PLOS e avaliação por pares aberta

Trechos do texto de Lilian Nassi-Calò para o Blog Scielo em Perspectiva

A avaliação por pares aberta abarca várias práticas […] e a combinação entre elas pode resultar em ao menos 22 formas de avaliação por pares aberta (open peer review, OPR).

Segundo a PLOS, o elemento em comum às várias formas de avaliação por pares aberta é algum elemento de abertura no processo, que pode ser desde a possibilidade de comentários públicos até a publicação da carta de aceitação do editor. PLOS salienta que a regra geral de avaliação por pares em seus periódicos é anônima e os pareceres, confidenciais. No entanto, pareceristas podem optar por assinar seus pareceres, e são advertidos da possibilidade da publicação destes pareceres.

Ao ter um artigo aprovado para publicação, os autores podem optar por publicar o Histórico de Avaliação por Pares, que inclui os seguintes documentos: (i) Cartas de decisão do Editor; (ii) Pareceres de avaliação (assinados pelos pareceristas, se for o caso); e (iii) Respostas dos autores aos comentários dos pareceristas.

De acordo com as opções do parecerista e autor, são possíveis quatro combinações, mostradas no diagrama a seguir.

Quadro mostrando as modalidades de avaliação por pares da PLOS

Figura 1. Adaptado de MORTON, L. Published Peer Review History at PLOS: Observations from the past three years2

Cabe notar que a decisão sobre a publicação do histórico da avaliação por pares recai sobre o autor. O parecerista pode decidir não assinar seu informe, porém isso não impede seu parecer de ser publicado anonimamente. O mais importante, salienta o PLOS, os benefícios em compartilhar o histórico, estão no teor dos pareceres e não na identificação dos pareceristas, pois muito se discute sobre a anonimidade destes, quando o foco está no “feedback construtivo dos pareceres abertos”.

Com a finalidade de formar uma base de dados de pareceres abertos, os componentes do histórico da avaliação por pares recebem um DOI e são armazenados em formato legível por máquina, em um servidor externo para mineração e análise de dados, ademais de ser publicados na plataforma dos periódicos, junto aos respectivos artigos.

O que levou o PLOS a oferecer a autores e pareceristas a opção de publicar o histórico de avaliação por pares, enquanto outros como eLife, determinados periódicos da coleção TheBMJ e EMBO Press preferem tornar a avaliação aberta uma regra e permitir que autores optem por não publicar os pareceres? Os editores do PLOS acreditam que esta versão fornece flexibilidade e controle aos autores, ao invés de impor um modelo de avaliação aberta.

O percentual relativamente baixo de adesão à publicação do histórico de avaliação por pares – em média 40% – é compensado pelo elevado número de artigos publicados pelos periódicos PLOS, que é de cerca de 18.000/ano. Para efeito de comparação, este número é 5 a 10 vezes o número de artigos publicados por BMJ Open e eLife, respectivamente. O número de artigos que publicaram o histórico de avaliação por pares de 2019 a 2021 soma mais de 17.000, o que fornece um corpus de dados bastante rico para análise.

Os dados registrados por PLOS permitem estudar o comportamento dos pareceristas em assinar os pareceres dos históricos de avaliação. Do total de avaliações, 17.8% foram assinadas, o que corresponde a cerca de 40 mil pareceristas. Dos artigos que tiveram seu histórico publicado, 44% contavam com a assinatura de ao menos um dos pareceristas. Estes números, é importante notar, ao contrário dos dados de autores, que contam apenas os de artigos aprovados, se referem à pareceristas no total, de artigos aprovados e não aprovados para publicação. Cabe notar, portanto, que o maior percentual de pareceres assinados se refere à artigos aprovados ou com recomendações menos importantes.

Os editores de PLOS relatam manter um diálogo aberto e perene com os membros das comunidades de pesquisadores, editores e partes interessadas, e consideram a avaliação por pares por demais importante para ser conduzida por meio de um modelo imposto e que não seja consenso entre as partes envolvidas. Soa como uma boa prática.

Texto original publicado no Blog Scielo em Perspectiva