Prae oferece serviço de acolhimento gratuito

Saúde mental | Atendimentos seguem acontecendo em formato virtual e beneficiários podem solicitar por e-mail 

*Por: Anna Ortega
*Foto de capa: Flávio Dutra/JU

Com intenção de continuar prestando auxílio e acolhimento a alunos mesmo durante o período de isolamento social, o Programa de Benefícios da Pró-reitoria de Assuntos Estudantis (Prae) vem realizando atendimentos psicológicos no formato remoto. O serviço já era ofertado a beneficiários do programa antes da pandemia e conta com uma equipe de psicólogos que trabalha no atendimento e na orientação à promoção da saúde mental de discentes. “A ideia é escutar o estudante, auxiliá-lo a identificar quais dificuldades está vivenciando e de que maneira pode lidar com esse momento de sua vida”, explica Thais Ferrugem Sarmento, psicóloga da Prae. 

Os atendimentos são individuais, marcados sob demanda do estudante, e podem ser agendados a qualquer momento por alunos participantes do programa. Não há regra nem a necessidade de já ter realizado alguma consulta. “Os alunos procuram com as mais variadas questões da vida acadêmica – de saúde, familiares, relacionadas à entrada na vida adulta”, acrescenta Thais.

De acordo com a servidora, a procura pelo atendimento caiu nos primeiros meses de suspensão das aulas, porque muitos alunos não sabiam que o atendimento seguia acontecendo ou pensavam que o período de suspensão seria mais breve do que está sendo. A demanda aumentou, porém, com a proximidade da implementação do Ensino Remoto Emergencial (ERE) na Universidade e com o início das aulas virtuais em 19 de agosto.

A psicóloga observou que o período tem trazido angústias de todas as ordens, relativas à vida acadêmica, mas não só. “Muitos alunos  têm relatado um sofrimento social, em que questões financeiras, por exemplo, podem ser agravantes. Algumas famílias perderam grande parte da renda, e membros da família não estão conseguindo um novo trabalho. Tudo isso traz muita preocupação”, sinaliza. 

Orientações de cuidado com a saúde mental 

Apesar de o trabalho do núcleo já ter um longo histórico de acompanhamento de alunos, o momento traz especificidades com relação ao cuidado com a saúde mental. A psicóloga explica que, observando a realidade de cada estudante, aspectos como a organização da rotina e a atenção ao conteúdo que tem sido consumido durante o dia podem ser fundamentais no acolhimento. “A exposição em excesso a notícias e a alteração de rotina e de sono, por exemplo, podem ser geradores de ainda mais angústia”, justifica.

“Alguns têm relatado também dificuldade de concentração e de memória. E isso é algo importante de notar, pois períodos de estresse crônico como o que estamos vivendo podem prejudicar o aprendizado, no sentido de prejudicar a capacidade de atenção e de memória”, observa Thais. A psicóloga explica que este é um momento em que as demandas dos alunos cresceram. Além de  estarem acompanhando as aulas em um formato que é novo, as condições de aprendizado se tornaram mais desafiadoras, seja em relação à saúde mental, ao efeito do estresse crônico que afeta as questões cognitivas ou à própria rotina familiar e cotidiana do aluno. 

Agendamento acontece por e-mail 

Para agendar um atendimento de acolhimento psicológico, o estudante deve enviar um e-mail à Prae com a solicitação. Para beneficiários moradores das Casas de Estudante, o endereço é  acompanhamentomoradia@ufrgs.br; para os demais participantes do Programa, o endereço é psicologiaprae@prae.ufrgs.br. 

Thais reitera que, para realizar o atendimento, não é necessário identificar um sofrimento acentuado, basta ter o desejo de uma escuta especializada. O atendimento em saúde mental acontece de forma preventiva com o intuito de promoção de saúde, de acolhimento e de encaminhamento à rede pública (SUS), caso necessário.

O serviço é gratuito e pode ser importante no enfrentamento às situações vividas individualmente pelos estudantes, mas também pelas situações que estão implicadas no coletivo. “Muitas vezes o aluno vê sua dificuldade como uma incapacidade individual, como se ele não estivesse dando conta. Na verdade, é toda uma estrutura de vida que não está sendo favorável.” 

“As medidas de cuidado vão no sentido de tentar resgatar um pouco o controle possível neste momento. A gente não tem muito controle sobre o que irá acontecer com a pandemia, com toda a população da nossa cidade, mas a gente pode retomar um pouco a sensação de controle sobre a própria vida, à medida que começa a organizar uma rotina e a decidir o que fazer ao longo do dia, por exemplo. É um controle relativo, limite, mas é algum controle. Porque a sensação de perda de controle está muito associada ao aumento dos níveis de ansiedade.” 

Thais Sarmento 
Foto: Flávio Dutra/JU

Anna Ortega é estudante de Jornalismo da UFRGS.