Taxa de imunócrito e o desempenho de leitões

Veterinária | Lucas Michel Wolf e Rafael da Rosa Ulguim apresentam resultados de estudo que avaliou o volume de imunoglobulinas em leitões recém-nascidos e sua relação com a sobrevivência desses animais

*Por: Lucas Michel Wolf e Rafael da Rosa Ulguim
*Foto: Ana Terra Firmino/JU – Ensaio Fotográfico UFRGS 88 anos

O consumo de colostro – primeira secreção produzida pela glândula mamária da fêmea após o nascimento do primeiro leitão – é fundamental para a absorção de imunoglobulinas por parte dos leitões recém-nascidos. Isso ocorre pois a placenta da espécie suína é do tipo epiteliocorial difusa e não há transferência passiva de imunoglobulinas da matriz para o feto durante o período gestacional. Principal fonte de proteção imunológica dos leitões no período pós-parto, o colostro fornece nutrientes como proteínas, carboidratos, lipídios, vitaminas e minerais, auxilia na termorregulação e acelera o crescimento e a maturação intestinal através de fatores de crescimento. Dessa forma, assegurar o consumo de colostro nas primeiras 24 horas de vida dos leitões é essencial para o desenvolvimento energético e imunológico desses animais.

Alternativas que sirvam como ferramentas para mensurar o consumo de imunoglobulinas nesse período inicial de vida dos leitões são importantes para avaliar o desempenho desses animais. Nesse sentido, a técnica de imunócrito (realizada a partir de amostras de soro do sangue de leitões) pode ser empregada. Ela resulta na relação do volume de imunoglobulinas presentes no soro desses animais nas primeiras 24 horas de vida, o que permite relacionar os valores obtidos com o consumo de colostro e o desempenho dos leitões lactentes. Desenvolvemos, assim, um estudo cujo objetivo foi estabelecer relações entre os valores de imunócrito com as variáveis de ordem de parto das matrizes (OP), número de nascidos vivos por leitegada (ninhada de leitões), peso, intervalo e ordem de nascimento, mortalidade até os 5 dias de vida e ganho de peso nas 24 horas de vida. 

Inicialmente foi realizada a etapa de campo do estudo, com o acompanhamento de 75 partos, nos quais foram realizados todos os manejos pós-parto de cada leitão nascido, como a secagem com pó secante, a cura do umbigo com solução de iodo, a pesagem e a aplicação de brincos de identificação. Nas 24 horas de vida dos animais, foram realizadas uma segunda pesagem e a coleta de sangue de 1.125 leitões em tubo de coleta a vácuo com ativador de coágulo. Posteriormente, as amostras foram armazenadas e processadas no laboratório do Setor de Suínos da UFRGS.

Foto: Ana Terra Firmino/JU – Ensaio Fotográfico UFRGS 88 anos

Como resultados observados no estudo, foi possível avaliar que leitões de fêmeas primíparas – isto é, que pariram pela primeira vez – tiveram maior imunócrito que leitões das demais ordens de parto (2 – 8). Além disso, leitegadas menores, com até 15 leitões nascidos, apresentaram maior taxa de imunócrito do que leitegadas com 15 ou mais leitões nascidos vivos. O peso ao nascer também esteve associado aos valores de imunócrito obtidos: os maiores valores de imunócrito foram encontrados em leitões médios (com peso entre 1,1 e 1,45 kg) e pesados (com mais de 1,45 kg). Sobre a ordem de nascimento, foi possível observar que os primeiros leitões a nascer tiveram maior imunócrito que os nascidos posteriormente. Em relação à sobrevivência, os leitões que morreram em até 5 dias após o nascimento apresentaram menores valores de imunócrito quando comparados aos que sobreviveram. No desempenho das 24 horas de vida também observamos diferença entre os animais avaliados, com maiores taxas de imunócrito obtidas de leitões que tiveram maior ganho de peso no primeiro dia de vida.

A partir da realização do estudo e da análise dos resultados obtidos, é possível destacar que leitões com menor peso ao nascer devem receber uma maior assistência pós-parto para que tenham a ingestão adequada de colostro. Da mesma forma, em leitegadas maiores e nos últimos leitões a nascer há a necessidade de uma atenção maior para o consumo de colostro nas primeiras 24 horas de vida, buscando evitar perdas produtivas e reduzir a mortalidade pré-desmame de leitões. 


Lucas Michel Wolf é acadêmico do curso de Medicina Veterinária da UFRGS e bolsista de Iniciação Científica CNPq no Setor de Suínos da UFRGS.
Rafael da Rosa Ulguim é professor adjunto ao Departamento de Medicina Animal da UFRGS.


“As manifestações expressas neste veículo não representam obrigatoriamente o posicionamento da UFRGS como um todo.”



Premiados SIC 2022

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As imagens dos artigos compõem um ensaio fotográfico alusivo ao aniversário da UFRGS, produzido por Ana Terra Firmino (bolsista de Fotojornalismo), sob supervisão de Flávio Dutra (fotógrafo do JU).