Proponente: Kamille Pederiva
Local: SIR/EMEF Jean Piaget, Porto Alegre, RS Duração: 1 encontro de 2 horas.
Participantes: 7 escolares com idades entre 10 a 14 anos, 5 meninos e 2 meninas.

Utilizando revistas como estímulo e através do desenho, os participantes foram convidados a criar um monstro que representasse um medo pessoal. Em seguida, desenvolveram uma notícia fictícia envolvendo esse monstro, recriando uma manchete de jornal, revista ou televisão. A recriação de manchetes oferece uma forma de explorar como as mídias retratam e amplificam os medos na sociedade.
A Oficina suscitou reflexões sobre como os medos podem ser intensificados por notícias falsas e pela influência das mídias. No processo de autoconhecimento, ficou evidente que certas fobias podem estar relacionadas a questões mais pessoais e íntimas, como no caso do aluno que criou um monstro insatisfeito com o próprio corpo, ou daquele que, ao manifestar seu medo do escuro, desenhou um monstro que habita a escuridão. Além disso, a oficina proporcionou um diálogo sincero entre os estudantes, permitindo que compartilhassem suas experiências sem receio de julgamento.
Kamille comentou que o “único problema foi em relação ao tempo, alguns alunos não conseguiram concluir totalmente a atividade prática, principalmente na parte da pintura do desenho”. Ao focar apenas no desenho, não utilizaram as revistas disponibilizadas para colagens, que também havia sido sugerida como técnica. Embora não tenham usado as revistas para colagens, a turma as utilizou como referência na criação dos monstros e na elaboração das notícias.
Segundo a ministrante, o que mais chamou a sua atenção ao longo da atividade “foi a forma como os alunos conseguiram transformar seus medos em monstros super criativos. Em particular, alguns alunos destacaram-se por suas criações. Um exemplo é o aluno que expressou seu medo do escuro, incluindo a si mesmo no desenho. Observa-se que ele retratou com clareza como se sente em relação a esse temor, o que indica que esse medo tem sido um desafio significativo para ele. Outro caso que me fez refletir foi o do aluno que, apesar de não ter participado do diálogo nem da roda de apresentação, desenhou um monstro que não gosta do próprio corpo e, por essa razão, aterroriza a cidade. Isso me levou a questionar se essa criação pode revelar algo mais pessoal e íntimo, especialmente porque o observei como uma pessoa bastante tímida e envergonhada. Durante a discussão, ele permaneceu em silêncio, não expressou opiniões sobre o tema e preferiu não apresentar seu monstro para a turma.”
Por fim, Kamille autoavaliou-se da seguinte forma: “Acredito que me saí bem como ministrante, tenho um forte interesse por atividades que vão além do formato tradicional de sala de aula. Conduzi a atividade com máximo de atenção, carinho e cuidado com todos presentes.”
Seguem alguns trabalhos realizados durante sua Oficina:




