O (novo) lugar de Dirce na UFRGS

Meu Lugar na UFRGS | Bibliotecária do ICBS conta sobre os desafios da mudança do Câmpus Centro para o Câmpus Saúde e suas andanças dentro da Universidade

*Foto: Flávio Dutra/JU – Imagem produzida via plataforma Zoom, na nova Biblioteca do ICBS

Com um sorriso, e surpresa pela também chegada dos colegas da UFRGS TV – não esperava que a entrevista fosse gravada –, Dirce Maria Santin recebe seus visitantes. À sua volta, os sinais de mudança são claros: caixas e estantes a serem arrumadas, prateleiras ainda não preenchidas, mesas e computadores enrolados em plástico-bolha e fitas restringindo a movimentação dos usuários.

A biblioteca do Instituto de Ciências Básicas da Saúde está de chegada a um novo espaço – a ocupação do novo prédio do ICBS, agora localizado no Câmpus Saúde, segue em andamento. Aos poucos, o prédio vai se adequando, seus corredores ganham vida, e a biblioteca, obviamente, não pode ficar para trás.

O interior do ambiente é claro e limpo. O espaço conta com salas de estudo e uma varanda que fica de frente para a esquina da Ipiranga com a Ramiro Barcelos. Quem entra ali sente que conforto e praticidade andam juntos.

Dirce conta que a ideia é criar um espaço que não se restrinja ao público do ICBS, mas que toda a comunidade do Câmpus Saúde se sinta à vontade para conhecer e frequentar: “Nossa expectativa com esse novo espaço é também de um reposicionamento da biblioteca para atender a demandas acadêmicas e culturais da comunidade do ICBS e também da comunidade externa. Então a gente quer oportunizar, nesse espaço, a interação, a integração, a cultura, a informação acadêmica, a pesquisa; que a biblioteca seja um espaço em que todos possam desenvolver essas atividades”, conta. “Esse é o nosso desejo, queremos que ela seja um espaço coletivo no Câmpus Saúde e que atue de forma integrada com o sistema de bibliotecas da UFRGS.”

É no que Dirce acredita. Para ela, a formação de profissionais passa pela integração entre pessoas de diferentes áreas do conhecimento, e as bibliotecas não podem estar alheias ao processo. Como bibliotecária, acredita que seu papel está em auxiliar na formação de profissionais flexíveis, cada vez mais capazes de trabalharem em equipes multidisciplinares, de se relacionarem com diferentes públicos e de manusearem informações nos mais diversos suportes.

Trajetória

Movida pelo seu gosto pela cultura e literatura, Dirce ingressou no curso de Biblioteconomia em 2000. Durante a graduação, morou na Casa do Estudante e participou de movimentos estudantis, experiências que construíram sua consciência social: “A UFRGS tem esse trabalho de uma formação mais ampla de cidadão, de profissional, de pesquisador, que nos faz muito bem, que faz bem à sociedade como um todo.”

Em 2010, Dirce passou a trabalhar na biblioteca do ICBS, de onde nunca mais saiu. Em paralelo, investiu em sua carreira acadêmica e concluiu mestrado e doutorado em Comunicação e Informação pela Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da UFRGS (FABICO). Suas linhas de pesquisa giram em torno da comunicação científica, assunto que se relaciona diretamente com sua atuação no ICBS: “Aqui se desenvolvem muitas pesquisas nas áreas biomédicas e da saúde, e se comunicam muito os resultados. Então a comunicação científica acaba trazendo resultados para a minha atuação como bibliotecária e para o fazer da biblioteca do ICBS”.

Sentada a alguns metros da grande parede de vidro da biblioteca, por onde é possível ver a ponta do Planetário recortando o horizonte, Dirce fala sobre as funções das novas bibliotecas universitárias: “As bibliotecas acadêmicas vivem um momento de grande transformação, que se dá tanto pelo contexto acadêmico quanto pelo ecossistema de informação, que envolve tecnologias, informação digital e demandas da comunidade que são cada vez mais diversas e complexas”.

“As bibliotecas são bastante desafiadas no contexto de tecnologias, mas elas têm se colocado de forma bastante atuante neste sentido. E um dos papéis importantes que elas assumem a partir dessas transformações é o da educação, de ter um papel maior na educação de seus públicos, para que eles possam usar de forma crítica e efetiva a informação”

Dirce Maria Santin

Dessa forma, complementa, a capacidade de organizar a informação, de disseminá-la, de geri-la e de educar o público em função da diversidade de fontes digitais e da complexidade da informação que se coloca no mundo torna-se fundamental para um bibliotecário acadêmico.

Desafios

Dirce acredita que, apesar da dificuldade de lidar com as limitações, as bibliotecas conseguiram se posicionar rapidamente para suprir as demandas durante a pandemia, oferecer atendimentos e desenvolver sistemas digitais. Para a bibliotecária, o diferencial da rede de bibliotecas da Universidade é a sua preocupação, já de longa data, com o desenvolvimento de coleções eletrônicas, o que se mostrou útil para superar a turbulência na pandemia.

“Foi um período triste, que nós não precisávamos viver, mas que resultou em aprendizados, novos serviços e comportamentos da comunidade acadêmica”

Dirce Maria Santin

Ao mesmo tempo que se desdobrava para responder às demandas do público do ICBS, Dirce, ao lado de seus colegas, já projetava a mudança para o novo prédio do Instituto, inaugurado em fevereiro deste ano. A transferência é gradual e trabalhosa, como ela admite: “E esse processo de mudança de biblioteca não é simples, não é fácil. É literalmente pesado”. Mas Dirce tem certeza de que os esforços se justificarão, da mesma maneira como tem clareza do que quer construir em seu novo lugar na UFRGS.

A série Meu Lugar na UFRGS é um projeto conjunto entre o JU e a UFRGS TV. Confira abaixo a reportagem em vídeo: