O trabalho do senegalês El Hadji Sy (1954), um dos maiores em dimensão na Bienal de São Paulo, foi exposto como uma instalação suspensa. Este grande recorte de volutas se propõe a ilustrar a imagem de um polvo, um grande monstro do mar que parece tragar os visitantes.
A mediação da Bienal questionava os expectadores sobre a possível distância entre a África e o Nordeste brasileiro, e ainda, em quanto tempo de vôo os visitantes achavam que um avião completaria tal percurso.“Dez horas”, “doze!”. A brincadeira de medir a quantidade de tempo deu espaço a uma discussão mais séria, a do tráfico negreiro.
O trecho feito em menos de um dia sobre o ar levava entre 30 e 45 dias pelo mar, é disso que trata Arqueologia Marinha, a passagem de homens e mulheres através do atlântico durante os séculos 17 e 18: “Essa viagem involuntária, da qual poucos sobreviveriam, não só formou grande parte da história cultural e política do Brasil e de outros países da América, como também resultou em um oceano cheio de corpos”.
O artista se mostra como interlocutor da voz de muitos, a voz dos que já se foram, suscitando em nós, alunos, professores e espectadores, a recordação de uma história da qual fazemos parte, responsável pela mestiçagem, pelos costumes e cultura que chamamos de nossa.
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ALGUMAS OBRAS – Clique nas imagens para ampliá-las:
SOBRE O ARTISTA:
El Hadji Sy (Senegal, 1954)
OUTROS LINKS:
http://www.weltkulturenmuseum.de/en/ausstellungen/aktuell/5065
http://www.bienal.org.br/post.php?i=1288





[…] Imagem em destaque: El Hadji Sy, para conhecer mais sobre o artista e sua produção acesse: https://www.ufrgs.br/arteversa/?p=428 […]