Inventar novas relações entre arte, educação e docência

Arte e docência na urgência ambiental: imaginar modos de viver em um planeta degradado, de Diane Sbardelotto

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Foto: Diane Sbardelotto

Já está disponível para leitura a tese de doutorado de Diane Sbardelotto, Arte e docência na urgência ambiental: imaginar modos de viver em um planeta degradado, defendida no PPGEDU/UFRGS em maio de 2026.

Diante da urgência ambiental, como imaginar, na docência em Artes Visuais, outros modos de viver em um planeta degradado? Aproximações entre docência, arte contemporânea e educação ambiental, por meio de “poéticas situadas” (Giunta, 2022) objetivaram, nesta tese, pensar docências que possam imaginar modos de vida menos danosos à terra. Este estudo propôs “frequentar os problemas” (Haraway, 2023) antes de aderir a discursos de fim do mundo ou soluções que sustentassem o neoliberalismo. Por perspectivas decoloniais e estudos pós-críticos, problematizaram-se as rupturas entre humano e natureza promovidas pelo “habitar colonial” (Ferdinand, 2023), reproduzidas em modelos extrativistas do agronegócio e nas heranças da “branquitude” (Cardoso, 2014). Composta por escrita literária, observações da docência e análises a partir das imagens das artes, a pesquisa teve como eixos: arte no interior; branquitude e docência; urgência ambiental, arte e natureza; e coexistências imagináveis. Na escrita literária de Ressurgências Agripoéticas, vivências rurais da pesquisadora foram poetizadas em um exercício memorial de reelaborar o passado e especular futuros. Em análises a partir das imagens das artes, projetos e obras de artistas situados no interior do Sul do Brasil (Coletivo Adentro, Coletivo Inço, Gabi Bresola, Mariana Berta), além de relações com outros projetos, como Una Escuela Sustentable e os artistas Denilson Baniwa e Daiara Tukano, visaram tensionar noções de arte da história hegemônica. Nas observações da docência, um estágio com licenciandos em Artes Visuais da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) — entre outras experiências docentes — compôs reflexões teóricas, poéticas e políticas para imaginarmos como abordar urgências e como elas nos abordam. Entre os desafios propostos, estavam: fazer lutos; situar-se em heranças difíceis; habitar contradições; e restaurar vínculos e transmissões entre docentes. O milho crioulo e metáforas com a sobremesa sagu ajudaram a pensar modos de vida em que, na contramão das “monoculturas da mente” (Shiva, 2003), fosse possível coexistir na simultaneidade de tempos e culturas heterogêneas, como em um mundo “ch’ixi” (Cusicanqui, 2014), no qual uma cor vista de longe pode parecer cinza, mas, de perto, preserva seus pontos pretos e brancos, diversos e singulares.

A tese está disponível aqui.

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