Desde então, os processos envolvidos nas etapas da publicação científica, desde a coleta de dados pelos pesquisadores, até a publicação em um periódico online, vem sofrendo profundas modificações que transcendem a simples mudança da versão impressa para a versão online dos periódicos. Movimentos como o do Acesso Aberto que emergiu nos países desenvolvidos no início dos anos 2000, o surgimento de repositórios temáticos e institucionais de artigos, e novas formas de conduzir o processo de peer-review impõem uma nova ótica sobre a publicação científica em todo o mundo.
Byrnes et al. (2013) propõem um debate sobre o que denominam os quatro pilares para um futuro mais aberto da comunicação científica: ampliação dos produtos e formatos de comunicação científica; a publicação imediata em acesso aberto; o processo aberto de peer review; e o amplo e público reconhecimento deste processo, dos produtos e dos acadêmicos. Os autores identificam que estes pilares têm um fundamento comum na necessidade de convergir os produtos que contribuirão para aumentar a velocidade e a qualidade do empreendimento científico.
Ampliação dos produtos e formatos de comunicação científica
O produto da pesquisa que apresenta maior reconhecimento por parte da comunidade acadêmica é o artigo científico. Trata-se de uma monocultura sob a qual outros produtos e formas de comunicação que vêm adquirindo um papel importante na comunicação de pesquisas como blogs, softwares, sistemas de visualização de dados, fluxos de trabalho, etc. são considerados de segunda categoria e não são reconhecidos formalmente nos registros acadêmicos. Como todos estes produtos contribuem para a comunicação de resultados da pesquisa, esta situação deverá mudar em prol do avanço da ciência.
Publicação imediata
O processo de avaliação por pares é tão antigo quanto as primeiras publicações acadêmicas do século XVII e constitui um componente essencial da comunicação científica até os dias de hoje, pois assegura a qualidade da comunicação e faz progredir o conhecimento o conhecimento científico. O trabalho de avaliação, entretanto, é demorado e pode levar de algumas semanas a anos, pois fazem parte da equação o número (sempre crescente) de periódicos existentes, o número potencial de pareceristas, o prestígio do periódico, e a qualidade da avaliação realizada. A lentidão desta etapa que é a mais crítica do processo de publicação pode trazer inúmeras consequências prejudiciais aos autores e a todos os que se beneficiam direta ou indiretamente do conhecimento gerado pela pesquisa científica.
Processo aberto de peer review
Os editores tem em suas mãos a decisão de definir como será o processo de peer review de seus periódicos. Os formatos mais frequentes são o denominado cego, no qual o parecerista permanece anônimo, mas tem acesso aos nomes e identificação dos autores e o denominado duplo-cego, no qual os pareceristas e autores permanecem anônimos. Com o anonimato, o parecerista tem a liberdade de fazer comentários e críticas, ou mesmo rejeitar um trabalho mais livremente, não temendo constrangimentos ou represálias.
Reconhecimento público dos pareceristas
A qualidade dos artigos científicos passa pela metodologia de pesquisa, a boa redação do manuscrito, um processo criterioso de avaliação e a visão do todo pelo editor que tem a palavra final sobre a publicação. A contribuição intelectual que faz o parecerista ao artigo é de grande peso dentre as variáveis acima relacionadas; todavia, nem sempre esta contribuição é da qualidade esperada. O processo de avaliação aberta pretende fazer o justo reconhecimento público dos pareceristas e seus pareceres de qualidade, aqueles que contribuem significativa e positivamente para melhorar a qualidade dos artigos. Assim, poderá ter início um amplo processo de debate envolvendo mais atores do que dois ou três pareceristas e avaliações fechadas, do qual toda a comunidade científica poderá se beneficiar, especialmente os pareceristas e o sistema de peer-review.
Estes quatro pilares, concluem os autores, contribuirão para um sistema com maior rapidez na descoberta de informação e para uma ciência mais vibrante intelectualmente.
Veja o artigo na íntegra no SciELO em Perspectiva.


