CRIAÇÃO DE REALIDADES VIRTUAIS ANIMADAS

Proponentes: Amanda Altenhofen e Vivian Casanova Dominot. Local: EMEF Liberato Salzano Vieira da Cunha. Duração: 2 encontros de 90 minutos.

A oficina proposta teve por objetivo fazer uso de placas transparentes de acetato, por meio das quais foram realizadas uma série de intervenções no espaço geofísico. Olahadas em enquadramento e de certo ângulo, o efeito é de uma realidade mesclada. Gravadas em sequência, em formato de GIF, geraram a sensação de animação.

À esquerda, da esquerda para direita: Renata Vanim da Luz, Amanda Altenhofen e Vívian Dominot.

Compreende-se para esta oficina que o real e o virtual são espaços nos quais o sujeito atua. Considerou-se a ressignificação do sujeito no ambiente virtual e seu papel na cultura midiática, e que a convivência da cultura com os processos de virtualização é inevitável, de modo que não se considera o real e o virtual linhas paralelas, e sim experiências que se intercruzam em diversas circunstâncias cotidianas, resultando, assim, em uma necessidade de se pensar o aqui-agora a partir de uma nova perspectiva midiática e crítica.

Para a realização da oficina, fez-se uso especial de folhas de acetato. O uso do acetato simula uma presença virtual pela sua transparência, sendo também um meio similar ao que Earl Hurd, juntamente com seu sócio John Randolph Bray, criou em meados da década de 1910. O método de animação de Hurd utiliza folhas de celulóide, de forma que o fundo e o personagem são produzidos de forma separada. Tratava-se também de um objetivo da oficina proporcionar a experiência de os alunos explorarem e se expressarem por essa linguagem, com suas próprias críticas e perspectivas da virtualização do espaço.

PRIMEIRO ENCONTRO: Estiveram presentes, duas meninas e 3 meninos. A menina (A) era a mais velha, estava no 9º ano. A menina (B) e o  menino (C), eram mais novos. Os outros dois meninos (D) e (E), um pouco mais velhos, mais extrovertidos, e pareciam mais confortáveis em desenhar. 

Após as apresentações das proponentes e dos participantes, deu-se início uma videochamada cujo propósito era introduzir questionamentos em relação ao ambiente virtual: “Onde eu estou?” e “Eu estou aí com vocês?” Isso gerou certa confusão por parte dos alunos, visto que se tratava de um conceito bastante abstrato, mas pareceram compreender melhor quando os sonhos foram mencionados como uma alegoria ao ambiente virtual.

“Os sonhos, lembrados por Maturana, seriam um exemplo dessa indiferenciação, em que o sistema nervoso pode produzir realidades extremamente vívidas, em que pese as considerarmos, enquanto observadores (portanto, com outros parâmetros), como não-reais, uma espécie de realidade virtual” (Apud Axt; Schuch, 2001, p. 17)

Em seguida, foi feita uma breve explicação relacionada à técnica de animação que seria utilizada. e uma explicação de qual seria a atividade prática proposta. Renata da Luz, supervisora, sugeriu sairmos da sala para já olhar os possíveis cenários para a construção dos GIFs animados, sendo assim disparadores de ideias. Esse passeio durou em torno de meia hora e sobraram cerca de 15min para debate das ideias e criação dos esboços. 

SEGUNDO ENCONTRO: No segundo dia de encontro o menino (E) não esteve presente. Deu-se início à produção dos desenhos que seriam recortados e colados nas placas para a produção dos GIFs. Isso durou cerca de 40min. A menina (A) fez vários desenhos de um olho, com a pupila em diferentes posições em cada um. 

A menina (B) havia feito o esboço de uma mão que sairia da terra, e passou boa parte do tempo desenhando uma mão maior, com mais detalhes. Após desenhar duas mãos e não ficar contente com o resultado, descartou a ideia e resolveu desenhar um bolo que seria comido aos poucos. Sugerimos que usássemos o mesmo desenho do bolo inteiro e cortaríamos as ‘mordidas’ entre cada frame/foto. O menino (C) desenhou três estágios de crescimento de uma flor e o menino (D) desenhou uma abelha bem detalhada que se moveria com a placa simulando um vôo. Finalizada esta parte, os desenhos foram recortados e levados ao pátio com as placas de acetato e fita para a construção dos GIFs animados.

Enquanto Amanda auxiliava a menina (A) a tirar as fotos para a criação do GIF, os meninos estavam procurando onde fariam os seus GIFs. Vívian auxiliou a menina (B) a criar o seu GIF. Os meninos resolveram unir suas ideias e fazer a abelha de um pousar na flor do outro. A produção dos 3 GIFs utilizou todo o tempo restante, e os resultados seguem aqui:

AS PROPONENTES:

Sou Amanda Altenhofen, nasci em Porto Alegre, mas na realidade, cresci em um mundo de histórias e realidades diferentes — várias, daquelas que lia nos livros de fantasia quando pequena e aquelas que derivam desses universos fantasiosos, àquelas realidades que precisam de um dispositivo eletrônico para serem acessadas. Curso Artes Visuais na UFRGS, mas acabo preferindo manter minha produção artística como fanarts. E apesar disso, não curto muito jogos, filmes e séries. Prefiro ou me perder em devaneios fictícios da minha cabeça e falar sozinha — que pode ou não ser um monólogo nonsense em outra língua —, ou distrair a dita cuja cabeça com algum outro artesanato ou crochê, perdendo a conta dos pontos que ainda tem que fazer. Isso tudo enquanto escuto música em volumes
não saudáveis e entro no mundinho dos meus próprios pensamentos.

Nascida no Rio de Janeiro e criada em Porto Alegre. Tem 23 anos, casada, estudante de Licenciatura em Artes Visuais e atualmente esta estagiando na Oficina de Criatividade do Hospital Psiquiátrico São Pedro. Sua pesquisa artística tem se focado arteterapia e arte-educação, como a arte pode ser desenvolvida de maneira a gerar interesse por parte dos alunos, ale m de como a arte deve ser usada como meio de expressa o, sendo crí tica ou sentimental. Sua produção artística foca atualmente em desenhos com caneta nanquim e aquarela além de ilustrações digitais.