Todos os posts de gerente

Memórias da Vila Dique

O projeto
Buscando acompanhar o que se passa na vida das pessoas quando ocorrem processos de remoção e reassentamento urbano, uma equipe constituída por acadêmicos, profissionais da área da saúde e da educação vêm realizando um projeto de extensão sobre o cotidiano dos moradores da Vila Dique/Porto Alegre/RS, reassentados no Conjunto Habitacional Porto Novo a partir 2009.

Há mais de 40 anos, famílias oriundas do interior do Rio Grande do Sul, de característica rural, começaram a ocupar a área próxima ao Aeroporto Salgado Filho onde empreenderam uma longa luta pelo direito de morar com acesso à educação, à saúde e ao trabalho. Ao deflagrar o que denominam “a remoção”, cada família precisou romper com modos anteriores de viver e reconfigurar os pertencimentos no novo território. Lembrar que as remoções foram feitas aos poucos, desfazendo laços, deixando escombros, criando vazios. No reassentamento as mesmas pessoas se reencontram em outros lugares, outras calçadas, outras relações e novos desafios.

O trabalho teve início no segundo semestre de 2010 e atendia a demanda de lideranças comunitárias e de alguns profissionais da Unidade de Saúde Santíssima Trindade do Serviço de Saúde Comunitária do Grupo Hospitalar Conceição (GHC) que buscavam novas estratégias para a promoção da saúde. Foi também demanda da universidade, o que possibilitou aos graduandos, além da formação, o convívio com a comunidade e trocas profícuas entre o saber produzido na universidade e aquele construído no dia a dia dos moradores da Vila Dique e do Porto Novo.

Trata-se de uma experiência que permite aos alunos da disciplina de Estágio de Docência em História III – Educação Patrimonial do Curso de História da UFRGS discutir o patrimônio cultural na perspectiva da ampliação de seu conceito, congregando práticas de grupos populares que vão muito além dos patrimônios consagrados, sendo possível e necessário que, a partir dessa perspectiva, se discuta as práticas culturais tidas como patrimônio imaterial brasileiro
Adotando uma metodologia qualitativa envolvendo Rodas de Memórias, entrevistas, oficinas de cinema e fotografia com moradores de diferentes faixas etárias, intentou-se acompanhar o processo de remoção e reassentamento.

Do ponto de vista teórico, o projeto baseia-se na suposição de que a memória é um elemento importante do sentimento de continuidade e de coerência de uma pessoa ou de um grupo em sua reconstrução de si. Compreende-se que a história, o passado, os pertencimentos concedem cidadania. Porém, estamos falando aqui de uma história que se constitui como expressão da pesquisa histórica e não mero instrumento de produção de identidades. A história como espaço de encontro dos grupos com seu próprio passado e também com o passado de outros grupos. O passado como experiência singular que nos ajuda a pensar o presente, agir e reagir.

 

 

 

QUEM SOMOS

O Laboratório de Ensino de História e Educação (LHISTE) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) é uma iniciativa conjunta entre os professores da área de Ensino de História da Faculdade de Educação (FACED), os professores da disciplina de História do Departamento de Humanidades do Colégio de Aplicação (CAP) e do departamento de História no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH-UFRGS).

Objetiva o diálogo entre a Universidade e a Escola, num processo de mútua aprendizagem, no sentido do refinamento da produção do conhecimento e das práticas pedagógicas na área do Ensino de História.

 Objetivos específicos:

1)   Produzir materiais pedagógicos na área do Ensino de História;

2)   Criar um banco de dados de ações educativas para o Ensino de História na Educação Básica, através de site próprio;

3)   Criar uma revista eletrônica para publicações de artigos da área do Ensino de História;

4) Criar um acervo de materiais didáticos para o Ensino de História;

5)   Divulgar boas práticas pedagógicas no Ensino de História;

6)  Divulgar eventos na área de Ensino de História;

7) Desenvolver ações de extensão voltadas para formação continuada de professores e licenciandos dos cursos de História e de Pedagogia;

8) Desenvolver projetos de pesquisa na área do Ensino de História.

 

Página do Lhiste no Diretório de Grupos de Pesquisa do CNPq:
http://dgp.cnpq.br/dgp/espelhogrupo/6385374017365262

 

Projeto de Pesquisa: Ludoteca do Lhiste: análise e construção de jogos com fins didáticos para o Ensino de História e Educação das Relações Étnico-Raciais

Se Johan Huizinga, autor do célebre Homo Ludens, estivesse vivo em nossos dias, ele possivelmente perceberia o quanto suas teses sobre a centralidade dos jogos nas construções culturais estão presentes, marcando o nosso tempo como um grande criador e consumidor de jogos. Um mundo lúdico que espreita o espaço escolar a todo momento, seja em sua prática efetiva em momentos inapropriados, seja no desejo de estar jogando, sejam nas próprias reflexões que advém de paralelos com os jogos. Este projeto entende que os jogos, especialmente os de tabuleiro, são estratégias para a construção do conhecimento escolar. A partir deles colocam-se em jogo relações entre objetos, estratégias e conceitos, constituindo narrativas cuja imprevisibilidade do desfecho abre espaço para a intuição e para a imaginação, nem sempre valorizadas, mas absolutamente importantes na construção de qualquer conhecimento. Tal projeto prevê um conjunto de caminhos: primeiramente propõe a constituição de um espaço de pesquisa, criação e extensão, voltado para mapear jogos de tabuleiro comerciais ou para fins didáticos, compreendendo seu funcionamento, mecânicas, dinâmicas e estéticas; neste mesmo espaço projetar-se-á a criação de novos jogos e atividades gamificadas, especialmente voltadas à Educação para as Relações Étnico-Raciais; por fim, uma vez constituído um espaço que congregue jogos e conhecimentos relacionados ao seu uso na educação, este servirá para a formação de estudantes (tanto da escola básica quanto de graduação) e formação continuada de professores, aberto ao público tanto no processo de testagem dos jogos comerciais e pedagógicos, quanto nos processos de construção dos jogos pedagógicos e  publicização dos resultados finais. Deste ato abrem-se as possibilidades de narrativas escolares, associadas aos a jogos a serem criados, que nos afastam de um dispositivo racista que relegou a presença das populações negras e indígenas à invisibilidade (não sendo representadas em muitos tempos e espaços dentro dos currículos), à generalização (tomando grupos variados sem levar em conta especificidades), ao contraste (situando os grupos sempre em comparação a outros considerados mais civilizados, desenvolvidos, etc.), à negatividade (tomando as ações destes grupos como nefastas, gerando juízos de valor) e à passividade (sendo os grupos, mesmo que na condição de vítimas, sempre incapazes de exercer agência histórica). Frente a este dispositivo, o projeto propõe a criação de jogos, com suas respectivas narrativas, que prezem pela visibilidade (situando as populações negras e indígenas em tempos e espaços que nos habituamos a considerar apenas brancos), pelas especificidades (abrindo espaço para a pluralidade das populações negras e indígenas), pela positividade (que foquem em situações de criação, solidariedade, sucesso, etc.) e pela agência (indivíduos e grupos que, mesmo em situações adversas, fazem história).

 

Equipe:

Marcello Paniz Giacomoni (Coordenador – CAp UFRGS)

Caroline Valada Becker (CAp UFRGS)

Gládis Elise Pereirada Silva Kaercher (FACED UFRGS)

Jocelito Zalla (CAp UFRGS)

Tanara Forte Furtado (FORPROF UFRGS)

Artigo publicado sobre o tema: https://lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/220721/001125511.pdf

Projeto de Pesquisa: Jogos, conceitos e aprendizagem histórica

Nossa sociedade faria jus ao título da célebre obra de Johan Huizinga, Homo Ludens, o homem que joga. O ato de jogar percorre nosso cotidiano, do futebol aos mais variados aplicativos em celulares. Jogamos porque gostamos, pois no ato de jogar a tensão e a alegria proporcionam uma suspensão da vida cotidiana, e encontramo-nos no que Huizinga chama de “círculo mágico”, um espaço em que nos entregamos a outra narrativa. Mas não se trata (apenas) de brincar; a perspectiva teórica em que nos situamos defende que os jogos são espaços privilegiados para construção de conhecimentos e conceitos, especialmente devido ao seu caráter imersivo e vivencial. Para além de uma defesa teórica, este projeto propõe a aplicação e observação de jogos em salas de aula do componente curricular de História. Ao longo do projeto serão conduzidas sequências didáticas em uma escola pública da rede federal na cidade de Porto Alegre, o Colégio de Aplicação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Estas sequências serão oferecidas em turmas pares de 6º e 7º anos do Ensino Fundamental, sempre de forma alternada: enquanto uma turma iniciará os estudos de determinadas temáticas através de aulas expositivas ou leitura de textos (práticas que chamamos de habituais), a outra iniciará os estudos com um jogo didático especialmente produzido para o ensino de História. Na pŕóxima temática, a mesma proposta será alternada: a turma que iniciou com o jogo inicia com a sequência didática expositiva ou através de leituras, e vice versa. Tal procedimento será aplicado sete vezes, iniciando em 2019 com as turmas de 6º ano, e prosseguindo em 2020 com as mesmas turmas, então no 7º ano. A proposta pretende mapear, através de avaliações formais e grupos focais, a qualidade da formação dos conhecimentos e dos conceitos a partir da comparação entre as turmas. O projeto também objetiva a produção de design, ilustração e impressão dos jogos didáticos a serem utilizados nas etapas da pesquisa, sendo que agregam-se aos resultados da pesquisa a própria produção de materiais didáticos.

 

Equipe:

Marcello Paniz Giacomoni (Coordenador – CAp UFRGS)

Artigo publicado sobre o tema: https://lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/220721/001125511.pdf

Projeto Pesquisa: A aula inacabada: democracia, utopia e ensino de História

Visite a página do Grupo A Aula Inacabada em:  https://www.ufrgs.br/aulainacabada/

 

O grupo de pesquisa “A Aula Inacabada: democracia, utopia e ensino de história” nasceu na Faculdade de Educação da UFRGS em 2021. Atualmente, funciona como grupo de pesquisa registrado no Diretório do CNPq: dgp.cnpq.br/dgp/espelhogrupo/9145733206100520 e como programa de extensão na UFRGS (54841) O projeto original foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da UFRGS e está registrado na Plataforma Brasil sob o n. 58900922.7.0000.5347. O Aula Inacabada também é parte do projeto “Criação e Autoria: materiais didáticos de História”, contemplado no Edital Chamada CNPq/MCTI/FNDCT Nº 18/2021 – Faixa A – Grupos emergentes (processo 404584/2021/7).

Os objetivos da primeira etapa do Aula Inacabada, ocorrida em 2021, foram contemplados: formou-se um grupo diverso de docentes de História da Educação Básica, que realizou estudos sobre a história da democracia no Brasil. Resultados e produções parciais têm sido registrados em sítio virtual e na conta do grupo na plataforma Zotero.

Em 2022 e 2023, o objetivo principal do grupo foi investigar o ensino e a aprendizagem de histórias da democracia no Brasil em turmas de Ensino Fundamental regidas pelos participantes. Os objetivos secundários são: planejar e executar aulas de história da democracia no Brasil em escolas públicas de Porto Alegre e da região metropolitana, de forma colaborativa e em diálogo com as comunidades escolares; além de analisar as produções coletivas realizadas nessas aulas, a fim de explorar as possibilidades de ensinar e aprender histórias da democracia no Brasil e a criação de utopias em torno da radicalização ou, quiçá, da extrapolação da democracia.

Em 2024, nos dedicamos a analisar as fontes documentais produzidas, resultando em um artigo aceito para publicação na revista História & Ensino e em um livro coletivo, que será publicado no primeiro semestre de 2025.

Para 2025 e 2026, pretendemos aprofundar as análises dos resultados acumulados, com auxílio de 4 estudantes de Iniciação Científica e duas estudantes de Mestrado. Além disso, foram incorporadas duas novas escolas parceiras, uma em Esteio e outra em Gravataí, além das já existentes em Sapucaia do Sul, Canoas, Porto Alegre e Novo Hamburgo.

Nesses próximos dois anos, pretendemos expandir as atividades extensionistas, realizando oficinas em escolas a partir dos recursos didáticos produzidos pelo grupo, e organizando eventos de alcance local e internacional.

O título do projeto foi inspirado em um dos ensaios de Montaigne, tal como interpretado por Todorov. Para nós, tanto o ensino de história quanto a democracia são projetos inacabados e é justamente sua condição de indeterminação que permite transgressões e mudanças de rumo.

 

Projeto de Pesquisa: “Entre Triângulos Rosas e Retalhos Coloridos: História Pública e Cultura Transnacional da Memória LGBTQI+ (da década de 1980 à atualidade)”

Este projeto busca compreender a conformação de uma cultura pública transnacional da memória LGBTQI+ a partir da análise de experiências de história pública que, apesar de dispersas geograficamente e variadas em seus propósitos e materialidades, contribuíram sobremaneira para moldar a maneira como as sociedades ocidentais “lembram” desse passado. Estas experiências são: museus dedicados especificamente à história LGBTQI+; museus/memoriais dedicados à temática do Holocausto, nos quais podem estar presentes ou não seções (textos, vitrines, painéis, objetos, etc.) dedicadas à história LGBTQI+; memoriais e monumentos dedicados a dois grandes traumas da história LGBTQI+, a já referida perseguição nazista aos “triângulos rosa” e a epidemia da AIDS. Apesar da diversidade desses espaços e narrativas, é possível agrupá-los como objeto de análise a partir de uma problemática comum: como se conformou uma cultura pública da memória LGBTQI+ de caráter transnacional no mundo ocidental?

 

Equipe:

Benito Bisso Schmidt (coordenador)

Bruna Xavier (graduanda em História – UFRGS)

Bruno Bernardy (graduando em História – UFRGS)

Projeto de Pesquisa: Criação e Autoria: Materiais Didáticos de História

O projeto CRIAÇÃO e AUTORIA: MATERIAIS DIDÁTICOS DE HISTÓRIA se organiza em rede envolvendo instituições públicas de educação básica (PA, Ceará, RN, SC e RS) e ensino superior (UFPA, UFRN, UniT, UFSC e UFRGS) com o objetivo de criar e analisar materiais didáticos para a aprendizagem de estudantes da Educação Básica e dos estudantes dos Cursos de Licenciatura em História e Pedagogia. Em uma primeira etapa volta-se para a criação de materiais didáticos problematizando o bicentenário da independência e, na segunda etapa, temas gerais da história escolar com ênfase na resistência dos grupos subalternizados. O projeto tem  parceria com o Projeto A Aula Inacabada (estuda o ensino de história da democracia no Brasil, composto por docentes da Educação Básica e do Ensino Superior) e com o Laboratório de Ensino de História e Educação da UFRGS (programa de extensão que abriga as iniciativas de ensino, pesquisa e extensão de diversos docentes da Universidade).  Tem apoio do CNPQ (Chamada CNPq/MCTI/FNDCT NA 18/2021 – Faixa A – Grupos Emergentes, Processo: 404584/2021-7)

Produções do projeto:

 

  • Coleção Mulheres na Sala de Aula

Você sabia que uma mulher indígena Potiguara já representou o Brasil na ONU e é uma conhecida poeta? Você sabe o nome da historiadora negra que foi pioneira nos estudos sobre a história dos Quilombos no Brasil e em Angola? E da primeira deputada estadual negra de Santa Catarina, nascida em 1901 e uma referência no campo da Educação? Você conhece a arte produzida por uma mulher pataxó muito premiada, que já expôs em diversos lugares do Brasil e do mundo? E, ainda, você conhece a história da mulher que foi pioneira na luta pelo reconhecimento dos direitos das trabalhadoras domésticas brasileiras? Os nomes dessas mulheres são: Eliane Potiguara, Beatriz Nascimento, Antonieta de Barros, Arissana Pataxó e Laudelina de Campos Melo.

As trajetórias de vida destas mulheres nos inspiraram a criar esta coleção para ampliar o debate  sobre mulheres na sala de aula de História.  Conheça cada caderno a seguir:

 

Antonieta de Barros

 

 

 

 

 

 

 

 

Laudelina de Campos Melo

 

 

 

 

 

 

 

 

Eliane Potiguara

 

 

 

 

 

 

 

 

Beatriz Nascimento

 

 

 

 

 

 

 

Arissana Pataxó

 

 

 

 

 

 

 

  • Maria Quitéria na Sala de Aula:

Maria Quitéria em Sala de aula é um material didático em formato e-book direcionado a professores/as da educação básica que dialoga com o processo de Independência, visibilizando a participação das mulheres e ampliando a abordagem comumente encontrada nos livros didáticos de uma Independência feita, exclusivamente, por homens. O material teve como inspiração os quadrinhos “Maria Quitéria a Injustiçada”, elaborado por Eduardo Kruschewsky e Antonio da Silva. A pergunta que orienta este material didático é como relacionar as histórias construídas sobre Maria Quitéria com o contexto da participação feminina no processo de Independência. 

Acesse o livro no Portal do Bicentenário, clicando aqui.

 

  • Materiais didáticos em História: propondo parâmetros de criação e autoria

Caderno orientador para a criação de materiais didáticos em História. Explora o conceito de material didático, apresenta princípios para a criação, reflete sobre o ensinar e aprender História e convida professoras e professores a compartilharem suas criações. O caderno também indica orientações sobre a acessibilidade em materiais didáticos e o uso das licenças abertas, além de trazer exemplos de materiais com os princípios apresentados.
A inspiração para a criação deste caderno surgiu a partir da análise de produções realizadas nos projetos “A aula inacabada” e “Criação e autoria: materiais didáticos de História”, especialmente os cadernos Aula inacabada e a Coleção Mulheres na Sala de Aula. O material foi elaborado no âmbito deste Projeto com apoio de uma bolsa PIBIC CNPq-UFRGS. Acesse-o no link a seguir:

Caderno Criação e Autoria

Equipe:

Coordenação: 

Carmem Zeli de Vargas Gil –  professora na FACED/UFRGS

Pesquisadores:

Edison Saturnino –  professor na FACED/UFRGS

Melina Kleinert Perussatto – professora na FACED/UFRGS

Sarah Calvi Amaral Silva – professora na FACED/UFRGS

Mônica Martins da Silva – professora na UFSC

Natália Pietra Méndez – professora do Departamento de História IFCH/UFRGS

 

O projeto pode receber 3 estudantes de graduação por semestre.

Projeto de Pesquisa: Pesquisa-Educação no âmbito das relações étnico-raciais: materiais didáticos, ensino de História e educação patrimonial

As leis n. 10.639/2003 e n. 11.645/2008, frutos de mobilizações dos movimentos negro e indígena, deram redação ao artigo 26-A da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Juntamente com suas diretrizes e demais normativas, tornaram obrigatório e política de Estado o ensino de história e cultura africana, afro-brasileira e indígena e a educação das relações étnico-raciais nos estabelecimentos de educação básica e em cursos de formação inicial e continuada de professoras/es. Para tanto, tornou-se fundamental o incentivo e o subsídio à produção e à distribuição de livros e materiais didáticos e paradidáticos, importantes suportes para a aprendizagem e o planejamento escolar. De outra parte, a articulação entre ensino de História e educação patrimonial tem forjado caminhos profícuos para a descolonização curricular a partir do manejo de valores, saberes e fazeres africanos, afro-brasileiros e indígenas nas práticas pedagógicas. Ademais, as referidas normativas inserem-se em um conjunto de políticas públicas educacionais que ampliou tanto o contingente de estudantes não-brancas/os nas universidades, como o volume de pesquisas de graduação e pós-graduação sobre a história e a cultura africana, afro-brasileira e indígena.  

Nesse sentido, o projeto interroga: como articular a produção de materiais didáticos de História com tais pesquisas e práticas pedagógicas, tendo em vista demandas sociais e escolares? Assim, tem como objetivo produzir materiais didáticos para o ensino de história e a educação patrimonial nas escolas, a partir do levantamento e análise de materiais didáticos já existentes e de pesquisas de pós-graduação, do manejo de recursos digitais e de diálogos com demandas sociais e escolares, ampliando repertórios para a aplicabilidade do artigo 26-A da LDB e para a promoção da ERER. Como recorte, produções focadas no Rio Grande do Sul, realizadas desde 2003, nas áreas de Educação, História e Ensino de História. Prevê desdobramentos em ações de extensão, visando estabelecer vínculos e parcerias com a comunidade escolar e com movimentos sociais, bem como construir e divulgar materiais didáticos, permitindo a posterior análise de suas apropriações e a avaliação dos resultados do projeto.

Equipe:

Melina Kleinert Perussatto  – coordenadora geral

Projeto de Pesquisa: Outras histórias do Rio Grande do Sul (gênero, raça, classe): memória, historiografia e ensino

Nas últimas quatro décadas, a renovação dos saberes históricos no Brasil levou a mudanças de perspectiva sobre o passado, indo ao encontro de uma “história vista de baixo”, o que ainda mais recentemente tem incluído análises das relações de gênero e de raça/etnia, além de classe social. Mas o que agentes públicos de educação, instituições de ensino e associações de professores e pesquisadores têm feito para promover narrativas históricas de sujeitos marginalizados no ensino básico de história do Rio Grande do Sul? Como as demandas dos movimentos sociais, especificamente os negros, feministas, LGBTQIA+ e operários, têm pressionado universidades e escolas a incluir seus pontos de vista sobre o processo histórico de formação da região? Quais são os temas e os problemas históricos postos em debate por movimentos pautados por gênero, sexualidade, raça e classe social no estado? Esta investigação procura, assim, compreender as possíveis articulações entre demandas sociais de memória, historiografia profissional e práticas de ensino de história do Rio Grande do Sul a partir dos anos 1980.

 

Equipe:

Jocelito Zalla (coordenador)

Eduarda Dortzbacher Schena – bolsista PIBIC CNPq-UFRGS

 

Artigo publicado sobre o tema: https://www.brasildefators.com.br/2021/01/08/artigo-nao-e-apenas-sobre-o-hino