#FIQUE EM CASA : elas sempre estiveram lá


É provável que para esse texto ser escrito e lido, muitas de nós precisaram antes cumprir as exigências do Anjo do Lar. Algumas talvez já tenham conseguido matá-lo, como recomendou Virginia Woolf em seu livro Profissões para mulheres e outros artigos feministas.  Às mulheres foi historicamente relegado o espaço do privado. Foram educadas para prover o funcionamento das tarefas da casa, onde agora todos se acolhem. Suas “virtudes” ou seu “fracasso” como mulheres, segundo um padrão social, incidem sob essa responsabilidade. As demandas do lar sempre deveriam preceder as demais, (pessoais, profissionais, políticas) para que elas não se sentissem em dívida, nem com o outro a cuidar e nem consigo mesmas. A percepção atual dos impactos dessa responsabilização da mulher sobre o lar, no entanto, ainda não retirou muitas de nós dessa condição, nem devolveu à todas as mulheres a possibilidade de construir uma biografia própria.

De fato, o atual apelo de segurança em tempos de Covid-19, “fique em casa”, alterou a rotina de muitas pessoas, mas nem todas passaram a deixar de sair de casa. E não nos referimos aqui àqueles que, pelos mais diversos motivos, não podem ficar em casa, ou os que desconsideram a importância do isolamento social na pandemia. Falamos aqui das mulheres invisibilizadas, tanto na atual economia capitalista, quanto nos seus próprios lares, aquelas que sempre estiveram em casa.

 - Tenho saudades de minha casa, lá na Itália.

- Também eu gostava de ter um lugarzinho meu, aonde eu pudesse me aconchegar.

- Não tem, Ana?

- Não tenho? Não temos, todas nós, as mulheres.

- Como não?

- Vocês homens, vêm para casa. Nós, somos a casa.

(Extrato de um diálogo entre o italiano e Deusqueira em O último voo do flamingo, Mia Couto.)

Mulher-casa e Casa-corpo

A casa foi e continua sendo tema das poéticas de muitas artistas que trabalharam de dentro desse ambiente e de suas restrições, criando meios de sair da clausura e ampliando, através da arte, as possibilidades de relações com esse espaço. A partir de 1945, no pós-guerra, a artista francesa Louise Bourgeois desenvolveu uma série de obras onde a arquitetura da casa e o corpo da mulher se fundem, as quais chamou de Femme Maison (Mulher da Casa ou Casa da Mulher). 

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Femme Maison (1945-1947), pinturas de Louise Bourgeois. Fonte: https://seteartes.wordpress.com/2016/09/10/femme-maison-louise-bourgeois/

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Femme Maison (1945-1947), desenho de Louise Bourgeois. Fonte: http://lounge.obviousmag.org/arxvis/2012/06/louise-bourgeois-desenhos-e-gravuras-de-uma-mulher-que-foi-casa.html

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Femme Maison, 2001, escultura têxtil de Louise Bourgeois. Fonte: https://www.zippysharedl.com/product_info.php?c=bourgeois%20louise%20femme%20maison

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Femme Maison (1994), escultura em mármore, de Louise Bourgeois. Fonte: https://www.zippysharedl.com/product_info.php?c=bourgeois%20louise%20femme%20maison

Nesses desenhos, pinturas e esculturas, a casa brota das cabeças e ventres de corpos femininos, ou os devora, numa fusão muitas vezes perturbadora e sufocante. Em outras, o corpo aparece como sustentação, carregando o peso da casa. As obras trazem sentimentos pessoais de Louise sobre as dificuldades de ser artista, num momento em que ela criava três filhos.

A casa é associada ao corpo ligado não só à maternidade, mas como espaço de resistência, que pode tanto proteger como aprisionar. Em A Casa é o Corpo: penetração, ovulação, germinação, expulsão, instalação criada pela artista brasileira Lygia Clark em 1968, o público adentra o espaço submetendo-se à experiência física da obra. Para Lygia “A casa… era mais que uma pele, já que ela era todo o conteúdo do corpo também e, portanto, um organismo tão vivo como o nosso próprio!”

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A casa é o corpo (1968), instalação de Lygia Clark. Fonte: https://www.moma.org/audio/playlist/181/2425

Na performance “Semiótica da cozinha, de 1975,  a artista estadunidense  Martha Rosler trata do signo “mulher” como um dos signos de um sistema de produção de alimentos. Em uma cozinha, ela nomeia os objetos do dia-a-dia da dona de casa de A a Z em gestos no ar. Com garfo, panela, faca e outros instrumentos, ela propõe perfurar de dentro para fora o que ela chama de “sistema de subjetividade aproveitada”.

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Frame do vídeo da performance Semiótica na Cozinha, de Marta Roesler. Fonte: https://digartdigmedia.wordpress.com/2016/11/23/semiotics-of-the-kitchen-consumismo-e-os-media/

 

 

Tentando destruir estereótipos da mulher “do lar”, a exposição Woman House, realizada em Paris na Casa da Moeda em 2017, reuniu obras de reuniu 39 artistas mulheres de várias gerações e nacionalidades em torno dos conceitos de gênero feminino e espaço doméstico. Essas artistas como Nazgol Ansarinia, Letícia Parente, Zanele Muholi, Andrea Zittel, Kirsten Justesen, Cindy Sherman, Laurie Simmons, Penny Slinger, tratam de temas como clausura, fuga e criação associando-os à casa. A exposição traz também escritos de mulheres como o trecho de Um teto todo seu, 1929, de Virgínia Woolf:

“Como as mulheres ficaram sentadas dentro de suas casas durante milhões de anos, as paredes se encontram impregnadas agora com sua força criadora.”

Virgínia Woolf

Podemos pensar que muitas dessas artistas citadas não fazem um total rompimento da relação entre a casa e as mulheres, senão do estereótipo criado para essa relação. O que elas parecem propor é a experiência de morar, novas possibilidades de ser e estar na casa, novas casas. A sua existência como mulheres e como artistas, e a liberdade de dizer,  como na música Triste, Louca ou Má, que “sua casa não te define, seu corpo não te define, você é seu próprio lar”. 

As mulheres sempre estiveram em Home Office

Antes da quarentena, muitos saíam de casa para desenvolver seu trabalho. Agora, a condição de isolamento obriga a trabalhar de casa. Mas, assim como nem todos trabalhos são possíveis dessa maneira,  nem sempre a casa é um lugar possível para Home Office. A casa já tinha um funcionamento, finalidades e Home Offices anteriores. As interrupções pelas demandas da rotina doméstica, de relacionamentos, filhos, alimentação, limpeza, além dos acontecimentos envolvendo a pandemia, muitas vezes impedem a concentração. Jornadas essas, que são também trabalhos ainda que historicamente não sejam entendidos como tal.

O que se chama de trabalho doméstico ainda está separado de uma noção de trabalho remunerado. Em seus livros O Calibã e a Bruxa: mulheres, corpo e acumulação primitiva e O ponto Zero da Revolução: trabalho doméstico, reprodução e luta feminista disponíveis gratuitamente aqui, a pesquisadora italiana Silvia Federici trata dos trabalhos invisibilizados das mulheres como os pilares para o desenvolvimento do capitalismo. Cabia tanto àquelas que não saíam para a fábrica quanto as que saíam, a tarefa da alimentação, reprodução da mão-de-obra e o cuidado, sem os quais jamais teria se desenvolvido o trabalho nas indústrias. Segundo ela, não tratar as tarefas da casa como trabalho, e, ao invés disso, romantizá-las como ato de amor e doação por parte da mulher, representou uma grande estratégia para a consolidação do capitalismo industrial. Outro aspecto importante a ser considerado é que a relação das mulheres com o trabalho doméstico não pode ser universalizado. Ao tratar das várias possibilidades de ser mulher é preciso abdicar de uma estrutura universal e levar em conta outras intersecções, como raça, orientação sexual, identidade de gênero (RIBEIRO, 2019). Se “trabalhar fora de casa” foi uma reivindicação feminista de mulheres brancas, para muitas mulheres negras essa não era uma opção possível.

Grafitti “Isso que chamam amor é trabalho não pago”. Fonte: https://www.hypeness.com.br/2018/03/dona-de-casa-o-que-eles-chamam-de-amor-e-trabalho-nao-pago-diz-intervencao/

Intervenção pública com a frase de Silvia Federici “Isso que chamam amor é trabalho não pago”.
Fonte: https://www.hypeness.com.br/2018/03/dona-de-casa-o-que-eles-chamam-de-amor-e-trabalho-nao-pago-diz-intervencao/

 

A mulher da casa na escola

Na escola, se observamos criticamente as imposições de gênero nos usos da linguagem para referir-se ao cotidiano da casa, vemos que geralmente são atribuídas às figuras femininas como nas expressões:  “casa da mãe”, “se sujar, a mãe lava”,  “comida de mãe”, entre outras. Além disso, para expressões como “dona de casa”, não é comum a flexão de gênero, tampouco esse termo tem um sentido de propriedade como teria. “Brincar de casinha” e outras atividades associadas ao lar, lugar sedentário e fixo do lado de dentro, são ainda normalizadas como exclusividade desse feminino imposto. Talvez tenhamos que pensar no impacto de quando não normalizamos essa relação e flexionamos essas expressões para “se sujar, o pai lava”, “comida de pai”, “dono de casa” ou até mesmo criarmos o espaço de existência do  “empregado doméstico”.

De que maneiras a escola tem contribuído para reforçar a subjetividade da “mulher da casa”?

Como a arte nas escolas poderia ajudar a provocar mudanças nessa estrutura?

 

A casa como lugar para escrever

Se foi possível chegar até aqui na leitura, quem sabe também seja possível escrever seu próprio texto sobre a singularidade da sua relação com a casa. A escritora norte-americana Glória Anzaldua, pensa a possibilidade da arte como necessidade inadiável, e pela escrita, nos espaços cotidianos, pensando a condição das mulheres do terceiro mundo, que muitas vezes não pode esperar por “um teto todo seu”:

Caneta, sinto-me como em casa em sua tinta, dando uma pirueta, misturando as teias, deixando minha assinatura nos vidros da janela. (p. 232)

O problema é focalizar, é se concentrar. O corpo se distrai, faz sabotagem com centenas de subterfúgios, uma xícara de café, lápis para apontar. O recurso é ancorar o corpo em um cigarro ou algum outro ritual. E quem tem tempo ou energia para escrever, depois de cuidar do marido ou amante, crianças, e muitas vezes do trabalho fora de casa? Os problemas parecem insuperáveis, e são, mas deixam de ser quando decidimos que, mesmo casadas ou com filhos ou trabalhando fora, iremos achar um tempo para escrever.

Esqueça o quarto só para si — escreva na cozinha, tranque-se no banheiro. Escreva no ônibus ou na fila da previdência social, no trabalho ou durante as refeições, entre  dormir e o acordar. Eu escrevo sentada no vaso. Não se demore na máquina de escrever, exceto se você for saudável ou tiver um patrocinador — você pode mesmo nem possuir uma máquina de escrever. Enquanto lava o chão, ou as roupas, escute as palavras ecoando em seu corpo. Quando estiver deprimida, brava, machucada, quando for possuída por compaixão e amor.

Quando não tiver outra saída senão escrever. (p. 233)

Glória Anzaldua

Com as palavras de Anzaldua, sem deixar de reconhecer e acolher as dificuldades evidentes para realizarmos nossas criações, queremos lembrar que é preciso fortalecer a capacidade de lutar e procurar alternativas ainda não pensadas, não se conformar. Como ela, temos no Brasil o grande exemplo da escritora Carolina Maria de Jesus, cujo ambiente da casa era um barracão de favela. Mulheres cuja arte da escrita nos lembram das desigualdades sociais para pensarmos também no direito à casa, à casa com livros, a casa com arte.

Habitar a casa com afetos

Diante da expectativa de reelaboração da relação com a casa durante a quarentena, fomos convocadas a tornarmos a casa um espaço de autocuidado, favorável à processos de criação, à educação, convivência e afetividade, à vida política e micropolítica desde o espaço interno. Essa recriação demanda muita imaginação, sonhos, e deve, sem dúvida, passar pela arte e pelos feminismos.

Na pesquisa Onde habitam os afetos? a artista Helena Campos Alibio partiu dos significados de abrigo, acolhimento e proteção para trabalhar a casa em seu arquétipo. Sensações, emoções e memórias afetivas, são retomadas a partir dos moradores de uma casa. Seus trabalhos abrem portas para um universo onírico, imaginado e intimista, como a possibilidade de morar numa casa de nuvens.

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Horizonte, 2017. Escultura de papel. (28 cm x 18 cm x 12 cm) de Helena Alibio. Fonte: Acervo da artista

Em um de seus trabalhos, ela parte de uma memória sobre o medo que sentia quando era criança, contando que para assustar o medo, em sua casa, lhe acendiam um palito de fósforo. Ela ficava a observar a luz se dissolver junto com o palito até a escuridão. Este era seu abrigo e proteção, a caixa de fósforo.

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Contém afetos, 2017. Técnica mista. (tamanho variável – 10 cm x 4 cm x 1,5 cm), de Helena Alibio. Fonte: Acervo da Artista

 

Casas em demolição e em construção

O chão cai sobre o chão”, lê-se em um dos trechos de Poema de começo de construção de Mayra Redin sobre o desejo e a tarefa de construir, erguer uma casa e depois habitá-la. O poema faz parte de um trabalho artístico maior, a exposição Em volta, um começo, realizada na galeria Aura de São Paulo, em 2018.

Um conjunto de pequenas construções compostas por tijolos e livros dispostas no chão da galeria além de desenhos feitos em nanquim, a partir da observação de Mayra de terrenos em construção. “Preparar o terreno, cavar, estacar serve como metáfora para forjar um grau zero para uma outra linguagem possível: ‘tijolo por tijolo‘ “, escreve a curadora Natalia Quindere.

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Da série “Poema de começo de construção”, 2018. Desenho de nanquim sobre papel, de Mayra Redin. Fonte: Acervo da artista

 

Há um barulho que ensurdece
Quando uma construção começa
Começa sutil
começo
Arruma a casa
Desde a cabeça de ponta-cabeça
Até os pés para o ar
E é chegando na proa dessa canoa que uma casa é
Que o peso da construção faz tombar:
Os pés para o ar serão pés no chão a ponta-cabeça será cabeça nas nuvens
E enfim a ordem da casa
Os pés no chão a cabeça nas nuvens
E ainda
explosões sucessivas inauditas ao pé do ouvido
que o começo de uma construção causa
Ordem na casa é sempre começo
escalada que faz tombar a própria ordem

[…]

(Trecho de Poema de começo de construção, de Mayra Martins Redin)

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Da série “Poema de começo de construção”, 2018. Desenho de nanquim sobre papel, de Mayra Redin. Fonte: Acervo da artista

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Da série “Poema de Começo de construção”, 2018. Desenho de nanquim sobre papel, de Mayra Redin. Fonte: Acervo da artista

 

Sair de casa, sair com a casa

Para finalizar, na esperança de que isso vai passar, esse momento de pandemia, esses aprisionamentos das mulheres, mas também de que tudo vai mudar, se mudarmos, convidamos você a visitar algumas formas de sair de casa, ou melhor, de sair com a casa, através dos trabalhos do Programa Casa-movente, da artista brasileira Helene Sacco.

 

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Imagem do desenho para a construção. Livro de Artista Diário de Construção, 2008, de Helene Sacco. Fonte: https://helenesacco.wordpress.com/2010/12/27/casa-movente-diario-de-construcao/

 

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Casa-movente, Inserção I, Turvo/SC, 2009, de Helene Sacco. Fonte: https://helenesacco.wordpress.com/2010/12/27/casa-movente-diario-de-construcao/

 

“Casas deveriam ser como os objetos, nos seguindo de lugar em lugar. Ainda invento lugares com pedaços de casas, daquelas que insistiram em me seguir na lembrança. A porta de uma, o quarto de outra…

[…]

Penso nas pessoas que passam uma vida inteira na mesma casa, como serão esses lugares? O que essa casa deve acumular com o tempo pode fazer suas paredes se aproximarem, é muita coisa vivida. Gosto de pensar nas famílias que levam suas casas como um animal de estimação, ou o seu mais querido objeto. Talvez seja essa a opção para quem insiste em migrar, viver sempre de passagem. Mas como será levar a casa e não levar a rua, suas árvores, esquinas, amigos e a paisagem que vemos pela janela? Deve ser como viver num barco, em cada porto uma nova descoberta. Sua única recompensa é a esperança de um dia voltar, ou então, melhor seria a de encontrar um outro lugar ainda mais feliz que o último.”

(Dia de colher a Casa, 28 de Dezembro de 2010, de Helene Sacco)

 

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Da coleção de fotografias Casas-moventes, 2007, de Helene Saco. Fonte: https://helenesacco.wordpress.com/2010/12/28/9/

 

 

Como podemos construir, reformar, mover ou sair de uma casa através da arte? Que novas relações com a casa podemos ajudar a produzir a partir da arte durante a pandemia?

 

Referências

ANZALDUA, Gloria. Falando em Línguas: uma carta para mulheres do terceiro mundo. Disponível aqui.

COUTO, Mia. O último voo do flamingo. Companhia das Letras, 2000.

REDIN, Mayra Martins. Poema de começo de construção. São Paulo: Editora Quelônio, 2018.

RIBEIRO, Djamila. Lugar de fala. São Paulo: Pólen, 2019.

WOOLF, Virginia. Profissões para mulheres e outros artigos feministas. Disponível aqui.

WOOLF, Virginia. Um teto todo seu. São Paulo: Tordesilhas, 2014

 

Links:

https://www.moma.org/audio/playlist/181/2425

https://www.aura.art.br/exposicoes/em-volta-um-comeco

https://coletivosycorax.org/traducoes/

https://helenesacco.wordpress.com

https://www.hypeness.com.br/2018/03/dona-de-casa-o-que-eles-chamam-de-amor-e-trabalho-nao-pago-diz-intervencao/

https://seteartes.wordpress.com/2016/09/10/femme-maison-louise-bourgeois/

http://lounge.obviousmag.org/arxvis/2012/06/louise-bourgeois-desenhos-e-gravuras-de-uma-mulher-que-foi-casa.html

https://www.zippysharedl.com/product_info.php?c=bourgeois%20louise%20femme%20maison

https://digartdigmedia.wordpress.com/2016/11/23/semiotics-of-the-kitchen-consumismo-e-os-media/

Acessos em 18/05/2020.

 

Texto e pesquisa: Diane Sbardelotto

Edição e revisão: Diane Sbardelotto e Luciana Gruppelli Loponte

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