Pesquisa sobre arquivamento da web discute a necessidade de preservação de conteúdos digitais

A última campanha eleitoral foi marcada pela larga utilização do Facebook como meio de veiculação de propaganda, chegando a ultrapassar, na maioria dos casos, o tempo previsto para o programa dos candidatos na televisão. Foi pensando na importância do conteúdo divulgado que a arquivista Lisiane Braga escolheu abordar o arquivamento da web em sua dissertação de mestrado, desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Informação da UFRGS. A temática é centrada na preservação digital dos vídeos produzidos pelos candidatos à Presidência nas eleições de 2018. A pesquisa foi orientada pelo professor do Departamento de Ciências da Informação da UFRGS Moisés Rockembach e integrou os projetos do Núcleo de Pesquisa em Arquivamento da Web e Preservação Digital (Nuaweb).

Veja reportagem completa no UFRGS Ciênciahttp://www.ufrgs.br/secom/ciencia/pesquisa-sobre-arquivamento-da-web-discute-a-necessidade-de-preservacao-de-conteudos-digitais/

A memória da comunicação científica está sendo destruída?

Lúcia da Silveira

Doutoranda em Comunicação e Informação na Universidade Federal do Rio Grande do Sul

 

Como contar a história de uma revista científica se o único canal que ela manifesta a gestão editorial representa apenas uma parte formal da tramitação da ciência? Como os bastidores de um dos canais mais relevantes da comunicação científica preserva a informação? Como os futuros editores vão saber a respeito de quem fez parte da comissão editorial, quem foram os avaliadores, quais as evoluções e conquistas a revista foi adquirindo ao longo do tempo?

Cabe salientar, inicialmente que a preservação da informação da comunicação científica está em discussão por diferentes áreas, e a preocupação inicial foi com o conteúdo da revista, ou seja, com o artigo científico. Nesse caso há comunidades científicas que definem meios de como preservar esse documento, como por exemplo, a Rede Cariniana vinculada ao IBICT, mas há poucas discussões a respeito do conteúdo da gestão editorial.

A proposta deste post, é justamente apresentar a fragilidade da memória editorial que tende a ser consumida por futuros editores, pela história da própria instituição e pela comunidade relacionada a esse contexto. Quais as alternativas de preservação digital desses conteúdos? Quais as necessidades de periodicidade de armazenamento? É necessário definir ou seguir uma política de preservação? Quem define essa política? Até que ponto essa transparência é relevante?

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Preservando a memória digital do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da UFRGS através do arquivamento da web

Bruno Grigoletti Laitano
Mestrando em História na Universidade Federal do Rio Grande do Sul

O Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (IFCH/UFRGS) foi inaugurado na década de 1970, momento em que os cursos de humanidades deixaram a região central de Porto Alegre e passaram por um processo de reorganização. Atualmente, é formado por quatro cursos de graduação – História, Filosofia, Ciências Sociais e Políticas Públicas, o mais recente -, e por programas de pós-graduação muito bem-conceituados.

Corredores do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (IFCH/UFRGS), localizado no Campus do Vale. Foto: Ramon Moser/Secretaria de Comunicação Social da UFRGS

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Arquivabilidade de websites: a ferramenta ArchiveReady

Jonas Ferrigolo Melo

Mestrando em Comunicação e Informação na Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Um dos principais desafios do arquivamento da web é que nem todos os sites podem ser arquivados corretamente em função de problemas que podem surgir a partir do uso de diferentes tecnologias, padrões e práticas de implementação de páginas web. Ao longo do tempo os websites transitaram de páginas estáticas para grandes e complexos sistemas tecnologicos, exigindo programas robustos que promovam o gerenciamento destas páginas de forma eficiente.

A soma de fatores que tornaram os websites documentos complexos fez com que o processo de preservação digital destas informações fosse um desafio ao passo que os rastreadores da web precisam recuperar, de forma automatizada, o conteúdo com precisão e confiabilidade (BALLEGOOIE; DUFF, 2006). O rastreador da web mais popular, o Heritrix, foi desenvolvido com código aberto, pelo Internet Archive em parceria com outras iniciativas de arquivamento da web ao redor do mundo. A coleta, quando automatizada, pode não recuperar todo conteúdo de um website, dependendo dos tipos de recursos, acessibilidade e tecnologias que foram utilizadas em seu desenvolvimento. Os pesquisadores Banos e Manolopoulos, em 2015, concluíram a não existência de métricas para auxiliar na decisão se um site pode ou não ser arquivado com êxito e desenvolveram um sistema que calcula a capacidade de arquivamento de um website: o ArchiveReady.

www.archiveready.com

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Encurtadores de URL podem ajudar no arquivamento da web?

Gabrielle Senna Viegas

Mestranda em Ciência da Informação na Universidade Federal do Rio Grande do Sul

 

Talvez seja possível que os sites de encurtamento de URLs possam servir como ferramenta colaborativa de arquivamento da web, porque além de criar um link permanente (o que seria de grande importância no meio acadêmico), seria feita pelos próprios usuários, que salvariam o que consideram relevante, já classificado e indexado, para facilitar a recuperação da informação posteriormente, e não somente com vários robôs que salvam as páginas que foram programados para capturar.

Existem diversos sites encurtadores de URL, alguns com mais funcionalidades do que outros, e o Bitly (https://bitly.com/), é o mais famoso deles por ter um plano gratuito com mais funções que os concorrentes (finais dos links personalizados, por exemplo). Com recursos como criar links para uso em browser de celular e histórico de cliques, ele é o mais lembrado, inclusive por empresas, que podem pagar uma assinatura e ter mais de 500 mil links personalizados com sua própria marca, onde aparece a sua marca e não a do Bitly.

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Zika Vírus – Preservação da web e informação em saúde

Lucia Andreia Nunes de Oliveira Nunes

Mestrando em Ciência da Informação na Universidade Federal do Rio Grande do Sul

 

Em 2015 foram documentados os primeiros casos de transmissão autóctone no Brasil. A ampla distribuição de mosquitos do gênero Aedes (Aedes aegypti e Aedes albopictus) permitiu a emergência do vírus Zika no Brasil e a sua rápida dispersão.

A ONU (Organização das Nações Unidas), organização internacional formada por países que se reuniram voluntariamente para trabalhar pela paz e o desenvolvimento mundiais, em 2016, colocou à disposição do governo brasileiro as 24 unidades que atuam no Brasil para auxiliar no combate ao vírus Zika. A manifestação ocorreu após a OMS (Organização Mundial da Saúde) declarar o vírus uma emergência internacional em saúde pública.

Fonte

A ONU Brasil prometeu ajudar no que for necessário, colocando seus recursos à disposição do governo e da sociedade brasileira. Além disso, afirmou que já colabora na luta contra o vírus Zika desde 2015, “inclusive levando informações à população” sobre  proteção e luta contra o mosquito.

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Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE): uma breve descrição da preservação das páginas web por meio do Internet Archive

Carlos Augusto de Souza Brasil

Mestrando em Ciência da Informação na Universidade Federal do Rio Grande do Sul

 

De acordo com Costa, Gomes e Silva (2016), transcorrido um ano de publicação, 80% das páginas da web não possuem mais as características de sua forma original. Segundo os autores às referências online de artigos acadêmicos 13% delas desaparecem transcorridos 27 meses após sua publicação e 11% dos recursos de mídia social desaparecem no decurso de um ano.

Em virtude da situação de perda definitiva de conteúdo da web, torna-se evidente a necessidade de iniciativas de preservação digital dentro do escopo da esfera de instituições públicas como o Arquivo Nacional e a Biblioteca Nacional no sentido de salvaguardar a produção de conteúdos digitais do Brasil na web evitando a perda definitiva dos dados que estão hoje disponíveis na web e que poderão fornecer informações de enorme relevância para o fomento de pesquisas científicas que poderão ser aplicadas em inúmeras áreas do conhecimento científico como Psicologia, Sociologia, Arquivologia, Biblioteconomia, Medicina, Ciências da Computação, entre outras.

Em nível mundial, existe o IIPC – International Internet Preservation Consortium constituido por organizações públicas e privadas que realizam atividades de preservação de arquivos na web.

O IIPC também disponibiliza em sua página na web na seção tools & software uma lista de orientações técnicas que abordam temas como conceitos de arquivamento na web, glossários técnicos, modelo de ciclo de vida de arquivamento na web, blogs entre outros conteúdos.

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Yahoo grupos será deletado, como posso salvar meus dados?

O Yahoo Grupos, um dos maiores grupos de discussão da web, lançado em 2001 e com uma grande utilização nos anos 2000, está prestes a acabar. A partir de 14 de dezembro de 2019, os conteúdos publicados no Yahoo Grupos serão completamente apagados, conforme decisão da empresa.

O Yahoo tomou a decisão de deixar de permitir que os usuários façam upload de conteúdo para o site do Yahoo Grupos. A partir de 28 de outubro, você não poderá enviar mais conteúdo para o site e, a partir de 14 de dezembro, todo o conteúdo publicado anteriormente no site será removido permanentemente. Você terá até essa data para salvar qualquer coisa que tenha enviado.

O Yahoo!, fundado em 1994, foi um dos gigantes de tecnologia, que já chegou a valer mais de 125 bilhões de doláres e foi vendida em 2016 por 4,83 bilhões de dólares.

Felizmente há algumas maneiras de preservar estas informações, salvando os dados lá depositados. A maneira mais direta é fazer manualmente, o download de fotos e documentos, por exemplo, pode ser feito navegando diretamente pelos arquivos armazenados no Yahoo Grupos.

Outra forma é a partir do login da conta, solicitar o download dos dados por meio do painel de privacidade do Yahoo!, fornecendo para isto o seu e-mail para receber o aviso de quando estará disponível o download.

Uma outra opção, que serve principalmente para migração de grupos, é o Groups.io, que permite exportar os dados para outros grupos de discussão.

Não é a primeira vez que uma gigante da tecnologia apaga os dados e descontinua seus serviços, exemplos são o Orkut, que foi descontinuado pelo Google em 2014, assim como o Google+ em 2019. O Geocities, serviço do Yahoo! foi descontinuado em 2009, mas ainda persiste como um arquivo da web com informações preservadas.