Post 1 da Série “Como comer melhor no seu dia-a-dia”
Comer é um ato diário, e é comum considerarmos nossa alimentação como mais um item da nossa rotina. Contudo, o ato de alimentar-se envolve muitos aspectos, como a escolha do alimento, do local da refeição, das pessoas com quem compartilhamos o momento, do tempo que temos disponível, do custo, entre outros. Na vida corrida, nem sempre nos damos conta destes aspectos, o que nos leva a fazer escolhas pouco conscientes e que podem não estar alinhadas com nossos valores e objetivos. Que tal refletir um pouco conosco sobre alguns destes aspectos, e sobre como fazer escolhas alimentares mais adequadas com a sua realidade individual? Hoje iniciamos uma série de postagens em que buscamos trazer reflexões sobre o que é uma alimentação saudável e adequada, e como ela pode ser possível no contexto dos estudantes universitários.
E para início de conversa, vamos falar sobre comida. Você sabe identificar o que é “comida de verdade”? Parece uma pergunta simples, mas em uma ida ao supermercado ou à lancheria você pode perceber que existem diferentes tipos de alimentos ofertados: alguns estão prontos para comer, outros precisam de preparo; alguns vêm embalados direto da fábrica, outros são vendidos sem embalagem; alguns têm muitos ingredientes, outros são o alimento em si mesmos (como as frutas). Um bom ponto de partida para pensar a respeito do que é comida de verdade é imaginar seu almoço no RU. Passando pelo buffet, você encontra dois tipos de salada, o arroz e o feijão, mais algum prato, como batatas ou macarrão, alguma preparação à base de carne e ainda uma opção vegetariana. Ah, e tem sempre também uma fruta, não é?! E você sabia que estas refeições dos Restaurantes Universitários estão alinhadas com a regra de ouro do “Guia Alimentar para a População Brasileira”? O Guia nos ajuda a refletir sobre como escolher melhor os nossos alimentos a partir de uma orientação básica: “Prefira sempre alimentos in natura ou minimamente processados e preparações culinárias a alimentos ultraprocessados”. E como identificar cada tipo de alimento? A lógica é simples, e tem a ver com os níveis processamento dos alimentos a partir do alimento in natura, e a quantidade e tipos de ingredientes adicionados nas etapas de processamento:
- Alimentos in natura: são os que vêm diretamente de plantas ou de animais (como vegetais, frutas, ovos e leite) e não sofrem nenhuma alteração após deixarem a natureza.
- Alimentos minimamente processados: são alimentos in natura que sofrem alterações mínimas, como grãos secos, empacotados ou moídos na forma de farinhas, raízes e tubérculos lavados, carnes resfriadas/congeladas e leite pasteurizado.
- Óleos, gorduras, sal e açúcar: produtos extraídos de alimentos in natura e utilizados para temperar e cozinhar alimentos.
- Alimentos processados: produtos elaborados essencialmente com a adição de sal ou açúcar a um alimento in natura ou minimamente processado, como legumes em conserva, queijos, pães, etc.
- Alimentos ultraprocessados: produtos fabricados com diversas etapas e técnicas de processamento e muitos ingredientes, sendo grande parte deles de uso exclusivamente industrial. Ex: refrigerantes, biscoitos recheados, “salgadinhos de pacote”, “macarrão instantâneo”, embutidos, pratos congelados prontos para aquecer, etc.
Para colocar em prática essa forma de classificação dos alimentos, podemos analisar o exemplo do milho e seus produtos alimentícios, de acordo com o tipo de processamento:
E voltando para nossas refeições no RU: vemos que as frutas e as saladas (as folhas verdes, os legumes e outros vegetais crus) são os alimentos in natura. Já o feijão e o arroz são preparações culinárias feitas a partir de alimentos minimamente processados, isto é, dos grãos que foram colhidos, secos, polidos e empacotados para venda, sem adição de nenhum ingrediente. A batata, a polenta e a massa também são preparações culinárias a partir da batata e das farinhas, que são in natura (batata) ou minimamente processadas (farinhas de milho e trigo). As opções de carnes também vêm essencialmente de alimentos minimamente processados, que são as carnes resfriadas ou congeladas. Em todas as preparações culinárias oferecidas, podem ser utilizados óleos e temperos (como sal), e por vezes alguns alimentos processados, como legumes enlatados e extrato de tomate. Como percebemos, nossa alimentação no RU é baseada em “comida de verdade”, isto é, em alimentos in natura e minimamente processados, e em preparações culinárias feitas na hora. Portanto, quando você come no RU, você já está fazendo uma boa escolha alimentar. Fica o convite para pensar nestas escolhas em outros momentos e espaços da sua vida.
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Texto resultado de parceria com o curso de Nutrição UFRGS e o Blog Laranja na Colher.
Autora do texto: Ana Carolina Freitag (Acadêmica de Nutrição)
Supervisão: Profa. Dra. Maurem Ramos e Stéfani Schneider – Nutricionista CRN2 10310
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Referências:
Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Guia alimentar para a população brasileira / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica. – 2. ed., 1. reimpr. – Brasília : Ministério da Saúde, 2014. Disponível em: <https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_alimentar_populacao_brasileira_2ed.pdf>
Imagem 1 (foto de almoço no RU do Campus Saúde): foto tirada por Ana Carolina Freitag
Imagem das espigas de milho: foto tirada por Ana Carolina Freitag
Imagem dos grãos de pipoca, disponível em: https://pixabay.com/pt/photos/pipoca-milho-macro-n%c3%bacleo-gr%c3%a3os-76512/
Imagem do milho em lata, disponível em: https://pixabay.com/pt/photos/comida-lata-garfo-metal-closeup-3379301/
Imagem dos nachos, disponível em: https://pixabay.com/pt/photos/nachos-tortilha-salgadinhos-71157/
Cartaz “A escolha dos alimentos por tipo de processamento”: elaborada no Canva por Ana Carolina Freitag, a partir do Guia Alimentar para População Brasileira





