“Da pipas faço luneta/No ar procuro mantê-las!/As coisas lindas eu vi/Debicando vou revê-las!/Foi bom andar nos planetas/Que nem livres borboletas/E voar pelas estrelas…!/Raimundo Santa Helena, poeta de cordel.
José Monserrat Filho escreve para o “JC e-mail”:
O simpático lançamento, muito concorrido e com direito a um recital de poetas de cordel, aconteceu na noite desta segunda-feira no Museu da República, no Rio.
O livro “Cordel e Ciência – A Ciência em Versos Populares”, organizado por Ildeu de Castro Moreira, Luisa Massarani e Carla Almeida, foi publicado em boa hora pela Casa Editorial Vieira & Lent, do RJ. Participam do livro os seguintes e inspirados poetas de cordel:
Gonçalo Ferreira da Silva eRaimundo Santa Helena, do Ceará, Edmilson Santini e Manoel Monteiro, de PernambucoEugênio Dantas de Medeiros, do Rio Grande do Norte
Eles escrevem sobre os mais diversos e sempre atuais temas da ciência, da tecnologia, da medicina e da ecologia. O primeiro capítulo é dedicado aos cordéis sobre cientistas famosos:
Hipócrates, Arquimedes, Galileu Galilei, Kepler, Newton, Oswaldo Cruz, Santos Dumont, Einstein e Sabin.
O segundo capítulo fala de aventuras espaciais, como “O menino que viajou num cometa”, “O Senhor dos Anéis” e “Trigésimo Aniversário da Conquista da Lua”.
O terceiro capítulo aborda questões de saúde: as plantas que curam, as vacinas, os transplantes, a diabetes, a luta contra o vício do cigarro.
Finalmente, o quarto capítulo trata dos problemas ambientais: Amazônia, fauna, flora e águas, as inscrições rupestres, a relação entre a natureza e o homem.
Sobre os organizadores, vale informar, ou apenas lembrar, pois são nomes conhecidos:
Ildeu de Castro Moreira, professor e pesquisador do Instituto de Física da UFRJ, dirige atualmente o Departamento de Difusão e Popularização da C&T do Ministério da C&T;
Luisa Massarani, jornalista de ciência, doutora em Gestão da Educação e Difusão em Biociências pela UFRJ, coordena o Centro de Estudos do Museu da Vida da Casa de Oswaldo Cruz, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz); e
Carla Almeida, jornalista de ciência, ex-redatora do “Jornal da Ciência”, trabalha e faz pesquisa no Museu da Vida da Casa de Oswaldo Cruz da Fiocruz.
Para eles, o objetivo do livro “é dar maior alcance ao trabalho imaginativo” dos poetas de cordel e também “sugerir que o cordel e outras formas de expressão popular podem ser tomados como interessantes pontos de partida para se analisar determinados aspectos da relação entre ciência e sociedade”.
Ademais, esses modos de expressão “podem ser utilizados como instrumento adicional de divulgação científica, especialmente junto aos setores populares”.
Ildeu, Luisa e Carla esperam que “esta ferramenta poética possibilite e estimule a reflexão e o uso mais amplo de formas alternativas de popularização da ciência”.
O livro já está à venda nas melhores livrarias e pode ser solicitado pelo fone (21) 2262-8314 ou pelo e-mail editora@vieiralent.com.br
Terminamos com um verso de Gonçalo Ferreira da Silva, algo tão simples quanto verdadeiro:
“Busca o homem conhecer
a origem e dimensão
do universo e se está
em permanente expansão
pois conhecer nossa casa
é nossa obrigação.”
Fonte: JC e-mail 2914, de 13 de Dezembro de 2005

