Juliana fala que sabe das dificuldades de acesso e permanência na UFRGS, mas que ela gostaria que as pessoas acreditassem mais que esse espaço é delas, pois para ela a Universidade é transformadora.
A gente tem o privilégio de acompanhar alunos que tiveram uma vida superdifícil, que terminaram o curso aqui com dificuldade, mas terminaram. E hoje, por exemplo, ingressaram no mestrado, e eu me lembro de uma delas que, antes de fazer entrevista, passou aqui para tomar um café com a gente. E ela disse assim: ‘Ah, eu jamais imaginei que estaria neste lugar’. Então eu gostaria que as pessoas pudessem se imaginar nesse lugar, porque eu acho que é para o público
Juliana Veiga de Freitas





