Régis e Edison e o trabalho quase cinquentenário no Instituto de Química 

Meu Lugar na UFRGS | Funcionários do Instituto de Química da UFRGS falam sobre suas trajetórias desde 1974 na Universidade

*Foto: Ana Terra Firmino/JU

Há 49 anos, no Instituto de Química da UFRGS, iniciava-se a história de uma dupla. O técnico de laboratório Régis Barlem Machado, de 69 anos, e o farmacêutico Edison Schwarz de Melo, de 67, entraram na Universidade em 1974 por meio de concurso. Régis foi alocado na Escola de Engenharia Química, e, em 1976, transferido para o setor de química orgânica. Edison, duplamente contemplado, foi aprovado no vestibular de farmácia e no concurso para laboratorista. Foi aluno e funcionário e, mais tarde, também professor. Na sequência, participou de um concurso interno e passou a ocupar a vaga de farmacêutico, na qual permanece até hoje. Além disso, relembra a época em que foi secretário da unidade, nomeado pelo então diretor Valentim Roberto Costa, de quem Edison também virou amigo.

Em 1981, o Instituto de Química foi realocado do centro para o Câmpus do Vale. Régis e Edison ajudaram na mudança e lembram das dificuldades desse processo. “Era pra ter sido um ano e meio antes, nas férias grandes, mas os prédios aqui da química não estavam prontos”, conta Régis. Os laboratórios ainda não tinham água instalada nem rede elétrica, então somente em julho de 1981 o local passou a ser ocupado.

“A química foi o prédio cobaia. Aí veio a física, a matemática, todo o resto”

Régis Barlem Machado

Com o passar do tempo, adaptações foram feitas para melhorar o desempenho do Instituto. Todo esse avanço e trabalho auxiliam na boa pontuação do curso de Química, que alcança a nota máxima (7) pelos critérios da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

Por mais que houvesse um planejamento do novo câmpus, Edison conta que havia resistência para essa mudança, por conta da distância do centro de Porto Alegre. “Aqui, na época, só pra vocês terem uma ideia, só existia uma linha de ônibus. Se tu pegasse o ônibus no centro, tu demorava uma hora e meia. Na época, eu estava como secretário, a gente conseguiu um ônibus chamado Trovão Azul, que era um monobloco. Saía da reitoria às sete e meia, chegava aqui no Câmpus e voltava às cinco”, relembra.

Edison passou por outros setores da unidade, mas retornou ao almoxarifado: “que foi a minha origem”. Em 2018, quando Régis cursava o mestrado na UFRGS, no setor de ciência dos materiais, foi transferido para trabalhar também no almoxarifado, diretamente com Edison. Juntos, desenvolveram diversos projetos que até hoje são empregados. No setor, lidam com o recebimento, a catalogação e entrega dos materiais.

“Hoje, o Instituto de Química tem um almoxarifado de produtos que é padrão e que serviu de referência para outros. Por exemplo, o Dmae, a Corsan, outras universidades vieram aqui e também fizeram uma cópia”

Edison Shwarz de Melo

A dupla também faz o recolhimento dos materiais descartados e fecha parcerias para a reciclagem desses objetos. Um dos parceiros é o Hospital Psiquiátrico São Pedro. “A gente criou algo que foi inédito, que é o sistema de controle e armazenagem de produtos químicos”, pontua Edison. Todos os produtos são cadastrados e rastreados, e cada professor tem direitos a indicar alunos para a retirada desses químicos. Segundo eles, o sistema desenvolvido gera economia para a universidade e beneficia o Instituto com a facilidade de acesso e organização.

Não é só o Instituto de Química que sai beneficiado pelo trabalho de Régis e Edison, mas a universidade em geral. “O centro de gestão e tratamento de resíduos químicos agora abrange toda a universidade, então, por exemplo, a [Faculdade de] Veterinária gera um resíduo, e todo ele é gerenciado aqui”, complementa Régis. Segundo o técnico, esse foi um dos fatores que destacou o curso de Química da UFRGS como pioneiro, administrando os rejeitos químicos de toda a Universidade.

Com idade suficiente para encaminhar a aposentadoria, Régis e Edison não pensam em buscá-la tão cedo. “Tenho idade suficiente para me aposentar, mas o fato de conviver com todos os alunos, principalmente o pessoal de mestrado e doutorado, de a gente poder ter essa possibilidade de estar gerando projetos, é por isso que eu digo que esse é meu lugar na UFRGS enquanto eu estiver lúcido e puder contribuir”, acrescenta Edison.

Nesses quase 50 anos de UFRGS, Régis e Edison já foram homenageados diversas vezes pelos alunos. A convivência com os estudantes de graduação e pós-graduação é parte do que os mantêm convictos de que pertencem ao Instituto de Química. Uma trajetória longa como a deles é repleta de coisas boas, mas também de momentos difíceis. Apesar dos problemas, o saldo da dupla é positivo, e eles explicam o motivo com uma palavra: persistência.


A série Meu Lugar na UFRGS é um projeto conjunto entre o JU e a UFRGS TV. Confira abaixo a reportagem em vídeo: