Sala Redenção realiza sessões online de documentários de diretoras gaúchas

Cultura | Além da exibição, o projeto Tela Virtual promove, logo após os filmes, debates de Clarissa Virmond e Gabriela Linck com o público

*Imagem de capa: Cenas do curta-metragem Terra do Sempre, dirigido por Clarissa Virmond

Segundo Victor Souza, aluno do quinto semestre de História da Arte na UFRGS e bolsista da Sala Redenção, o ambiente online tem no cinema uma forma de afetar as visões de mundo, treinar o olhar, colocando em oposição com os outros olhares. Pensando nisso, a Sala Redenção iniciou, em 2021, o projeto Tela Virtual, que consiste na exibição de um filme e, logo na sequência, a realização de um debate, com a participação de especialistas e diretores. As sessões acontecem a cada duas quintas-feiras, às 19 horas, pelo canal do Departamento de Difusão Cultural no YouTube.

“Dessa maneira, podemos confrontar essas imagens com elas ainda frescas na memória, enriquecendo nosso olhar com as histórias de quem realizou o filme e com opiniões de quem participa no chat das transmissões. A ideia é tornar a troca de ideias o mais horizontal possível”

Victor Souza

Neste mês, a Sala Redenção irá exibir dois documentários realizados a partir de fragmentos e registros particulares de duas diretoras gaúchas. Segundo a Sala Redenção, ambas as produções partem de um sentimento de afeto e angústia para refletir sobre perdas, seja no passado, com imagens que constroem uma memória, seja no presente, em que a urgência das situações exige um respiro em meio ao caos.

O primeiro documentário a ser exibido em junho será o “Terra do Sempre”, dirigido por Clarissa Virmond, neste dia 3, contando com uma conversa com a diretora logo após. No dia 17 de junho, é a vez do documentário “I Am Not Upset”, de Gabriela Wondracek Linck, que também participará de uma conversa após a sessão.

A equipe da Sala Redenção admite, entretanto, saber que parte do público não possui acesso à internet e que assim não conseguem ter acesso aos filmes, como antes. “O contato que parcialmente se perde com essa parte do público é o que mais pesa, principalmente tratando-se dos espectadores mais velhos, já que muitos são do grupo de risco ao vírus”, pondera Victor, que também ressalta uma nova parcela de espectadores nas redes e em como isso fortalece o cinema universitário enquanto espaço que pertence à UFRGS, mas que se estende para fora dela.  

Sendo assim, há um encontro entre um novo público e um público já antes cativo, que mostram igual interesse em participar das discussões promovidas pela Sala no Tela Virtual. “Talvez numa necessidade gigantesca de um ambiente que não abre espaço para discursos de ódio e negacionismo”, conclui Victor.

Cenas do curta-metragem Terra do Sempre, dirigido por Clarissa Virmond