Zélia Zaghetto e as cinco décadas de dedicação ao Instituto de Geociências

Meu Lugar | Servidora técnico-administrativa ingressou na UFRGS aos 15 anos de idade como auxiliar de laboratório e hoje gerencia o IGEO

*Foto: Pietro Scopel/JU

Em meio ao verde do Câmpus do Vale, no limiar entre Porto Alegre e Viamão, está o Instituto de Geociências (IGEO). Composto de cinco departamentos e outros cinco centros de pesquisa, o IGEO conta com o trabalho de mais de 170 docentes e servidores que viabilizam, diariamente, o funcionamento da unidade nos âmbitos educacional e científico. Desses tantos colaboradores da UFRGS, está a gerente administrativa do Instituto, Zélia Zaghetto, que em 1.º de junho de 2026 completa 50 anos de carreira dentro da Universidade. 

Responsável pela coordenação das demandas burocráticas do espaço, como a elaboração de atas e ofícios, e pela assistência aos professores e funcionários, Zélia conhece cada canto do IGEO como a palma da mão. Ao circular pelos corredores com paredes de tijolo à vista, sabe bem quem é cada um dos trabalhadores que atuam no Instituto e os cumprimenta com a mesma educação de um primeiro encontro. “Eu tenho o [Instituto de] Geociências como a minha família”, conta a servidora. 

E não teria como ser diferente. Zélia entrou na UFRGS aos 15 anos, em 1976, como auxiliar de laboratório do departamento de Paleontologia e Estratigrafia. Mais tarde, se qualificou e passou em um concurso interno para técnica em assuntos educacionais. Acompanhou a migração do IGEO do Centro para o Vale, participou da greve de 1984 – uma das mais longas paralisações já realizadas na Universidade –, se graduou em Letras em 1992 e, mais recentemente, vivenciou as mudanças nos fluxos de trabalho após a pandemia de covid-19, que garantiu o incremento de um regime híbrido de escala. Ela nunca trabalhou em outro lugar e cresceu na Universidade, assim como a Universidade cresceu com ela.   

“Me sinto respeitada quando apresento soluções para alguns problemas ou situações, e isso faz com que eu continue aqui. Essa relação de confiança que se estabelece com os membros da comunidade é importante para a gente querer permanecer no ambiente”

Zélia Zaghetto

A conexão entre Zélia, graduandos, pós-graduandos, educadores e colegas TAE é o que a motivou durante todos esses anos a acordar às 6h30, ir do bairro Petrópolis até a Avenida Bento Gonçalves, na capital, e cumprir sua jornada de 40 horas semanais. “Isso é o que me impulsiona”, destaca. 

Na sala da gerência do IGEO, Zélia se vale de muitos blocos de anotações para manter as demandas em dia (Foto: Pietro Scopel/JU)
Uma história de vida em clima de despedida

Os laços que Zélia construiu dentro da UFRGS espalharam-se também entre os que lhe compartilham o sangue. A trabalhadora fez questão de incentivar a única filha a ingressar na Universidade ainda criança, por meio do Colégio de Aplicação. Danuta Zaghetto, hoje aos 38 anos, cursou Teatro no Instituto de Artes, dando continuidade ao legado da mãe de ligação com o ensino público e gratuito. 

Ao mesmo tempo que uns iniciaram suas trajetórias em uma das principais faculdades federais gaúchas há pouco tempo, outros já planejam a despedida. Focada em suas demandas na sala da gerência do IGEO, diante de cadernos, canetas, papéis diversos e uma grande tela de computador, Zélia diz estar preparada para a aposentadoria. 

“Cinquenta anos já está de muito bom tamanho. Agora é liberar espaço, deixar para que novos colegas cheguem e deem o seu melhor. Penso que eu vou deixar o Instituto de Geociências e a Universidade tendo feito o que eu acho que foi o meu máximo, tanto para os colegas quanto para a instituição”

Zélia Zaghetto

Ao longo das últimas cinco décadas, Zélia se reinventou profissionalmente, participou da seleção de novos docentes, trocou experiências com educandos e precisou tomar decisões importantes frente ao cargo que ocupa. Vivenciou inúmeras fases junto da UFRGS e escolheu ficar, enraizando sua história de vida no chão da educação pública. O passo a seguir, conforme a gerente do Instituto, é deixar a casa em ordem para receber o próximo trabalhador que dará sequência à sua dedicação e amor pelo IGEO.


A série Meu Lugar na UFRGS é um projeto conjunto JU e UFRGS TV. Confira abaixo a reportagem em vídeo: